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Werther Santana/Estadão
Rafael Darrouy, fundador da Pedivela, com uma das bikes cargueiras da empresa: logística de entrega sem poluição.  Werther Santana/Estadão

Soluções para mobilidade incluem bike cargueira e monitoramento de ônibus

Estudo Onda Verde, que mapeou 7 setores-chave para empreender na bioeconomia, destaca iniciativas como logística por bicicleta; na agricultura, tecnologia ajuda produtores com plataforma gratuita

Bianca Zanatta, Especial para o Estadão

31 de março de 2021 | 05h00

No setor de logística e mobilidade, negócios como Milênio Bus e Pedivela ganham destaque no estudo Onda Verde, desenvolvido pela plataforma de inovação multisetorial Climate Ventures e o think tank Pipe.Labo.

A Milênio resolve o problema de linhas de ônibus urbanos com má distribuição de veículos através de um sistema de “smartflow”, que detecta a lotação no transporte coletivo em tempo real.

“A empresa surgiu com o objetivo de melhorar a vida do passageiro que pega ônibus lotado todos os dias e demora muito para chegar ao trabalho”, conta o cofundador Marcel Ogando. “Especialmente agora na pandemia, planejar a operação sob demanda é algo necessário.” 

Atualmente, as frotas de mais de 10 empresas brasileiras já utilizam o smartflow da Milênio. “Começamos a comercializar o produto recentemente, mas já foi possível perceber uma melhoria de 15% na eficiência da operação de um dos nossos clientes”, exemplifica Ogando. “Muita coisa boa ainda está por vir.”

No caso da Pedivela, a semente da iniciativa brotou quando o fundador Rafael Darrouy, então estudante de medicina, estava andando de bicicleta e foi atropelado. “O motorista ainda passou duas vezes por cima da bike”, conta. Foi aí que ele decidiu virar ativista e lutar pela mobilidade urbana. A Pedivela nasceu com o propósito de tirar pequenos caminhões, motos e carros da rua e colocar as bikes. 

A empresa tem pequenos pontos de distribuição (contêineres) que recebem as cargas de vendas de e-commerce e recruta um exército de ciclistas para fazer as entregas finais. “Temos prazos e custos competitivos para uma entrega limpa”, explica Darrouy. Eles também oferecem capacitação para os ciclistas.

Nosso programa é tipo uma Empretec do Sebrae, que capacita os ciclistas para abrirem a própria empresa”, diz. Aos que se destacam, dão uma consultoria mais próxima, abrindo a rede de contatos da Pedivela e trazendo investidores, como forma de igualar oportunidades para quem não partiu do mesmo ponto desde o início. 

Produtores da floresta e do campo

Conectando pequenos produtores amazônicos de artesanato, moda e produtos gastronômicos ao mercado consumidor nacional, a Amazônia em Casa, Floresta em Pé nasceu como desdobramento do Lab Amazônia - Desafio de Logística e Comercialização dos Produtos da Biodiversidade, realizado pela Climate Ventures com Idesam e PPA.

Segundo a coordenadora Floriana Breyer, o projeto é composto por diversos integrantes, com destaque para dois atores de peso que foram fundamentais para que a solução ganhasse escala: Mercado Livre e o operador logístico multimodal Costa Brasil. 

“Nossa meta para 2021 é expandir o ecossistema atraindo parcerias que possam emprestar suas capacidades e abrir espaço para a Amazônia dentro dos seus modelos de funcionamento”, diz Breyer.

“Ao trazer esses produtos para casa, o consumidor não está só adquirindo coisas gostosas ou bonitas, mas apoiando o desenvolvimento de uma cadeia de produção de famílias que são os verdadeiros guardiões da floresta”, acrescenta o co-coordenador Vitor Galvani.

No caso da Maneje Bem, cofundada pela bióloga Juliane Mendes, a empresa oferece uma tecnologia de inteligência para o desenvolvimento da agricultura familiar. “Minhas sócias e eu estávamos terminando a pós-graduação quando vimos um edital do Social Good Brasil com uma chamada para ajudar ideias de negócios que resolvessem algum problema social.” 

No final do processo, abriram uma primeira empresa de consultoria, mas não conseguiram atender ao número de agricultores que queriam. Aí a tecnologia entrou em cena. “O Maneje Bem começou com um grupo no WhatsApp que foi criado para conectar técnicos e agricultores de todos os cantos do País.” E o grupo foi crescendo. 

Para organizar todo o conhecimento compartilhado por lá, as sócias então desenvolveram a plataforma gratuita Maneje Bem, que já recebeu mais de 490 mil visitantes. “Acreditamos que a comunicação rural é a chave para impulsionar a agricultura sustentável e o desenvolvimento humano nas comunidades rurais”, afirma Mendes. 

A empresa também oferece um serviço de auxílio no desenvolvimento dessas comunidades junto a grandes compradores de matéria-prima agrícola. “Queremos melhorar a qualidade de vida dessas pessoas que são responsáveis por mais de 70% dos alimentos que chegam até a nossa mesa todos os dias”, ela conclui.

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Estudo mapeia oportunidades para negócios socioambientais em 7 setores

Levantamento ‘Onda Verde’ rastreia demandas da bioeconomia e mostra potencial em sete setores a partir de 29 exemplos de negócios; pouca oferta e alta procura faz País perder dinheiro, diz especialista

Bianca Zanatta, Especial para o Estadão

31 de março de 2021 | 05h01

Mudanças climáticas, desmatamento e degradação das florestas, ocupação territorial desordenada e insuficiência de saneamento básico são hoje os principais desafios socioambientais que o Brasil enfrenta. Na mesma proporção, são inúmeras as oportunidades para empreender e investir em negócios que tenham impacto positivo. Para mapear iniciativas em sete setores-chave para a agenda ambiental brasileira, a plataforma de inovação multisetorial Climate Ventures e o think tank Pipe.Labo se debruçaram sobre o tema. 

Feito em parceria com a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto e com o apoio do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Humanize, Cargill e Fundo Vale, o estudo "A onda verde: oportunidades para empreender e investir com impacto ambiental positivo no Brasil" sintetiza 29 bons exemplos em sete segmentos: agropecuária; florestas e uso do solo; indústria; logística e mobilidade; energia e biocombustíveis; gestão de resíduos; e água e saneamento básico.

“De dois anos para cá, teve uma explosão da pauta ESG (sigla em inglês para aspectos ambiental, social e de governança) porque as lideranças das empresas estão entendendo que isso afeta diretamente a performance do negócio”, explica Daniel Contrucci, cofundador da Climate Ventures. “Mas precisa diferenciar ESG de impacto real”, continua. “Ambas as pautas precisam ser apoiadas e se desenvolver, mas nossa ideia é impulsionar negócios que já nascem com esse DNA de resolver e trazer impactos socioambientais positivos”.

O especialista lembra que surgiram novos fundos para fomentar essa economia, como o programa de aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), Althelia Biodiversity Fund Brazil e Amazon Fund, mas todos reclamam da falta de pipeline. “Eles querem opção de investimento em negócios de impacto ambiental e não tem oferta, no Brasil e na América Latina”, alerta.

Ou seja, estamos perdendo também dinheiro - e muito -, apesar de sermos o país com maior potencial no mundo para negócios da bioeconomia, segundo Contrucci. “É hora de despertar para que o Brasil venha focado em uma economia socioambiental nos próximos 20 anos. O setor privado está aí e vai direcionar onde quer colocar seu capital.”

Contrucci remete a um movimento que começou com o Acordo de Paris, há pouco mais de cinco anos, que deu o pontapé inicial para a migração de investimentos da economia tradicional para negócios com soluções sustentáveis - carbono zero, proteínas alternativas à carne bovina e uso de energias renováveis.

Ao mapear os desafios ambientais, o estudo Onda Verde joga luz sobre dezenas de oportunidades, tanto para empreendedores quanto para grandes empresas, investidores e governos, de se alinharem e lucrarem com essa agenda. Os 29 negócios levantados exemplificam dores a resolver e soluções inovadoras, como exemplificadas nesta reportagem.

Depois do estudo, a intenção é lançar um programa de impulsionamento para negócios que já existem, mas estão no “vale da morte”, de acordo com o especialista. “São empresas e marcas que, apesar de terem grande potencial, não conseguem acessar os fundos de investimentos ou o mercado consumidor.”

Resíduos domésticos

Práticas ecológicas já faziam parte do cotidiano de Ana Paula Silva e Claudio Spinola, casal fundador da Morada da Floresta, case de gestão de resíduos apontado pelo estudo que criou sistemas de compostagem residencial e empresarial no próprio local, evitando transporte e desperdício. 

Quando se conheceram, ele já fazia compostagem e coleta de água de chuva, enquanto ela era adepta do coletor menstrual. Veio a primeira filha e o casal optou por não usar fraldas descartáveis. Foi então que decidiram compartilhar com a sociedade as soluções ecológicas que eles mesmos praticavam. 

A Morada da Floresta possui marcas próprias para compostagem doméstica (composteira Humi), menstruação sustentável (Ecoabs) e produtos para a primeira infância (Bebês Ecológicos). 

“No caso da compostagem doméstica, começamos com o minhocário em caixas adaptadas e, em 2014, fizemos um projeto grande com a prefeitura de São Paulo, que deu muita visibilidade para o tema no Brasil”, conta Spinola. “Foi quando juntei a minha formação em artes plásticas com a prática da compostagem”, aponta. 

A composteira Humi foi lançada em 2017 e ganhou medalha de prata no Brazil Design Award, principal prêmio de design do País. 

Paralelamente às linhas de produtos domésticos, eles também trabalham o B2B, desenvolvendo projetos de compostagem e educação ambiental para empresas, escolas, condomínios, indústrias e em parceria com prefeituras. 

“Todas as nossas marcas têm foco na redução de resíduos”, complementa Ana Paula, citando a parceria com a culinarista e apresentadora Bela Gil, com quem desenvolveram a fralda ecológica reutilizável. “Calculamos que, desde a fundação da Morada da Floresta, em 2009, até a conclusão de 2020, as vendas de fraldas ecológicas contribuíram para reduzir mais de 10,5 milhões de fraldas descartáveis que iriam para os aterros sanitários”, ela afirma.

Como ter certificação sustentável

Apoiar pequenas e médias empresas alinhadas com a pauta ESG sempre foi o propósito da Openbox.ai, fintech de antecipação de recebíveis que oferece taxas menores a pequenos negócios com práticas sustentáveis. “Não existia nenhum projeto nesse sentido, então nós mesmos desenhamos para criar a aderência da turma”, explica o CEO Maurício Rodrigues.

Além de lançar o portal PME Sustentável, que serve de balizador do mercado, a empresa passou a oferecer a Certificação de Índice de Ações Sustentáveis (IAS) em parceria com a Ecocert. “Dependendo do nível atingido, um cálculo vai diminuindo a taxa de antecipação de crédito, podendo chegar até 1,9%”, diz o CEO. 

Gratuita e online, a ferramenta avalia os negócios por meio de um questionário que usa 48 critérios para mensurar o nível de desenvolvimento sustentável dentro de cinco grandes grupos: ambiental, social, proteção ao consumidor, solidariedade econômica e comprometimento da empresa. 

A certificação pode ser obtida também por negócios que não usam o crédito Openbox e ajuda na qualificação na hora de conseguir crédito ou vender serviços. “O impacto disso é exponencial porque as grandes empresas podem apresentar a solução aos fornecedores e ter uma cadeia cada vez mais certificada. A sociedade ganha como um todo.”

29 EMPRESAS QUE SÃO EXEMPLO

  1. Agrotools
  2. Biofílica
  3. Boomera
  4. Café Apuí
  5. Conexus
  6. Eco Araguaia
  7. Eco Panplas
  8. EW
  9. Genecoin
  10. Green Mining
  11. Inocas
  12. Maneje bem
  13. Milênio Bus
  14. Mirova
  15. Molécoola
  16. Morada da floresta
  17. Mov
  18. Na'kau
  19. Pedivela
  20. PPA
  21. Print Green 3D
  22. Rizoma
  23. Safe Drinking Water for All
  24. Seringô
  25. Sun Mobi
  26. Sunew
  27. Wast2go
  28. Wier
  29. Yak

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