Microgen/Getty Images
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Serviços são aposta de sucesso

Para consumidor ou empresa, aplicativos seguem crescendo

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2017 | 05h00

Estar cego às tendências da tecnologia é como tentar ser empreendedor sem entender o mercado em que se está apostando. Novas formas de realidade aumentada e aplicativos que facilitam a prospecção de solução para pequenos e médios empresários são opções para quem pretende entrar 2018 empreendendo. Edgard Barkin, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGVcenn), aposta que a área de serviços estará em alta: “Em momentos de instabilidade, os setores mais básicos são os menos afetados. Empreendimentos tecnológicos ligados à saúde e educação têm uma oportunidade de crescimento, dada a demanda da população por melhores serviços nessas áreas”.

É a mesma aposta do economista e atual sócio-diretor da TBI Seguros Bruno Autran, que crê na demanda por aplicativos e serviços nessa área, devido à carência da saúde pública. O economista que virou empresário cita desde aplicativos de meditação a serviços na internet que ligam pacientes a médicos. Empresas como o Dr. Consulta, automatizada via internet e um facilitador da marcação de consultas, são exemplos citados. “Tenho acompanhado o mercado das startups de tecnologia desse segmento e percebo que está bem aquecido. O brasileiro tem mudado seu comportamento e está, cada vez mais, investindo em prevenção. Vejo uma grande oportunidade no setor.”

Leticia Menegon, coordenadora do Centro de Desenvolvimento de Empreendedorismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que a tecnologia inteligente e a realidade aumentada são tendências que vieram para ficar. E dá dois exemplos de aplicativos. Um registra quando você tira um produto da geladeira. Ele já é anotado como consumido e entra em uma lista de supermercado, que pode ser repassada para o estabelecimento. Outra tendência que vem com força é a realidade aumentada. Leticia cita o exemplo da Macy’s, loja de departamento americana. “A Macy’s desenvolveu um aplicativo em que você escolhe os produtos na prateleira como se estivesse na loja física, por meio de realidade virtual. Você passeia pela loja, compra eletronicamente sem sair de casa. Assim, você tende a atingir aquele mercado ainda resistente à tecnologia por não querer deixar de ir à loja. Por outro lado, oferece essa experiência para quem já tem a pegada tecnológica.”

Soluções alinhadas com o combate à corrupção e que conferem mais transparência às empresas tendem a ganhar espaço, segundo Rafael Coelho, conselheiro do Centro de Empreendedorismo (Cemp) do Insper. “Com tudo o que passamos, há um espaço para o setor de compliance: criar tecnologias anticorrupção que, pelo menos, indiquem para as empresas que uma área pode ter problemas”, explica. “Nesse sentido, duas palavras estão bastante em voga no último ano: inteligência artificial. Mas ela não é um fim, é um meio. Relacionando isso com o compliance, está aí uma boa forma de conseguir gerar bons resultados. Você pode usar a inteligência artificial para analisar dados contábeis, por exemplo. Na minha opinião, é algo que deve estar em alta.”

O especialista aposta ainda em tecnologias ligadas ao agronegócio, as chamadas AgroTechs. “Temos pouca tecnologia neste setor”, diz. “Há boas oportunidades, até porque está difícil expandir a fronteira desse negócio no Brasil. O crescimento vai se dar não pelo tamanho da área, a longo prazo, mas pela produtividade. O foco desses aplicativos pode ser o de criar tecnologias que façam o campo ficar mais rentável.

Fintech ajuda pequenos

As fintechs, empresas que investem na inovação tecnológica para prestar serviços financeiros, podem ser a solução para pequenos e médios empreendedores em busca de crédito em 2018 – nos bancos, ele costuma ser mais difícil. Entre outros serviços, essas startups podem mediar investimentos para empresas de terceiros. “É o ano da fintech”, diz o professor Gilberto Sarfati, do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGVcenn). “Pequenos empreendedores devem estar atentos. Há grande chance de mais eficiência em serviços financeiros com taxa de juros menor.”

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