Salões de beleza e barbearias se digitalizam para potencializar negócio

Com times enxutos e rotina focada no atendimento, donos de salões apostam em plataformas de gestão como 3,2,1 Beauty, Gal e Avec para cuidar do dia a dia da empresa

Bianca Zanatta - Especial para o Estadão

Um levantamento da Euromonitor apontou que o segmento dos salões de beleza vai de vento em popa no Brasil. Hoje existem aproximadamente 500 mil negócios formais em território nacional e a previsão é de que haja um aumento de 4,5% até o final do ano. Para se ter uma ideia do potencial do mercado, o brasileiro gasta mais com beleza do que com comida, segundo o IBGE. Foram mais de R$ 100 bilhões por ano na última década, de acordo com dados da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos).

Se a área é um oceano de oportunidades para o empreendedorismo, a gestão desse tipo de negócio costuma dar muita dor de cabeça - principalmente para as pequenas empresas, que não contam com uma equipe profissional para cuidar de questões como folha de pagamento, cobrança, RH, fluxo de caixa e por aí vai. “É realmente muita coisa para se pensar”, diz o cabeleireiro Valdir Socci, dono do salão 3, 2, 1 Beauty Vila Clementino, em São Paulo. 

Ele era um dos profissionais de beleza que trabalhavam na casa, então chamada Erva Doce, quando soube que o local foi posto à venda pela antiga proprietária durante a pandemia e decidiu assumir o negócio. “No RH, por exemplo, existem muitas leis que confundem qualquer empreendedor. Tem o financeiro para lidar com as contas a pagar e ainda o marketing. Sou artista da cadeira, não administrador”, explica.

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Valdir Socci aponta que, após assumir o salão e fazer parceria com a rede 3, 2, 1 Beauty, o faturamento cresceu 213%.  Foto: Luiza Lotti Botezelli

Para organizar a história, a solução foi fazer uma transição para o modelo de gestão digital. O empreendedor fez uma parceria com a 3, 2, 1 Beauty, startup que oferece suporte para todas as áreas envolvidas no dia a dia do salão, entre processos administrativos, financeiros, recrutamento e seleção de profissionais, parcerias estratégicas e tecnologia. “Na gestão financeira, por exemplo, tenho todos os toques e lembretes frequentes. Também recebi todo o suporte para as renegociações na pandemia, em frentes de que eu não entendo”, afirma Socci. “Só mando uma mensagem para eles e eles resolvem.”

Como a antiga gestão tinha afastado os profissionais durante a crise, o salão precisou ainda reconquistar time e clientela. “Tive apoio na recontratação e no renascimento de um salão para esse novo mundo em que estamos vivendo”, ele relata, dizendo que a parceria foi fundamental para a guinada no negócio, com aumento de 213% no faturamento desde que ele assumiu as rédeas.

A 3, 2, 1 Beauty também está por trás da gestão do salão da empreendedora Luana Novaes, que saiu da área de eventos para investir no ramo da beleza em abril. “Foram 20 dias de gestão até que eu perdi toda minha equipe quando o profissional mais antigo do salão saiu e levou todo o time junto”, lembra. “Então eu tinha que simultaneamente entender melhor sobre esse setor que eu tinha escolhido e atuar frente ao enorme desafio da contratação de novos profissionais, talvez uma das partes mais difíceis no universo dos salões de beleza.”

Ela conta que foi atrás da plataforma e, com o impulsionamento da startup, conseguiu resolver o quadro de funcionários e estabilizar o faturamento. “A vida de salão é uma correria, então foi importante ter uma rede que une tecnologia em todos os pontos de gestão e operação, seja financeira, operacional e todo o dia a dia do negócio como, por exemplo, o app para agendamentos, a parte de marketing, a plataforma para acompanhamento de entradas e saídas”, destaca. “Após a saída dos profissionais e queda profunda de faturamento, conseguimos alcançar, em menos de 3 meses, 90% do faturamento, mesmo na pandemia.”

Rede com tecnologia e padronização

Proprietária do salão Gal Bello Visual, também na capital paulista, Elizabeth Christina Moura conta que o salão tem 8 colaboradores e faturamento mensal em torno de R$ 40 mil. “Um dos desafios é a dupla função que todo mundo exerce porque 87% dos donos de salões são profissionais da beleza, então fica difícil fazer a gestão e o atendimento”, observa. “Temos falta de suporte financeiro e jurídico, bitributação e pagamento de taxas altíssimas, alto nível de complexidade para gerenciar o pagamento de todos os profissionais e também falta de tempo para gerenciar o acompanhamento e desenvolvimento desses profissionais, recrutar gente nova e fazer o marketing.”

Elizabeth foi outra que resolveu trazer a tecnologia para resolver as dores do negócio. Ela procurou a Gal, rede agregadora de salões de beleza que atua em um modelo estruturado em tecnologia e padronização, com sistema próprio de gestão para o segmento. “A Gal chegou para agregar na capacitação de profissional, otimização de custos e, principalmente, na aquisição de novos clientes”, diz a empreendedora, contando que, após assinado o contrato com a rede, o salão passou por uma transformação física que durou menos de 3 dias - um investimento inicial da Gal para padronizar os ambientes e fazer melhorias na infraestrutura para realização dos serviços do salão.

A rede faz ainda uma série de campanhas com divulgação online e offline e a ativação da base de clientes, incentivando visitas mais frequentes ao salão, que aumentam organicamente com o sistema de agendamento digital, segundo ela. “Eles também oferecem todo o suporte jurídico e financeiro para otimizar os custos do salão de maneira saudável e sustentável. As compras centralizadas e as parcerias com grandes marcas oferecem melhores condições de preço e os times da rede fazem o acompanhamento dos dados e desenham as estratégias junto comigo”, sublinha. 

Os sócios Diógenes Renan e Felipe Alves, da Barbiearia, que contam com a plataforma digital Avec.  Foto: Cleber Machado

Criada pelos empreendedores Felipe Alves e Diógenes Renan para atender o público LGBTQIA+, a Barbiearia, de Joinville, nasceu em julho de 2020. “Contávamos com apenas duas bancadas de barbeiros”, fala Diógenes. Depois de um ano, a dupla abriu uma nova loja, dessa vez incluindo um bar para os clientes e salão de beleza, que oferece, além de todos os serviços padrão, um “pacote Drag” de montação completa, com direito a maquiagem, peruca e auxílio durante todo o processo.

Para dar conta do atendimento e da gestão, a solução foi contratar a Avec, empresa que já digitalizou mais de 40 mil espaços do segmento com ferramentas para agendamento, pagamento, fluxo de caixa, acesso a crédito e soluções bancárias. “O principal desafio é encontrar um bom contador que não te deixe esquecer de suas obrigações”, diz o empreendedor. “Com essa ajuda, treinando sua equipe a lançar corretamente nas comandas e agendamentos e gerenciando direito o estoque, fica tranquilo de administrar.”

Digitalizar para dar conta do crescimento

Especializada em mega hair invisível, Tati Cordeiro começou alugando uma cadeira em um salão e hoje é dona de dois espaços em São Paulo. Com o crescimento rápido, sentiu necessidade de organizar os processos. “Eu era extremamente operacional, fazia tudo: o financeiro e o administrativo, a compra e a gestão dos cabelos, estava sempre junto no desenvolvimento da nossa base, fazia a colocação dos cabelos e supervisionava tudo”, conta.

“Quando eu vi que já não dava mais porque a gente já atendia uma média de 200 a 300 clientes por mês, percebi que precisava de algo que me ajudasse na gestão dos históricos dessas clientes, que eram todos escritos em papel.”

A empreendedora implantou o sistema da Avec em junho de 2020, no comecinho da pandemia. “Me ajuda a organizar os processos e o histórico das clientes e auxilia no financeiro da empresa”, explica. “Com nosso trabalho, honestidade, uma pitadinha de bênção e as redes sociais, nós crescemos uns 500% na pandemia. Hoje são mais de 2 mil clientes por mês”, ela comemora. 

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