Sem pé no freio, rede busca inovar

Antonio Carlos Nasraui, do Rei do Mate, afirma que a retração prejudica, mas não pode ser paralisante

Estadão PME,

27 de julho de 2015 | 06h57

Mesmo com formação em direito e economia, Antonio Carlos Nasraui escolheu dedicar-se ao comércio. Ele enxergou o potencial do negócio criado pelo pai Kalil e foi responsável pelo crescimento da rede Rei do Mate, hoje com mais de 340 lojas. 

Qual a sua avaliação sobre o cenário econômico?

Não lembro quando foi o último momento de vento muito a favor e aprendi a trabalhar na crise. Nesse momento, eu vejo algumas oportunidades, de custos de locação, que estão mais reais do que quando estávamos quase em situação de pleno emprego, com dificuldade de contratação, e de entrar em pontos novos por causa das altas despesas. 

A situação econômica está afetando de alguma forma a rede Rei do Mate?

Nós temos uma vantagem. Meu tíquete médio é em torno de R$ 10. Muita gente acabou migrando para um tíquete mais baixo e acabamos captando um público que quer gastar menos. Não que o cenário não afete. Afeta, mas não muito. Esse ano a gente vai continuar crescendo, abrindo entre 20 e 25 unidades. Hoje, mais do que um problema de cenário econômico, existe um desânimo muito grande, que afeta um pouco. Mas as lojas estão conseguindo manter o faturamento e a previsão é de um crescimento de 10%.

O que vocês estão fazendo para manter os negócios?

Não é porque estamos em um momento de crise que vamos colocar o pé no freio ou diminuir a linha de produtos. Pelo contrário, estamos lançando produtos, campanha nova. Enquanto todo mundo está com o pé no freio, queremos continuar inovando. É uma característica nossa. 

Como a inflação afeta o negócio de maneira geral?

Estamos tentando segurar para que os reajustes não batam nos dois dígitos. No mês passado, por exemplo, fizemos um reajuste de 8% e esperamos não ter que soltar outro este ano. Isso é consequência do que tivemos nos últimos anos e tivemos que assumir aumentos reais de energia, combustível e dólar. Eu sou da época em que os preços mudavam todos os dias. Quem não passou por isso não sabe a loucura que é. A gente está muito longe disso hoje em dia, mas mesmo assim é uma situação extremamente ruim de trabalhar.

Qual o conselho que você daria atualmente para quem pretende empreender?

Pesquisar bem se for para uma franquia, verificar histórico da franqueadora e investir com segurança. E principalmente (atuar) em uma coisa que goste de fazer. Trabalhar com o que gosta é fundamental.

:: Quem ele é ::

Atual diretor comercial e de marketing da Rede Rei do Mate. Formado em direito e economia, ele escolheu trabalhar com o comércio. “Eu nasci dentro das lojas do meu pai e desde moleque esse era meu divertimento”, disse o empresário

:: Raio X ::

Rede tem mais de 340 lojas em 84 municípios do Brasil.

Rede de franquias realiza mais de 20 milhões de atendimentos por ano. Por mês, são vendidos 8 milhões de pães de queijo e 1,7 milhão de copos de mate nas lojas instaladas em 17 estados. 

O investimento para abrir uma franquia da rede é de R$ 250 mil a R$ 350 mil, com retorno em 36 meses.

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