Gustavo Caetano, CEO da Samba Tech
Gustavo Caetano, CEO da Samba Tech

Segredo é planejar rápido e com eficiência

Para dois empresários do setor de tecnologia, não se pode gastar toda a energia na busca do plano mais que perfeito

Estadão PME,

12 de agosto de 2015 | 07h04

A discussão sobre como elaborar um plano de negócios é sempre motivo de dúvidas entre os empreendedores. Planejar a abertura de uma empresa é, mais do que necessário, algo recomendado. No caso da área de tecnologia, porém, o conselho de dois empresários de destaque no setor é um pouco diferente: planeje o mais rápido possível. O plano não precisa ser muito detalhado, na opinião desses dois especialistas, mas flexível, para facilitar o processo caso o empreendedor opte por investir em novas ideias.

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Para exemplificar a sua opinião, Gustavo Caetano, CEO da Samba Tech, menciona até uma regra do exército canadense: se houver disparidade entre o mapa e o terreno, fique sempre com o terreno – se o mapa diz que existe um rio no caminho, mas quando você olha para o chão só vê terra, não é para começar a nadar na areia. “O empreendedor costuma acreditar no que ele colocou no papel, no plano de negócio. Mas isso é perigoso, principalmente para uma startup. O futuro é cada vez mais incerto e instável.”

Para o empresário, se a pessoa demora seis meses planejando, corre o risco desse plano não fazer mais sentido na hora do lançamento. “A cada seis meses surge uma coisa de ruptura no mercado. A lógica é planejar o mais rápido possível”, afirma.

Gilberto Mautner, um dos fundadores da Locaweb, também defende que o plano de negócios não pode ser tão detalhado a ponto do empresário gastar toda a energia na tarefa e negligenciar a criação da empresa. Mautner, que hoje faz parte do conselho da empresa e atua em comitês específicos, ainda destaca que é preciso ter flexibilidade para mudar e testar novas ideias, principalmente no começo da trajetória.

No caso da Locaweb, os fundadores abriram as portas sem plano algum e com um pequeno investimento. Mas houve a preocupação de testar a proposta – a primeira ideia, um portal no ramo de confecção, falhou. Mas vingou a ideia de oferecer aos clientes um serviço de hospedagem de sites. Por isso, segundo Mautner, pelo menos no início, o plano de negócios não foi essencial. Hoje, porém, o planejamento faz parte da rotina da companhia, que analisa o mercado e seus diferenciais e fraquezas perante os concorrentes. “Quando você está nesse estágio inicial, eu gosto de ter mais liberdade e menos amarras”, reforça.

Início. Os dois empresários, que participam da 14ª edição do Encontro PME, não iniciaram seus negócios em momentos de prosperidade econômica. No caso da Samba Tech, Gustavo lembra que conseguiu investimento dois meses antes de estourar a crise nos Estados Unidos, em 2008. Ele aproveitou a situação para vender ainda mais sua solução de distribuição de vídeos, uma espécie de “YouTube interno” para empresas que buscavam corte de custos. “Os empreendedores, por natureza, são muito otimistas. Os momentos de dificuldades são os melhores para começar alguma coisa. A maioria das pessoas não vai querer arriscar e as grandes oportunidades aparecem”, afirma Caetano.

Quando Mautner começou a Locaweb, por exemplo, não foi feita nenhuma análise do ambiente econômico; além disso, a companhia já enfrentou algumas crises. “Quando você está começando tem que estar em um horizonte de longo prazo, não de curto prazo. Em 1998, a situação não era mais tranquila, mas a gente conseguiu um break-even em menos de seis meses”, pontua.

Ainda segundo um dos fundadores da Locaweb, os solavancos econômicos afetam o desempenho das empresas, que cresce menos e, consequentemente, investem um pouco menos. “A cautela que se aplica sempre é você tentar alguma coisa que produza resultados rápidos e geração de caixa. Acho que se endividar é mais perigoso e investimentos que exigem uma alavancagem grande precisam ser analisados com mais cuidado. Mas acho que está cheio de oportunidade aí”, analisa Mautner.

Coragem. O fundador da Samba Tech tem a mesma opinião. “Foram em momentos de dificuldade que ocorreram as grandes revoluções tecnológicas.” Ele cita as startups que souberam aproveitar oportunidades, como as que ajudam o usuário a fazer a gestão das finanças pessoais e as que oferecem cursos para a pessoa aprender uma nova tarefa que lhe renda mais dinheiro. “A nossa empresa também aproveitou diversas janelas em momentos de crise.”

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