Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Setor de franquias volta a crescer no primeiro trimestre; ABF vê resultado com cautela

Crescimento de 9,4% foi puxado por setores de hotelaria e saúde; expectativa é retomar ritmo pré-crise em 2018

Guilherme Mendes, especial para o Estadão, O Estado de S. Paulo

10 de maio de 2017 | 17h47

Após uma série de quedas, o faturamento do setor de franquias no Brasil voltou a respirar. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) constatou crescimento nominal de 9,4% da receita total no 1º trimestre de 2017 em comparação com o mesmo período em 2016  - o faturamento do setor foi de R$ 36,89 bilhões, contra R$ 33,71 bilhões no ano passado. O crescimento nominal não leva em consideração a inflação acumulada no período, que foi de 1,1%.

A retomada se deu em praticamente todos os segmentos analisados, com destaque para o ramo de hotelaria, que teve faturamento de R$ 2,586 bilhões - aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor de serviços, mesmo com queda de 4% no número de unidades, aumentou seu faturamento em 9% (R$ 5,213 bilhões).

Empresas de saúde e beleza (17%), limpeza e conservação (16%) e alimentação (6%) também contibuiram para o resultado positivo. O setor de franchising emprega hoje 1,189 milhão de pessoas, número 0,22% menor que há doze meses.

"Todas as marcas fizeram a lição de casa", constata o presidente da associação, Altino Cristofoleti Jr. A pesquisa ainda apresentou modalidades de negócio pouco alteradas: lojas mantém a hegemonia do setor, com 89,6% das unidades franqueadas do País, enquanto quiosques representam 6,7%. As vendas presenciais prevalecem com 75,1%, enquanto o e-commerce fica com 1,7% das operações. A rua é o local escolhido por 65,9% das unidades, seguido por shopping centers (23%), home office (5,3%) e supermercados (3,6%). Endereços físicos ainda dominam o cenário, com 90% do total.

Apesar dos resultados positivos, a ABF enxerga os resultados com cautela. "A recuperação vai existir, mas num ritmo muito lento", analisou o presidente, que completou: "devemos ter uma retomada mais forte em 2018". De acordo com Vanessa Bretas, gerente de inteligência de mercado da instituição, a retomada do crescimento e da confiança do consumidor na economia farão com que o setor possa "recuperar o ritmo pré-crise".

Tendência. Segundo Altino, a expectativa é de que os empreendedores tenham mais de uma unidade, a chamada "multifranquia". Hoje, 74,5% das redes alegaram ter multifranqueados entre suas operações - em 2016, o índice era de 68,5%.

Entre as empresas que possui multifranqueados, 23% dos empreendedores possuem mais de uma licença, controlando 37% do total de franquias. O número de empresas que proíbem esta prática também caiu consideravelmente nos últimos 12 meses, passando de 1,4% para 0,3%.

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