Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Sociedade é a saída para startup atrair os talentosos

Com poucos recursos, empreendedor precisa convencer o colaborador a acreditar no propósito do negócio desde o início

Estadão PME,

19 de novembro de 2014 | 07h10

O começo da startup é sempre assim: muita disposição e pouco dinheiro. Diante desse cenário complicado para a contratação de mão de obra, o desafio é justamente convencer o profissional a trabalhar nesse tipo de negócio. Uma das saídas usadas pelas empresas iniciantes é oferecer sociedade, mas é preciso ter cuidado para não diluir muito essas participações.

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A dificuldade de contratação por parte da startup existe, principalmente, porque ela não tem nenhuma reputação no mercado, segundo o professor de empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Newton Campos. A tarefa é um pouco mais fácil se quem está por trás é um profissional experiente e reconhecido no setor. Caso contrário, os jovens vão precisar se esforçar muito nessa seleção.

Para abreviar a busca, o caminho pode ser a oferta de um plano de opção de compra de ações, as chamadas stock options. “É uma ferramenta amplamente utilizada. O profissional sabe que talvez vai ganhar um pouco menos que o mercado, mas pelo menos tem esse sonho de que se tudo que eles colocarem de força estourar e se tornar algo grande, ele terá uma porcentagem”, diz.

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Além disso, existem os benefícios alternativos, como o horário flexível, por exemplo. Outro ponto que Campos chama atenção diz respeito ao desafio e propósito da empresa. “Uma das coisas que cativa muita gente é o sonho”, afirma.

Para Eduardo Bontempo, cofundador da Geekie, um dos fatores de atração da startup é justamente essa ‘missão’. “O profissional que temos poderia estar trabalhando em qualquer grande empresa, mas decidiu ficar para conseguir resolver um desafio e atingir o propósito de tentar melhorar a educação do País”, afirma.

O primeiro ano da empresa foi bancado com recursos dos fundadores, Bontempo e Claudio Sassaki, oriundos do mercado financeiro. Logo no início, eles conseguiram trazer para a empresa quatro jovens recém-formados que estavam entre os melhores alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Dos quatro, apenas um decidiu seguir a carreira acadêmica fora do Brasil e não está mais na startup.

“Na Geekie, se alguém vem pensando só em dinheiro provavelmente vai se frustrar muito rápido”, diz Bontempo. Dos 80 funcionários, cerca de 20% fazem parte do plano de stock options. Um deles é Caetano Siqueira. O economista começou na Geekie antes mesmo de se formar na Universidade de São Paulo (USP), em 2012. Hoje atua como gerente de projetos e faz parte da sociedade.

“Boa parte dos colegas de faculdade foi para o mercado financeiro e ganha muito dinheiro. Tomei uma decisão para fazer o que queria. Hoje tenho muito mais prazer de trabalhar pelo desafio, autonomia e pelos colegas do que pelo salário. A proposta de sociedade é mais interessante justamente por me colocar em um grupo seleto”, afirma Siqueira.

Propor uma sociedade também foi a saída encontrada por Jan Riehle para criar a Itaro. Há cerca de dois anos, ele resolveu criar um e-commerce de pneus e acessórios automotivos com recursos próprios e enfrentou o desafio de trazer sócios-diretores. “Eles têm salários altos e quando a startup não tem um fundo por trás não consegue pagar esse tipo de salário. O negócio é oferecer uma parte da fantasia do empreendedor”, diz.

Hoje, com 35 funcionários, Riehle não tem um programa de ações. Ele prefere chamar de decisão ‘caso a caso’. “A sociedade sempre é aberta. Se tem uma pessoa que é estratégica e importante no longo prazo, abrimos mão e deixamos entrar (nessa sociedade).”

Depois da contratação, ainda existe o desafio de retenção. As ferramentas mais usadas nesse caso passam por plano de carreira, benefícios e um ambiente agradável. Mas se o negócio estiver ‘patinando’, o professor da FGV afirma que as startups costumam ‘pivotar’, ou seja, reinventar o projeto. “É preciso reconstruir outro sonho. O empreendedor precisa falar: tentamos, não deu certo. Vamos mudar de direção e quem quiser vem com a gente.” 

:: Propósito do negócio ajuda a convencer ::

Empreendedor deve levar o profissional a ‘sonhar’ junto e acreditar que sua participação na empresa é essencial para a startup dar certo no mercado

Começo

O objetivo do empreendedor e o propósito da empresa são fatores importantes na hora de convencer o profissional a trabalhar na startup.

Vivência

O empreendedor reconhecido no setor pode levar vantagem na hora de contratar funcionários. É uma forma do jovem atuar como aprendiz.

Participação

É comum as startups oferecerem participação na sociedade logo no início ou um plano de ações a partir do desempenho do funcionário.

Retenção

Horário flexível, ambiente descontraído e conciliação do trabalho com o estudo podem ajudar a convencer o funcionário a continuar na empresa.

Mudança

Se o negócio não está dando certo, o empreendedor precisa mudar e tentar novamente convencer os profissionais a acreditarem no sonho.

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