JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Smartphones ressuscitam oficinas de celulares

Com foco no consumidor ou em grandes lotes do varejo, assistências técnicas já faturam R$ 6 milhões e vislumbram expansão

Renato Jakitas, Estadão PME,

28 de março de 2013 | 07h45

 Pense duas vezes antes de sacramentar a extinção de um serviço. Mesmo que ele tenha relações diretas com a tecnologia, ramo acostumado a tornar ultrapassado um empreendimento de sucesso sem qualquer remorso.

A aposentadoria parecia ser o destino das oficinas de reparo para celulares. Ao longo do tempo, os aparelhos ficaram baratos, as peças de reposição caras e a assistência técnica quase inviável. Mas o tempo passou, os modelos se sofisticaram, o preço voltou a subir e as operadoras começaram a subsidiar parte desse custo ao consumidor em troca de contratos de fidelidade. Como resultado disso tudo, já tem pequeno empresário, novamente, faturando com o negócio de manutenção de smartphones.

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Se o cenário fosse diferente, aliás, o paulista Sérgio Crasso certamente não estaria tão satisfeito com os resultados de sua empresa. Ele é dono da Celular Solution, loja especializada em venda de acessórios e manutenção de smartphones e tablets que funciona no Shopping Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.

“A procura tem crescido muito. No total, a gente faz uns 7 mil reparos por mês”, conta Sérgio, que tem nos equipamentos das marcas LG, Samsung e Apple o grosso da demanda.

“Chegamos a atender 300 clientes por dia”, conta o empresário, que fatura R$ 4 milhões por ano. Mas Sérgio ingressou na área muito tempo antes do surgimento dos smartphones. “A empresa foi fundada pelo meu sogro na década de 80, quando fazíamos manutenção de telefones sem fio e centrais de PABX. Depois, com a chegada dos celulares em 1992, 1993, chegamos a ter 18 franquias”, lembra.

Sérgio Crasso precisou encolher para se adequar aos anos de ostracismo do setor, período que, embora superado, deixou marcas. “Agora temos somente uma loja. E mesmo com o crescimento da procura, só penso em expandir pela internet. Não quero abrir outra loja nunca mais”, afirma o empreendedor.

Na cidade de Jaguariúna, Thamer Alin, sócio da Carway, é outro animado com a atual tendência do consumidor de buscar no passado um serviço para atender as carências do presente. Sua empresa recondiciona celulares que por dificuldades de adaptação, ou defeitos de fabricação, são devolvidos pelos clientes ao varejo após sete dias da compra ou da entrega do produto – prática respaldada pelo Código de Defesa do Consumidor.

Thamer tem entre clientes desde lojas virtuais até grandes redes, como as Casas Bahia e o Magazine Luiza. “Iniciamos essa atividade para atender grandes lotes dentro desse nicho. Muitas vezes o cliente compra o telefone, descobre que não era aquilo que ele estava esperando e, dentro dos sete dias previstos em lei, ele devolve”, explica o empresário, que mantém atualmente 60 clientes no varejo e fatura, associado a contratos de assistência com Motorola e Samsung, R$ 6 milhões ao ano. “Nossa previsão é crescer até 35% em 2013.”

Os resultados obtidos pelos dois empresários, segundo Almir Meira Alves, coordenador dos cursos de engenharia da computação e de produção 2.0 da Fiap, não surpreendem. “Há uma janela interessante para quem conhece o setor. O smartphone é o equipamento de maior valor agregado que a pessoa porta todos os dias. Pode ser mais fácil fazer a manutenção do que comprar um produto novo.”

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