Sem tribo, Galeria Ouro Fino luta para sobreviver na Rua Augusta

Espaço tem quase metade de sua capacidade ociosa; eventos e aproximação com marcas é a aposta para revitalização

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2016 | 05h00

Há cinquenta anos na Augusta, quase na esquina com a Oscar Freire, a Galeria Ouro Fino já foi nos anos 70 o centro de compras das bailarinas, se transformou em ponto de encontro dos descolados dos anos 80 e ganhou fama de espaço para estilistas e 'clubers' nos anos 90. Hoje, no entanto, a Ouro Fino não tem uma tribo definida, e talvez por isso lute para sobreviver em uma das regiões mais valorizadas da cidade.

Aplacado pela crise do comércio que atingiu em cheio os lojistas dos Jardins, a verdade é que há pelo menos oito anos a Ouro Fino tenta recuperar a fama das décadas anteriores. Com espaço para 96 lojas, quase a metade do espaço está ocioso, considerando um terceiro piso completamente vazio. O fluxo de clientes, que nos anos anteriores girava entre 600 pessoas durante a semana, e 1,1 mil aos finais de semana, hoje está reduzido pela metade. Mesmo nos andares principais, como o piso térreo, é possível encontrar luzes queimadas e uma escada rolante quebrada há pelo menos três meses.

Nos corredores da galeria, os lojistas reclamam. "Estou aqui há 30 anos e nunca vi essa galeria tão vazia", conta Marco Antônio dos Santos, da Joalheria Europa. "Essa crise piorou muito as coisas", diz Zizi Serrano, da loja de roupas Vida Bandida. "Há dez anos eu fazia R$ 45 mil por mês com minha lojas. Hoje eu preciso me esforçar muito para fazer R$ 15 mil", diz Zizi, que há 1 ano e meio deixou o posto de síndica da galeria. "Fiquei quatro anos como síndica, e tudo o que eu queria era reunir todos os proprietários e aprovar algumas mudanças, como pode ficar aberto depois das 20h e abrir aos domingos. Mas eu não consegui", conta. 

O atual síndico, Alessandro Gobbi, aposta na parceria com marcas e na promoção de eventos culinários e de arte para recuperar o sucesso antigo. Entre abril e junho deste ano, ele fechou um acordo com a Heineken para a promoção de sua marca de cerveja Desperados, voltada aos consumidor jovens. O espaço foi rebatizado de Galeria Desperada, projetada para servir tanto como galeria de arte temporária quanto para espaço de festas. No ano passado, Gobbi promoveu um festival de food Trucks e de doces. "Agora queremos fazer um desfile de moda aqui dentro", diz. "Este é um espaço excelente, eu não tenho dúvidas que vamos nos recuperar com a melhora da economia. Aqui é seguro, um aluguel honesto e muito bem localizado", conta.

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