Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Sebrae oferece cursos para capacitar MEIs

Programa quer elevar a competitividade de quem busca no negócio próprio uma saída para o desemprego

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2016 | 12h49

O Sebrae-SP anunciou ontem que investirá R$ 25 milhões em cursos de capacitação voltados para microempreendedores individuais, os chamados MEIs. A ideia é abrir 50 mil vagas para a “base da pirâmide” dos empresários brasileiros, formada por negócios que faturam até R$ 60 mil por ano. O principal objetivo do programa, batizado de Super MEI, é qualificar o crescente número de microempreendedores individuais registrados em São Paulo.

A elevada taxa de desemprego registrada nos últimos meses – 11,3%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – levou muitas pessoas a se tornarem MEIs. Para se ter uma ideia do tamanho da movimentação, apenas de janeiro a abril de 2016, a abertura de empresas dessa natureza totalizou 540,7 mil, alta de 10,4% sobre o mesmo período de 2015. Segundo o Serasa Experian, os MEIs representaram 80% das naturezas jurídicas registradas no período. 

O Super MEI, explica o gerente da unidade de atendimento setorial do Sebrae-SP, Antônio Mendonça, pretende fazer com que esse empreendedor ingresse no mercado com um nível de competitividade que garanta a sobrevivência do negócio. “O empreendedor tem chegado ao mercado bem mais por necessidade de sobrevivência do que pelo ímpeto de empreender”, diz. “As grandes dificuldades desse empresário são o acesso à informação e ao crédito. Associado a isso, muitos começam a empreender por achar que sabem realizar uma atividade, mas não conhecem a técnica de um negócio.”

Para aprimorar a gestão do seu negócio, o empresário Ricardo Joel Michel começou na última segunda-feira o curso de panificação em uma das duas turmas de teste do projeto. Proprietário e principal administrador de uma casa de pães e doces inspirada na culinária argentina, sua terra natal, Michel aponta como principal dificuldade a separação entre o capital da empresa e renda da família.

“Somos cinco pessoas, ao todo, incluindo minha esposa e meu pai”, relata. “Quando abri o negócio, pensava que só precisava saber cozinhar. Mas é muito mais complexo”, conta Michel, que tem pouca experiência empreendedorismo. “Eu era bombeiro na Argentina. Diferente de padeiro, né?”, diz. 

Com uma empresa de assistência técnica na própria casa, o microempreendedor Carlos Alberto Mariano Gil encontra dificuldades para crescer dentro o modelo de negócios que tem hoje. Por isso, procurou o curso de técnicas de venda no varejo, que também teve início nesta semana. O projeto de Gil é abrir uma loja física. 

“Quem começa não tem apoio financeiro. Meu giro não cresce e não é por falta de estoque, é por falta de uma linha de crédito”, lamenta. Por isso, fortalecer a gestão do negócio pode ser o trampolim de acesso do empresário aos bancos. “O universo dos MEIs é um pouco abandonado. Para registrar um funcionário, por exemplo, temos de quebrar a cabeça com a burocracia. Mas o MEI está aumentando e girando a economia”, ressalta.

MEI. O programa, implementado por iniciativa do governo federal em 2008 para incentivar a formalização de pequenos empreendedores sem a necessidade de um contador, possibilita que os registrados contribuam com a Previdência, tenham CNPJ e emitam nota fiscal. O registro é limitado a empreendedores que faturem até R$ 60 mil ao ano. O Sebrae calcula que sejam, hoje, cerca de 1,5 milhão de MEIs apenas no Estado de São Paulo.

As inscrições para um dos cursos do Super MEI podem ser feitas pelo portal do projeto e são gratuitas. As próximas turmas começarão a ser convocadas a partir de 22/8.

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