Patrícia Cruz/Sebrae-SP
Patrícia Cruz/Sebrae-SP

Segurança digital: não há mais como ignorar

Tema ganha cada vez mais importância entre empresários que buscam entidades de apoio a empreendedores

Daniel Lisboa, Especial para O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 05h00

A segurança digital entrou definitivamente na pauta dos pequenos e médios empresários. Essa é a percepção de entidades e associações que estão permanentemente em contato com empreendedores. Por mais que o nível de conhecimento sobre o tema ainda não seja o desejável, ao menos hoje um conceito ganha força: se você é uma empresa e está na internet, tem que se cuidar.

Diego Smorigo é gestor estadual de TI (tecnologia da informação) do Sebrae-SP. Há dez anos trabalhando na entidade, ele tem notado alguns sinais dessa evolução. Cita, por exemplo, as oito mil pessoas que, na Feira do Empreendedor, demonstraram interesse em montar um e-commerce. "A maioria dos empreendedores estava disposto a gastar entre R$ 50 mil e R$ 100 mil no negócio, e, quando perguntávamos onde pretendiam gastar, combate a fraudes estava entre as maiores preocupaçõs. É interessante", diz o gestor. 

Consciência. "Hoje é mais fácil para o pequeno empresário encontrar soluções de segurança. E ele sabe que isso é importante", acredita Smorigo. "Eu conversei com pelo menos doze empresas que tiveram problemas com invasões. Em um dos casos, uma empresa que faz gestão de convênios médicos foi invadida por um hacker de fora do Brasil e o negócio enfrentou sérios problemas. Ainda bem que o empresário tinha um sistema de back office bem parrudo."

Smorigo cita ainda outro caso que considera emblemático. "Uma empresa identificou que uma ataque havia acontecido, mas achou que o hacker não tinha conseguido fazer nada e estava tudo íntegro. Acontece que o criminoso havia instalado algo para acessar depois o sistema, e o empresário só notou ao fechar as vendas do dia na internet e descobrir que o valor correto não havia entrado na conta", relata o gestor. "O site estava funcionando normalmente, mas o hacker havia clonado a conta dele."

Smorigo explica que as dúvidas dos empreendedores sobre segurança digital variam de acordo com o grau de instrução. "Uma pessoa com menos conhecimento, por exemplo, ouve falar sobre vírus e pergunta se ele será infectado se abrir um e-mail. Já para o empresário com um pouco mais de instrução, a preocupação é, por exemplo, se ele realmente recebeu um determinado valor, se a transferência não foi simulada."

Preocupação de todas. Diretor de Educação da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Avelino Zorzo entra frequentemente em contato com pequenos empresários e suas dúvidas sobre segurança digital. Isso acontece principalmente por meio do parque tecnólogico e científico da PUC-RS, a Tecnopuc. Zorzo é professor na universidade e explica que hoje o local tem cerca de cinco mil pessoas, a maior parte especialistas em TI, atuando dentro do campus. "Recebemos esses pequenos empresários o tempo todo e muitas vezes iniciamos projetos de cooperação, incluindo na área de segurança."


Zorzo não sabe precisar exatamente o quanto aumentou a busca de empresários por esse tipo de apoio na área de segurança, mas diz que "passou de quase nada para diversas solicitações anuais". O professor destaca a atenção que as empresas que atuam na área financeira têm dedicado ao tema, mas ressalta a preocupação constante que empresas de outras área também vêm demonstrando. "A questão da segurança aparece tanto na mídia que os empresários têm procurado ao menos saber do que se trata. Esse é um caminho sem volta."

Já foi pior. Outro especialista antenado com as demandas das empresas em questões digitais é Eduardo Neger, presidente do Conselho Consultivo Superior da Abranet (Associação Brasileira de Internet). Para ele, hoje o pequeno empresário é praticamente obrigado a tomar precauções mais sofisticadas para proteger informações. "A nota fiscal eletrônica, por exemplo, precisa ser guardada por cinco anos. Depois que ela foi adotada, comecei a ver ouvir empresários perguntando como exatamente eles deveriam guardar esse documento", conta Neger. 

"Mas aí o sujeito guardava a nota em um pen drive no chaveiro, ou em um servidor embaixo de uma escada na empresa, sem muita segurança", diz o especialista. Foi quando, lembra Neger, vieram os provedores oferecendo a opção de armazenamento em nuvem. "Por mais rudimentares que sejam alguns desses aplicativos em nuvem, quando você os compara com o paradgma anterior, de não ter back up ou ter um back up precário, houve uma melhoria expressiva." 

Como exemplo do aumento da procura por serviços de segurança digital, Neger cita uma empresa de Diadema (SP) associada à Abranet que oferecia conexâo à internet e hoje já tem uma parte significativa do faturamento vinda de aplicações de segurança. "Os clientes acabaram demandando isso, e hoje a empresa oferece e-mail corporativo, firewall, proteção das redes internas. Acabou se especializando nisso."

 

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