Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Sonho da franquia também atrai os mais jovens

Estudo da consultoria Rizzo aponta aumento na aquisição desse tipo de negócio por pessoas com até 30 anos

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

26 de junho de 2013 | 17h22

Economizar a mesada e investir em ações listadas na bolsa de valores ajudaram o administrador Ricardo Schaefer a ter dinheiro suficiente para comprar uma franquia da rede Subway. Por ser muito jovem, com 19 anos, Schaefer não quis arriscar-se no negócio próprio e optou pela relativa segurança proporcionada pelo franchising. Gostou tanto que hoje, com 23 anos, ele tem duas unidades no Rio de Janeiro e já planeja a abertura da terceira loja.

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Ricardo faz parte de um grupo crescente de investidores em franquias, os jovens com até 30 anos. Dados da consultoria Rizzo Franchise mostram que o número de empreendedores dentro dessa faixa etária que abriram franquias cresceu 21,4% entre 2010 e 2012, de 32.649 para 39.629 pessoas.

A participação crescente dos mais novos no setor é percebida pelo consultor Marcus Rizzo há pelo menos seis anos. “Ter um emprego com carteira assinada deixou de ser objetivo. Isso tem a ver com a juventude, com o mundo que vivemos hoje, de ter e alcançar as coisas com maior velocidade”, diz.

Essa vontade de fazer acontecer dos jovens é vista como ponto positivo pelas redes, segundo Rizzo. Mas a nova geração que envereda pelo sistema de franchising pode ter justamente no entusiasmo um ponto negativo, afinal, por definição, a franquia tem padrões que precisam ser seguidos, o que inviabiliza a inclusão de novos produtos por desejo do empresário, por exemplo.

História. Schaefer diz que sempre foi muito contido nos gastos e começou a fazer investimento em ações influenciado pelo irmão mais velho. Para adquirir a loja da rede Subway, ele raspou a poupança de R$ 150 mil e ainda precisou pedir emprestado R$ 50 mil. “Sempre tive o espírito mais ligado a querer liderar. Quero continuar investindo na franquia e criar um grupo de lojas grande”, afirma.

Para Schaefer, a atual geração não quer mais ficar engessada em empresas tradicionais. “Os jovens querem progredir, dar um salto ou estudando muito e conseguindo um emprego excelente ou sendo um ótimo empreendedor”, opina. Segundo a gerente nacional do Subway, Roberta Damasceno, o perfil dos franqueados da rede é mesmo jovem. “As pessoas se identificam com a marca. É comum os pais ajudarem na abertura.”

O respaldo de pessoas experientes no mercado pesou na escolha de Victor Giansante, de 28 anos, pelo franchising. Ele e mais três sócios abriram a primeira unidade da Salad Creations no Brasil e cuidam da expansão da rede. Giansante conta que sempre teve vontade empreender. “Meu pai tem uma empresa no ramo do agronegócio. Ele me deixou bem livre para fazer o que eu quisesse e sempre tive ele como exemplo. Isso me incentivou a começar no empreendedorismo”, afirma.

Na época da faculdade, o atual diretor da Salad Creations fez um estágio na área de planejamento e controle de projetos. “Foi importante para ter experiência de convivência no ambiente de trabalho, de como funciona um organização. Mas prezamos pela liberdade. É mais importante entregar as metas do que cumprir efetivamente o tempo sentado na cadeira. Nossa marca preza pela qualidade de vida. Dentro do escritório também queremos trabalhar isso”, afirma Giansante.

O estudo da Rizzo Franchise ainda aponta os segmentos preferidos pelos jovens na hora de investir em franquias. O fast food lidera o ranking, seguido de vestuário e alimentação especializada. Quando se trata de capital para investimento, 39% deles têm entre R$ 81 mil a R$ 120 mil e 38% têm até R$ 80 mil. Com mais dinheiro no bolso, 13% dos jovens contam com R$ 121 mil a R$ 200 mil e 10% têm acima dessa quantia.

Análise. Na avaliação da sócia-diretora da Franchise Store, Filomena Garcia, o ponto positivo do jovem na franquia, independentemente do segmento escolhido, é a vontade de aprender e fazer acontecer. “O franqueador está aí para passar o conhecimento. E o jovem consegue se adequar mais rapidamente”, analisa a especialista.

A especialista pontua que a franquia é interessante para o jovem porque não exige experiência anterior. “O lado positivo é que você vai aprender com os erros que alguém já passou e isso minimiza o risco de ser o primeiro negócio. E o jovem quer abrir uma empresa, mas não quer arriscar tanto pela falta de experiência”, completa.

Filomena ainda destaca que é possível tornar-se um grande empresário dentro do setor com cinco ou seis lojas. “O jovem precisa saber que ele pode crescer dentro do segmento de franquias, ganhar espaço junto com a marca”, completa.

Essa é uma das motivações por trás da escolha do franqueado da BagNews Guilherme Galli Larrubia, de 26 anos. Ele conta que aliou o interesse em franchising com sua formação em publicidade. Ele comercializa anúncios em sacolas ecológicas e as distribui em pontos estratégicos de Sorocaba.

“Sempre busquei algo que se encaixasse no meu pensamento. A franquia tem uma ideia interessante de aliar a parte ecológica com a publicidade. No curto prazo, não vejo mudanças e pretendo investir para crescer dentro da rede”, diz Larrubia, que investiu R$ 25 mil no negócio.

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