The New York Times
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Serviço promete abrir a caixa preta das finanças de empresas como Uber, Snapchat e Airbnb

Lançada em São Francisco, a Equidate quer criar banco de dados sobre as companhias e facilitar a vida dos investidores

O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2016 | 12h29

Empresas privadas como Uber, Airbnb e Snapchat não são legalmente obrigadas a compartilhar suas informações financeiras, como o quanto vale o negócio ou o número de ações mantidas pelos investidores. Para quem quer investir, essa falta de transparência pode ser perigosa.

Reportagem publicada pelo The New York Times aponta uma novidade nos Estados Unidos, que pode alterar essa realidade. A empresa Equidate agora planeja desvendar algumas dessas informações. Baseada em São Francisco, a companhia quer fazer um banco de dados público sobre as companhias privadas, incluindo arquivos com os preços que os investidores pagaram para as empresas. A Equidate também planeja lançar ferramentas para que os acionistas possam caclular o valor de suas ações.

A falta de transparência das empresas privadas vem mantendo o mercado de ações de startups pequeno. Aproximadamente US$ 750 milhões em ações estão listados para venda, no levantamento da Equidate - numa comparação, o total do mercado de ações nos Estados Unidos é de US$ 3 trilhões.  Além da Equidate, algumas starups estão trabalhando para aumentar a transparência, como a eShares, que permite que empresas emitam e gerem eletronicamente suas ações.

Atualmente, as informações sobre as empresas privadas são fragmentadas ou difíceis de ser encontradas sem ter que pagar milhares de dólares a um serviço especializado. Com a Equidate, a expectativa é que os investidores possam facilmente ver o preço atual da ação e comparar com o valor que os investidores de risco e outras instituições pagaram no passado.

“Nos últimos anos, várias empresas ganharam dinheiro sem ter que compartilhar dados", disse ao New York Times Semil Shah, um investidor do fundo Haystack, uma firma de capital de risco. "As coisas agora têm oscilado em outra direção."

Embora a falta de divulgação possa ajudar os empresários - dando tempo para que eles construam um negócio sem um controle - e também os investidores de riscos - que podem negociar acordos mais favoráveis -, ela também pode aumentar os riscos, já que alguns compradores não compreendeem totalmente o que estão adquirindo.

Os reguladores também estão tendo um olhar mais cuidadoso sobre os mercados de negociação dessas ações. Em um discurso em março, a presidente da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos, Mary Jo White, disse que, no passado, esses mercados foram repletos de conflitos de interesse e fraudes.

 

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