Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Sem glúten, mas com muita oportunidade

Pequenas e médias empresas crescem com a oferta de produtos para quem tem restrição alimentar

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

01 de junho de 2013 | 09h15

Nada de macarrão, pães, pizzas e bolos tradicionais. A dieta diária de quem não pode consumir glúten de jeito nenhum exige alternativas criativas por parte da pessoa com restrições. E a dificuldade do consumidor em encontrar esses alimentos especiais fez com que muitos pequenos negócios surgissem no País, justamente, para atender a essa demanda mais do que reprimida de mercado.

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O curioso é que os produtos sem glúten não despertam o interesse apenas de quem tem algum tipo de restrição. Os alimentos também são procurados por aqueles que optam por uma dieta funcional.

“Costumamos falar que o celíaco (a pessoa que não pode consumir glúten) tem duas datas de nascimento. O dia que nasce e o dia em que recebe o diagnóstico. O celíaco tem que aprender a viver e conviver com essa diferença porque ela se refletirá no convívio social”, afirma a presidente da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), Lucélia Costa.

De acordo com ela, a maioria das pequenas empresas que atuam no segmento é resultado do investimento de pessoas celíacas ou que têm familiares com a doença. E o segmento também desperta o interesse de grandes empresas. “O número de produtos sem glúten cresce acima de 30% ao ano”, afirma Lucélia. Em sua avaliação, o desafio das companhias do setor é aliar preço, qualidade e, principalmente, segurança.

O diretor da consultoria ECD, especializada em food service, Enzo Donna, destaca outro ponto importante: o prazer de comer. “Entre as cinco tendências na área de alimentação, a ligada à saúde e ao bem-estar é a que mais cresce. E o grande desafio da indústria é aliar isso ao prazer de consumir o alimento. É importante encontrar uma maneira para a comida ser atrativa, apetitosa”, avalia.

Esse é um dos desafios da padaria artesanal Diaita, de São Paulo, que busca a harmonia entre sabor, textura e aroma, sem deixar de lado a preocupação com a saúde. Além de pães, o local serve salgados e doces. A ligação da dentista Sofia Cattaccini, proprietária da empresa, com os alimentos sem glúten ou leite se iniciou quando ela precisou buscar alternativas para um de seus filhos.

“Comecei a estudar muitas coisas, como homeopatia, acupuntura, e acabei indo para esse lado da medicina natural. E sempre gostei de mexer na cozinha. Na padaria, temos a preocupação de tirar o glúten e colocar nutrientes”, conta Sofia. A concretização do projeto em empreendimento ocorreu em julho de 2011, com a inauguração da padaria. Sofia conta que investiu R$ 1,5 milhão.

“É muito legal, mas trabalhoso. Estamos em um momento de formatação do plano de negócios para verificarmos como a empresa pode crescer de maneira mais previsível”, conta Sofia, que recebe ofertas para abrir unidades em outros bairros da capital paulista e em outras cidades do Brasil.

A inspiração para o chef Zeca Baldarena criar a empresa Santo Dom surgiu da conversa com um cliente da cantina em que ele trabalhava. “Conheci um cliente que ia no restaurante italiano, mas não comia massa. Eu não entendia. Quando fui conversar com ele, descobri que ele era celíaco. A partir daí decidi que ia fazer massa sem glúten”, lembra o empreendedor. A ideia demorou quatro anos para sair do papel.

“Eu consegui achar um ponto que a massa fresca não desmancha e patenteei a receita”, garante o chef. A novidade deste ano será o lançamento de uma linha de pratos congelados, em parceria com o IPC Nutri, como filé à parmegiana e salmão com molho de maracujá.

Já a leguminosa alfarroba é apresentada pela Carob House como alternativa ao chocolate. O casal Carmine Giunti e Eloisa Helena Orlandi conheceu a alfarroba quando morou no Canadá. Inaugurada em 2003, em Curitiba, a empresa vende desde tablete até alfarroba com creme de avelã. Para 2013, o plano é concluir a primeira fase de ampliação da fábrica, que terá investimento de R$ 1,5 milhão. “Temos uma produção pioneira e exclusiva no Brasil. Em abril já superamos em 50% o que faturamos em todo o ano passado”, conta Eloisa.

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