Tiago Silva/Estadão
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Setor de pesca ainda convive com problemas

Números revelam que Brasil ainda tem um longo caminho até consolidar-se como um mercado importante de pescados

Renato Jakitas, Estadão PME,

29 de janeiro de 2014 | 06h04

Os números revelam que o Brasil ainda tem um longo caminho até consolidar-se como um mercado importante de pescados no mundo. Mas se há um consenso entre empresários e especialistas é o de que, seja lá como for, o oceano não deve se configurar como alavanca do desenvolvimento.

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Apesar do aprimoramento de polos importantes de pesca extrativa no mar, sobretudo em Itajaí (Santa Catarina), o Brasil tem andado de lado na especialidade. Em São Paulo, por exemplo, os altos custos da pesca marítima em comparação a outras regiões, principalmente na Ásia, associados à descoberta do pré-sal e a consequente fuga de mão de obra para a atividade offshore, tem sacramentado o fim de muitas empresas tradicionais no segmento.

Wagner Simões, por exemplo, herdou do pai um negócio de pesca no litoral paulista, em Santos. Mas já há algum tempo ele decidiu aposentar a atividade para se posicionar no meio da cadeia produtiva. Hoje ele tem uma empresa que beneficia o pescado, transformando em postas e filés o peixe para distribuidores e revendedores. “Tenho uma empresa de R$ 10 milhões ao ano, com 43 funcionários. É muito mais rentável do que ir atrás de peixe, com os custos que isso envolve”, afirma o empresário.

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Outro que seguiu pelo mesmo caminho é Roberto Imai, que coordena o Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura da Fiesp (Compesca). “Tenho três embarcações que estão paradas, não compensa. Hoje eu trago atum do Nordeste, do Rio de Janeiro, de outras localidades. Nós trazemos para a distribuição local e vivemos assim”, afirma Imai, que chegou a faturar R$ 10 milhões por ano e, atualmente, diz conseguir 10% desse montante.

Dificuldades. Para João Donato Scorvo Filho, pesquisador do Instituto da Pesca (IP), além da dificuldade em competir com os chineses e tauaenses (o filé chega ao Brasil praticamente ao custo local da pesca), o País sofre com um litoral relativamente pobre. “Existem alguns grandes cardumes, mas estão distantes. Também não temos tecnologia necessária. Isso explica porque não conseguimos passar, por ano, de 800 mil toneladas, 1,1 milhão de toneladas.”

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