Felipe Rau/Estadão - 17/09/2018
Elevação na venda de automóveis sobe faturamento do setor em 2019 Felipe Rau/Estadão - 17/09/2018

Segmento automotivo em alta

Crescimento vem no embalo do aumento das vendas de automóveis

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Depois de visitar uma feira de franquias em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Ian Kimura começou decidiu iniciar um negócio com a franquia Acquazero, que presta serviços de limpeza e reparos a automóveis com práticas ecologicamente sustentáveis.

No começo, realizava serviços de limpeza na casa do cliente. Hoje, já é dono de quatro pontos da franquia. Um deles fica localizado em um prédio na Marginal Pinheiros.

“Do enorme número de carros que temos nas ruas, é preciso uma quantidade muito pequena para fazer com que dê certo”, comenta.

Kimura é franqueado de um segmento que tem crescido. Os serviços automotivos, com o aumento das vendas da indústria automobilística em 11,4% – de acordo com a Fenabrave – em relação ao mesmo trimestre do ano passado, teve o segundo melhor desempenho no setor de franquias, com 12,7% de crescimento no faturamento no primeiro trimestre quando observado o mesmo período do ano passado. Os serviços, como um todo, cresceram 9,6%.

Para isso, Kimura tem uma explicação . Segundo ele, cada vez mais pessoas se preocupam em consumir serviços que tenham preocupação com o meio ambiente. “O aspecto ecológico também ajuda bastante”, ele conta. Como o negócio cresceu, o empresário agora se concentra na parte administrativa.

Mas, os aprendizados de quando dava os primeiros passos são, agora, orientações para os seus funcionários. “Eu tentava atender do jeito que eu gostava de ser atendido”, explica. Além disso, Kimura ressalta que é necessário praticar a empatia com o cliente. “Às vezes o cara quer conversar sobre o carro dele e você tem que ter tempo para isso.”

O consultor do Sebrae de São Paulo, Leandro Perez afirma que, para dar certo, uma franquia de serviços precisa contar com a boa vontade do dono nos dois lados: atendimento e gestão. “É trabalhar com pessoas. Vale desde a escola de inglês, exemplo clássico de franquia, até uma seguradora”, comenta o especialista.

Ele conta que não é uma boa ideia pensar que os lucros virão no modo automático. É preciso boa vontade na hora de prover os serviços e também no atendimento. Nas palavras de Perez, comprar uma franquia não tira o dever de fazer o necessário para o negócio acontecer.

Um conselho de Kimura vale para qualquer negócio, mas quem pensa em fidelizar os clientes não pode esquecer. “Não gosto de iludir ou de mentir. Sempre gostei da relação de confiança.”

Outros serviços. Entre os demais setores que registraram bons números estão os de Comunicação, Informática e Eletrônicos; Serviços e Outros Negócios, com aumento de 9,7% e 9,6% em seu faturamento, respectivamente.

“Existem duas razões para que os serviços tenham crescido em grandes centros urbanos: o aspecto de segurança e a dificuldade no trânsito. E a tendência é o setor de serviços aumentar o delivery de maneira geral”, analisa Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise.


A importância de uma boa gestão

Diego Dalia e o sócio Bernardo Saboia são donos de seis unidades da Arranjos Express, franquia de serviços de alfaiataria, em São Paulo. A primeira unidade, adquirida em 2017, já funcionava antes e precisou de mudanças. “Havia uma visão tradicional na relação com os funcionários”, conta Dalia. Reorganizaram as rotinas de trabalho e as relações com os clientes.

Esse é um exemplo de que as franquias de serviços são as que mais precisam de boa gestão. “Não necessariamente um serviço ruim é culpa da franquia. Muitas vezes, é problema de gestão em uma unidade específica”, afirma o conselheiro do Sebrae de São Paulo Leandro Perez.

 

Para melhorar a performance, os dois sócios encontraram uma forma de atrair indicações de lojistas. Quando há necessidade de ajustes a uma roupa no momento da compra, costureiras da equipe vão à loja fazer ajustes. “Fizemos com que os lojistas nos vissem como parceiros”, explica Dalia.

Perez aconselha o investidor a se colocar na posição do cliente da franquia que pretende abrir. “Contrate o serviço e veja se tudo que é prometido acontece na ponta.”

O franqueado da 5àsec Alexandre Saidel conta que, ao abrir um negócio em franquias, o empreendedor vai ter acesso ao treinamento da marca para gestão do negócio. “Somos capazes de operar uma loja, de operar o sistema. A gente adquire esse conhecimento."

Mas ele observa que, se um cliente pede um tipo de serviço e não é atendido da forma adequada, haverá frustração e o risco é de perder o cliente. “Quando situações assim acontecem, temos que trabalhar erros de comunicação dentro da empresa”, comenta. "Mas, é bom lembrar que o franqueado não está sozinho nessa. “A própria franqueadora tem que se preocupar com o nome dela que está entrando na casa de outras pessoas”, diz Perez.

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Os cuidados na hora de comprar uma franquia

Momento é de depuração do mercado e operações mal estruturadas não sobreviverão

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O sonho de ser dono do seu próprio negócio permeia a cabeça de muitos brasileiros. Em épocas de crise, é comum que setores tidos como mais estáveis, como o de franquias, apareçam como alternativas seguras para investimentos. No entanto, é preciso estar atento para algumas particularidades do segmento.

Para Marcus Rizzo, consultor e proprietário da Rizzo Franchise, o setor permanecerá crescendo. Porém, alerta: “Hoje, passamos por um processo de depuração. As operações mal estruturadas estão desaparecendo do mercado pela diminuição do consumo.”

Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria, diz que houve um aumento do fechamento de franquias nos últimos anos, em decorrência das microfranquias.

“Por serem franquias muito baratas, muitos dos franqueadores não se preparam de forma plena para atender a rede de franquias, e o perfil dos franqueados muitas vezes também é de pessoas mal preparadas. Isso é algo que eu acho que o sistema tem que estar atento”, afirma Ancona.

Por outro lado, ele vê postitivamente o crescimento do número de multifranqueados, sejam eles multimarcas ou dentro de um mesmo setor. Para o consultor, isso simboliza a entrada no sistema de empresários que querem criar suas próprias redes de negócios, além de grupos de investidores, o que agregaria profissionalismo para as marcas e para o próprio segmento.

 

Dicas e cuidados:

 

Investimento: Quanto dinheiro você tem disponível para investir? É essencial ter o capital necessário para isso. Não acredite que você conseguirá depois. Não comece um negócio endividado

Familiaridade: Perceba se trabalhar com determinada franquia é, realmente, o que você deseja fazer. Partir para um negócio só com a expectativa de retorno financeiro pode não dar certo

Modismos: Não entre nos modismos (paletas mexicanas, cupcakes, gelateria, por exemplo), mas busque franquias com resultados sustentáveis. Pense que, pelo menos nos próximos dez anos, você trabalhará com isso todo dia

Investigação: Não se deixe enganar pelo discurso do mercado, que deseja vender a qualquer custo. Investigar antes de investir é essencial. Desconfie dos intermediários (corretores). Eles são movidos pelas comissões de venda da franquia 

Treinamento: Pergunte sobre qual treinamento e suporte serão oferecidos. Você receberá instruções detalhadas e treinamento prático? Quais os manuais e outros materiais que você terá à sua disposição?

Circular de Oferta de Franquia: Exija a Circular de Oferta de Franquia (COF) e verifique nele a lista de todos os franqueados em operação e a lista de todos os que encerraram atividade no último ano

Converse: Analise as informações presentes na COF e converse com três a seis franqueados para checar se as informações presentes nela são verídicas

Veja os números: Olhe as planilhas de previsão de resultados (DREs - Demonstrativos de Resultados de Exercícios) e veja se os números são factíveis e se existe dinheiro para fluxo de caixa

 

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Um panorama do setor de franquias

Segmento mostra crescimento e, se bem administrado, pode ser opção para período atual

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O segmento de franquias tem se mantido firme, apesar da crise econômica por que passa o Brasil. Dados da Associação Brasileira de Franchinsing (ABF) reforçam isso. O faturamento do setor em 2018 cresceu dentro da estimativa feita pela entidade, fechando o ano com alta nominal de 7,1% em relação ao ano anterior. A receita total do mercado de franquias saltou de R$ 163,319 bilhões para R$ 174,843 bilhões no período.

No primeiro trimestre deste ano, o mercado de franquias teve crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.

“O crescimento do setor reflete também os ajustes realizados pelas redes nos últimos três anos, principalmente a busca por mais eficiência, o desenvolvimento de modelos de negócio mais enxutos e a diversificação de canais de venda, linha de produtos e consumidores”, explica André Friedheim, presidente da ABF.

Neste especial, você acompanha as tendências do mercado de franquias, qual setor tem se destacado e descobre quais os cuidados é preciso tomar antes de entrar neste mercado e dicas de especialistas para fugir de armadilhas.

A 28ª edição da ABF Franchising Expo acontece desde quarta e vai até sábado, no Expo Center Norte, Pavilhões Branco e Azul, em São Paulo. Ela reúne expositores dos mais variados setores de franquia e oferece ao público a oportunidade de conhecer um pouco mais esse modelo de negócio. Mais uma opção para se informar e ter um pouco mais de conhecimento sobre o segmento.

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Setor de alimentação vive momento de depuração

Em meio à crise e forte concorrência, cresce procura por entrega em casa

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O segmento vive um momento de decantação. Por ser um setor de grande concorrência, a qual tende a aumentar com a diminuição de restaurantes individuais e com o aumento de redes e franquias, apenas os mais preparados e estruturados sobreviverão durante a crise econômica vivida pelo País.

Há uma tendência do brasileiro, por questões de comodidade e trabalho, buscar uma alimentação mais prática, seja ela fora de casa ou por meio de delivery (serviços de entrega). Entretanto, isso não significa uma alimentação de má qualidade. O “comfort food”, ou alimentação caseira, bem como uma comida mais saudável, são opções que têm sido procuradas.

 

“Inovação é voltar para o mais simples”, diz Rafael Ramos, diretor de marketing da Casa de Bolos. A franquia acredita que as pessoas querem fugir de comidas industrializadas buscando opções mais caseiras. Para ele, “nossa época é um divisor de águas entre os aventureiros e os mais estruturados.”

Marcelo Tristão, diretor de desenvolvimento do Bob’s, diz que a rede realizou parcerias com diversos marketplaces e que o delivery tem aumentado a demanda pelos seus produtos. 

Camila Miglhorini, CEO da Mr. Fit, acredita que a tendência é crescer a venda por aplicativos de delivery. “As pessoas estão trabalhando mais, com menos tempo para cozinhar, e querem ser práticos e ao mesmo tempo comer de forma saudável.”

Delivery divide o segmento

Apesar de a tendência de serviços de entrega (delivery) tornar-se relevante no segmento, nem todas as franquias se utilizam destes serviços da mesma forma. Para alguns, não é interessante a venda à distância, seja por estratégia de marketing ou por questões de produto.

A franquia Casa de Bolos aposta na venda em lojas especialmente por causa do “cheiro do bolo”, afirma Rafael Ramos, diretor de marketing da rede.

“Temos um aplicativo próprio de delivery, mas acreditamos mais na venda presencial e no retorno ao contato físico”, diz.

Outra franquia que trabalha muito presencialmente é a Mania de Churrasco. “O delivery de carne e hambúrguer exige uma atenção maior. Existe um estudo de embalagem, de como manter a temperatura e a carne macia. Nós acabamos de fazer uma série de pesquisas e vamos entrar em testes a partir de julho para expandir isso até o fim do ano”, afirma Marcelo Amarante, sócio-diretor da rede.

No Brasil, durante muito tempo, o aplicativo iFood dominou o mercado de entregas de alimentos em domícilio. A partir de 2016, começaram a surgir novos concorrentes, como o Uber Eats e Loggi.

Hoje, já é possível pedir comida por uma série de aplicativos, como o Rappi e Glovo, além dos que já foram anteriormente citados.

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