Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sem água, inovação ganha espaço dentro de lava-rápido

Alternativas ao processo de lavagem, antes tidas como excêntricas, hoje chamam a atenção diante da crise hídrica de SP

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

11 de novembro de 2014 | 07h01

O medo de encontrar a torneira seca dentro de casa, resultado direto da pior estiagem de São Paulo em 29 anos, tem sido fatal para o fluxo de caixa dos lava-rápidos da cidade. Houve queda no movimento ou porque a clientela não sabe se o serviço está funcionando normalmente ou porque resolveu adiar a limpeza do carro enquanto a crise hídrica perdurar.

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Mas há quem esteja fazendo do limão a sua limonada. São lavadores que apostaram há algum tempo em alternativas ao processo tradicional, hoje dependente do xampu e de muita água, e que de detentores de soluções ‘excêntricas’ e ‘careiras’, passaram a ser observados pela freguesia com mais atenção.

O paulista Moisés Ribeiro, por exemplo, tem sonhado alto com as perspectivas de seu lava-rápido, há sete anos em operação em Mogi da Cruzes (SP). O negócio é modesto: o terreno de 900 m² está em um ponto de baixa circulação e lava, diariamente, de 25 a 30 automóveis (aos finais de semana a procura chega a 50 lavagens). Mesmo assim, a iniciativa é altamente lucrativa, colocando no bolso do dono, mensalmente, por volta de R$ 20 mil. O segredo: a tecnologia que ele desenvolveu de lavagem com vapor.

Moisés Ribeiro, que parou de estudar no ensino médio, desenvolveu uma máquina dotada por um fogareiro à gás e um motor de 1/2 hp. O conjunto aquece a água até o ponto de ebulição, chegando a 170 graus centígrados. O vapor é contido em um tanque para 216 quilos e sai de maneira pressurizada, o que, segundo empresário, propicia uma lavagem de um carro médio com 5 litros de água – na forma convencional, são necessários 50 litros. O sistema dispensa o uso de xampu ou demais produtos químicos e cada carro demanda 1 metro cúbico de gás. Assim, contando a mão de obra, ele diz reter uma margem de lucro líquida de 70%. “Se eu estivesse em um ponto melhor, estaria ganhando muito dinheiro”, confessa Ribeiro, que já pensa em crescer por franquia.

Nas até que a expansão venha, Ribeiro sente que precisa ajustar alguns pontos. Uma de suas dúvidas diz respeito à patente da máquina, que ele ainda não tem, mas que na opinião do professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, deveria providenciar o quanto antes. “Se ele não conseguir patentear a máquina por algum motivo, existem outras formas de se precaver. O trade dress é uma espécie de patente do serviço, um expediente empregado pela rede Spoleto, e que existem escritórios de direito capacitados aqui no Brasil”, diz.

Outro ponto que na opinião de Nakagawa merece atenção do empresário é quanto a definição de processos, a forma pela qual o Ecovip Vapor, a empresa de Moisés Ribeiro, ‘venderá o peixe’ da inovação. Ele cita o caso da Drywash, marca de lavagem à seco fundada por Lito Rodriguez, como exemplo de sucesso. “A Drywash entrega um produto que é igual às outras, até mais barateiras: o carro limpo”, conta o professor. Para ele, o que Lito Rodriguez fez foi definir uma série de processos que mostram para o cliente que o serviço seco é diferente.

“Acho que nosso cliente já nos conhece. A gente vem batendo nessa tecla da sustentabilidade nos últimos anos, mas agora, com essa falta de água, as pessoas parecem que estão mais inclinadas a usar o modelo”, conta Lito Rodriguez, que confessa um aumento de 500% na procura de empreendedores por franquias. “Adiantei um investimento de R$ 2 milhões que estava previsto para o final de 2015 e vamos aproveitar o aumento da procura. Nossa preocupação é garantir um crescimento saudável. Sempre pensamos em médio e longo prazos.” 

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