Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Skate vira negócio na mão de praticantes

Estimativa da CBSk é de um mercado de R$ 500 milhões ao ano com alta constante no número de praticantes do esporte

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

30 de agosto de 2012 | 08h06

A prática de esporte na infância como brincadeira, o aperfeiçoamento das manobras na adolescência e o sucesso nos negócios na fase adulta. Este é o caminho trilhado por muitos empreendedores que atuam no segmento de skate no Brasil. Os empresários desse setor também têm um perfil semelhante: boa parte deles transformou a forte ligação emocional com as pranchas deslizantes e o prazer pelo esporte em uma forma de ganhar dinheiro.

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Com conhecimento no assunto, eles ajudam a movimentar um mercado de R$ 500 milhões ao ano, segundo estimativa da Confederação Brasileira de Skate (CBSk). “Todas as empresas de sucesso têm um skatista na direção ou na gerência de alguma área. Os aventureiros não deram certo pela dificuldade do mercado concorrido com um público consumidor bem informado”, destaca o vice-presidente da confederação, Edson Scander, 45 anos.

O empresário George Rotatori, 47 anos, é um empreendedor fascinado pelo skate. Em 1984, antes mesmo de entrar na Faculdade de Arquitetura, ele construiu uma mini rampa no quintal de casa para fazer algumas manobras. “Foi por impulso, uma primeira manifestação que futuramente teria uma importância grande para o conceito da empresa”, lembra.

Depois de competir profissionalmente e terminar a graduação, Rotatori abriu uma empresa para montar, projetar, construir, vender e alugar pistas. O negócio, batizado com o seu sobrenome, alcançou boa saúde financeira e registrou faturamento de R$ 600 mil em 2011. O empresário também é responsável pela montagem da MegaRampa no Brasil, estrutura com 110 metros de extensão e plataforma de descida de 27 metros de altura. “Não tenho vergonha de falar que não tenho coragem de andar nela”, revela.

Para os empresários dispostos a entrar no mercado, Rotatori alerta para o cuidado de não confundir crescimento com inchaço, principalmente com desperdício na contratação de pessoal e aquisição de máquinas e ferramentas.

O skatista Rafael Narciso, 32 anos, também prospera na área. Depois de criar a marca de roupas Latex, que durou quatro anos, ele lançou uma nova marca de tênis em agosto de 2008, a Öus. “A produção nacional era considerada de segunda linha e queríamos mudar essa imagem”, diz Narciso, que competiu profissionalmente até os 19 anos.

A preocupação de criar modelos para atender às necessidades dos praticantes fez com que a marca convidasse skatistas profissionais para ajudar no desenvolvimento da linha de produtos. Os modelos especiais são projetados com o objetivo de unir conforto e resistência. As palmilhas têm alto poder de absorção e não deformam. O forro do tecido é feito de material de banco de automóvel – projetado para ser duradouro e não criar mau cheiro.

Os calçados estão à venda em 60 cidades do Brasil, na internet e também são exportados para Noruega e Chile. Só em 2011, a empresa faturou R$ 4 milhões. “O skate tem uma comunidade grande, formada por pessoas com forte ligação com a cultura de rua. Tentamos levar isso para nossa marca”, relata Narciso, que abriu a empresa junto com o irmão Bruno.

Peças

A história de empreendedorismo de Sergio Bellinetti, 47 anos, começou diante da necessidade de fazer bons equipamentos para praticar o esporte. “Quase não tinha indústria. Então, fazíamos um 'cemitério' de peças e montávamos nossos equipamentos”, conta. A prática se profissionalizou em 1985, quando ele fundou a Vertex para fabricar eixos do skate.

A sociedade durou quatro anos e Bellinetti resolveu abrir outra empresa sozinho. “Abri a Crail 15 dias depois do Plano Collor. Trabalhava sozinho no fundo da casa do meu pai. Foi nessa crise total que nasceu a empresa”, relata.

Durante três anos, o empresário fez dupla jornada. De dia, trabalhava na área de vendas de uma empresa de telecomunicações e à noite se dedicava à Crail. Quando teve a oportunidade de assumir um cargo de gerência, resolveu escolher o que mais gostava: o skate. “Sempre fui um skatista mediano, mas sempre apaixonado. O skate mexe com a sua emoção, socializa, dá a sensação de liberdade, é um integrador”, opina.

Hoje, a empresa tem 30 funcionários e três marcas próprias: Crail (eixos de skate), Agacê (shapes importados) e Moog (amortecedores), além de atuar como distribuidora de produtos licenciados.

“Brasileiro é muito seduzido por tudo o que é estrangeiro. Para brigar com as grifes de fora, tenho a meu favor a história da marca, foco no produto e na qualidade e a capacitação dos funcionários”, diz Bellinetti.

:: Para acertar ::

Especialista

A empresa deve ter um skatista ou ex-praticante na operação. O profissional ajuda a entender as características do mercado.

Divulgação

Patrocine atletas e eventos. A prática ajuda na divulgação da marca e a empresa tende a ficar melhor posicionada no mercado.

Transparência

Skatista é um consumidor exigente e informado. Ele sabe o valor dos produtos estrangeiros e faz comparações.

Atendimento

Os praticantes querem ser atendidos por profissionais que entendam do assunto e dos produtos. Treinar funcionários é essencial.

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