Claudio Gatti
Claudio Gatti

Setor de franquias recupera crescimento do período pré-pandemia

Turismo, alimentação e beleza puxam alta do franchising, segundo pesquisa do terceiro trimestre; redes seguem em expansão de unidades e faturamento

Bianca Zanatta, Especial para o Estadão

29 de novembro de 2021 | 05h00

O mercado de franquias manteve no terceiro trimestre de 2021 a trajetória de recuperação registrada nos trimestres anteriores, agora de forma mais estável e até superando o desempenho do mesmo período de 2019. É o que mostra a Pesquisa Trimestral de Desempenho do Setor realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a AGP. Segundo o estudo, o faturamento caiu de R$ 47,2 bilhões para R$ 43,9 bilhões na comparação entre o 3º trimestre de 2019 e o de 2020, mas chegou a R$ 47,3 bilhões em 2021 – um crescimento de 0,4% em relação ao mesmo período pré-crise. 

No acumulado dos últimos 12 meses, a pesquisa mostra ainda que o setor de franquias apresentou uma variação positiva de 8,4% em sua receita em relação a 2020, avançando de R$ 168,1 bilhões para R$ 182,3 bilhões e já próximo dos R$ 182,6 bilhões registrados em 2019.

Entre os segmentos que mais cresceram, o de turismo e hotelaria ganha destaque, com uma recuperação de 53,1% no último trimestre, impulsionada principalmente pela retomada das viagens. Na sequência vêm as franquias de casa e construção (10,8%), saúde, beleza e bem-estar (9,1%), alimentação (7,9%) e moda (7,25%). Dado o desempenho, a ABF revisou suas projeções para o fechamento do ano e vê crescimentos de 9% no faturamento geral e de 4% no número de redes em 2021 (em janeiro essas projeções eram, respectivamente, de 8% e 2%). 

De acordo com André Friedheim, presidente da associação, o ajuste das perspectivas é puxado por um quadro otimista para o quarto trimestre, com Black Friday, Natal e a demanda reprimida que vem à tona com a gradual liberação das restrições relativas à covid-19 e o avanço da vacinação.

A rede de franquias de viagens Clube Turismo, com 18 anos de mercado, viu seu faturamento crescer 57% de janeiro a setembro de 2021 em relação ao mesmo período de 2020. Comparado a 2019, houve uma queda de 21%, mas a recuperação é promissora, diz a empresa. O crescimento estimado em número de unidades até o final do ano é de 20% e já supera em 27% a quantidade de unidades que foram abertas no ano que antecedeu a pandemia. 

Hoje são 560 franquias espalhadas pelo Brasil, distribuídas em quatro modelos: home office (para pessoas físicas), home office prime (pessoas jurídicas), loja física e master, em que franqueados que já possuem loja há mais de dois anos têm o direito de expandir a rede em sua região de atuação.

“O nosso setor foi fortemente impactado e avalio que conseguimos crescer diante da crise devido a diversas ações adotadas”, analisa Ana Virgínia Falcão, CEO e fundadora da Clube Turismo, contando que a empresa investiu na capacitação dos franqueados por meio de sua universidade corporativa e na formatação de novos produtos, como o Credviagem – crédito flexível que é resgatado apenas no momento de efetivar a emissão dos serviços. 

“Esse produto foi criado por percebermos que o desejo de viagem permanecia intenso, mas muitos clientes tinham receio de comprar a viagem e não poder viajar”, explica a executiva, que também apostou primeiro nos destinos nacionais para a retomada. “Apesar de ainda não estarmos com 100% de nossa capacidade, alcançamos no 3º trimestre resultados superiores àqueles de 2019. O desejo de as pessoas viajarem permanece intenso e nesse momento já nos deparamos com voos cheios, hotéis cheios.”

Sabores em alta

No ramo de alimentação, as franquias continuam voando alto, mas agora não só graças à difusão do delivery, que salvou o setor na pandemia. Fundada em 2012, a Biscoitê, especializada em biscoitos finos, entrou em 2016 para o mercado de franquias com os modelos de carrinho, loja ou quiosque com café. De 2020 para 2021, em plena pandemia, a rede saltou de 22 lojas e R$ 9,5 milhões de faturamento para 35 unidades e a previsão de fechar o ano faturando R$ 40 milhões. 

Segundo Raul Matos, CEO e fundador da marca, com a rápida expansão a perspectiva para 2022 é chegar a 60 lojas espalhadas por todo o território nacional e faturar na casa dos R$ 70 milhões.

Já a Cacau Noir, que faz chocolate brasileiro e tem 19 lojas entre São Paulo e Rio de Janeiro, decidiu recentemente colocar em prática o modelo de franquias. Entre novembro e dezembro, serão inauguradas duas unidades franqueadas em Cuiabá e, em janeiro, uma terceira em Curitiba. 

De acordo com a sócia Carolina Neugebauer, quinta geração de família inserida no mercado de chocolates no País, a ideia é democratizar o acesso ao chocolate brasileiro de qualidade e atingir pontos mais populares, com a abertura de 60 lojas a partir de 2022, chegando a 200 até 2024, em âmbito nacional. “Também já existe um projeto em andamento para exportarmos a marca para os Estados Unidos.”

Outra para quem a pandemia não só não atrapalhou como acelerou os planos de expansão foi a Mineiro Delivery. Se em 2020 a rede já tinha crescido 50%, até outubro de 2021 foram inauguradas 22 unidades e o faturamento geral foi 42% maior no 3º trimestre de 2021 se comparado ao mesmo período do ano anterior.

Hoje são mais de 90 unidades distribuídas pelo País e haverá o lançamento de uma marca secundária chamada Mineiro Massas, previsto para dezembro. Nessa toada, a projeção é de um aumento de 30% a 50% no faturamento das unidades franqueadas.

  • Quer debater assuntos de Carreira e Empreendedorismo? Entre para o nosso grupo no Telegram pelo link ou digite @gruposuacarreira na barra de pesquisa do aplicativo

No segmento de saúde, beleza e bem-estar, redes como a Yes! Cosmetics, SPA Express e Face Doctor estão surfando com a alta na procura. A Yes!, que tem uma linha de produtos veganos assinada pela apresentadora Sabrina Sato, já acumula mais de 100 unidades, registrando aumento de 25% no número de franqueados e 40% no faturamento do ano passado para cá. A expectativa é que 2022 seja ainda mais lucrativo, com aumento de 84% no faturamento da rede e mais 34 lojas abertas.

No caso da SPA Express, que aposta no modelo de microfranquia home based para atendimento em domicílio, já são mais de 40 operações vendidas, saltando de um faturamento de R$ 3,2 milhões em 2020 para R$ 4,5 milhões neste ano. 

A Face Doctor, por sua vez, entrou para o franchising em plena pandemia, com seus serviços de harmonização facial e depilação a laser. Na estreia, o faturamento foi de R$ 1,5 milhão e agora a previsão é crescer 10 vezes e alcançar R$ 15 milhões até dezembro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.