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Será que a Bolsa de Valores é mesmo para os pequenos empresários?

Baixa adesão por parte dos empreendedores e a desvalorização das ações colocam programa em dúvida

Renato Camilo, especial para O Estadão de S.Paulo,

28 de agosto de 2014 | 07h00

Desde a criação do Bovespa Mais, em 2005, somente duas empresas abriram capital no segmento, dedicado às pequenas e médias. Juntas, elas captaram mais de R$ 80 milhões em investimentos para impulsionar os negócios, mas descobriram que a Bolsa não é um oásis de oportunidades a curto prazo. As mudanças na participação acionária levaram a novos modelos de gestão e o preço das ações sofreu forte queda.

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Especializada em serviços de tecnologia da informação para o mercado financeiro, a Senior Solution captou R$ 62,1 milhões na Bolsa, valor inferior aos R$ 69 milhões esperados pela empresa. Ainda assim, a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), feita em março de 2013, tem ajudado na estratégia de comprar companhias que ofereçam soluções complementares às da Senior Solution. Com o dinheiro, o negócio adquiriu a Drive, desenvolvedora de softwares do Rio de Janeiro.

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Desde que ingressou na Bolsa, a companhia apresenta bons resultados. No segundo trimestre de 2014, o lucro líquido somou R$ 3,6 milhões, 98% a mais em relação ao valor registrado em igual período do ano passado. As receitas também cresceram 51,8% ante 2013, somando R$ 17,7 milhões.

Apesar do resultado favorável, optar pelo IPO não foi uma escolha livre de sustos. Durante o primeiro dia de negociações, os papéis da empresa atingiram desvalorização máxima de 19,8%, embora tenham fechado o pregão com queda de 3,74%. Cotados a R$ 11,50, as ações hoje são comercializadas por cerca de R$ 9. Para o diretor-presidente e cofundador da Senior Solution, Bernardo Gomes, essa oscilação está mais ligada às condições do mercado, não à empresa em si. “Apresentamos lucro trimestre a trimestre, mas temos consciência de que nossa estratégia (de valorização) é de longo prazo”, justifica Gomes.

No processo de abertura de capital, o modelo de gestão da empresa foi democratizado. Hoje, dos três sócios-fundadores, apenas um tem vaga no conselho de administração da Senior Solution, presidido por um representante da Fmiee Stratus, fundo de private equity que investe na companhia desde 2005. As ações negociadas na Bolsa também são ordinárias, ou seja, dão direito de voto ao portador nas assembleias.

A produtora de fertilizantes Nutriplant inaugurou o Bovespa Mais em fevereiro de 2008 e só emitiu ações ordinárias, mas optou por um modelo de gestão de maior controle. “Acreditamos que o olho do dono é o que engorda o boi”, afirma Ricardo Pansa, presidente da companhia. O empresário também é integrante do conselho de administração, composto por outros dois familiares e dois membros independentes. A família Pansa é dona da holding Tripto Participações, que detém mais de 79% das ações da companhia.

A Nutriplant decidiu fazer o IPO para aumentar o capital de giro e manter o índice de crescimento que foi de 30% entre 2003 e 2007. A companhia levantou R$ 20,7 milhões e destinou parte do valor para o pagamento de dívidas antigas. O restante do dinheiro ainda não se traduziu em lucro. A Nutriplant viu sua receita líquida chegar a R$ 22,1 milhões no primeiro semestre de 2014, alta de 17,6% ante igual período de 2013, mas ainda assim registrou prejuízo de R$ 1,1 milhão.

A oscilação no preço de commodities como o cobre e o manganês, usados nos fertilizantes, afetou os resultados. Além disso, estimados inicialmente entre R$ 14 e R$ 18 antes do IPO, os papéis da companhia sofreram queda e hoje valem pouco mais de R$ 1,70. Pansa acredita em melhora a longo prazo e diz não pautar as decisões na cotação diária das ações.

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