Divulgação
Divulgação

Salões de beleza compartilham espaço para economizar

Modalidade é procurada por iniciantes que não querem criar vínculos com grandes salões, que ficam com 50% da receita

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2016 | 06h00

Depois de morar sete anos em Londres, a cabeleireira Drika Araújo voltou ao Brasil determinada a empreender. Abrir um salão de beleza e arcar com todos os custos e riscos da operação, porém, não era uma opção para a empresária. Drika saiu, então, em busca de algum espaço de trabalho compartilhado que abrigasse suas clientes. Comuns na capital inglesa, coworkings especializados em receber profissionais do segmento de beleza ainda não existiam em São Paulo, onde a cabeleireira se instalou. A saída encontrada por Drika foi a de investir no espaço Hair Co.lab, que completou em 2016 dois anos de funcionamento.

O espaço abriga, além de Drika, mais dois residentes que ficam por pequenas temporadas, ou mesmo alugam o salão por poucas horas. Diferente da proposta tradicional de salão de beleza, o profissional não desenvolve vínculo com o Hair Co.lab, nem paga parte da receita para o coworking. 

“Aqui não tem frescura”, brinca Drika. “Eliminei do plano de negócios tudo que pudesse encarecer a proposta. Por isso, me procuram os profissionais que estão começando o trabalho e não querem se vincular a salões grandes, que ficam com 50% da receita”, explica a empreendedora, que fatura em média R$ 20 mil ao mês apenas com o aluguel dos espaços do coworking.

Especialistas ouvidos pelo Estado apontam que, assim como o mercado da moda, o segmento de beleza e cuidados pessoais começa a observar, em decorrência da retração econômica e de mudanças no padrão de consumo do cliente, traços de saturação. 

Em 2015, esse mercado retraiu pela primeira vez em 23 anos. Conforme apontam dados da Euromonitor International, uma das principais empresas de pesquisa de mercado do mundo, o chamado faturamento ‘ex-factory’, que considera produtos e serviços da indústria da beleza sem adição de impostos sobre vendas, foi de R$ 42,6 bilhões, montante 8% inferior ao ano anterior. 

Para a especialista em moda do Centro Universitário Belas Artes, Silvana Holzmeister, os espaços compartilhados para negócios que envolvam a produção criativa e autoral são uma saída para a sobrevivência durante a crise. “A busca pelo sustentável dá um novo significado aos processos de consumo, constrói um novo olhar sobre o mundo. Para o empreendedor, é uma forma de agregar valor ao negócio”, comenta. “A questão econômica influencia, sim. Estamos enxergando o compartilhamento em vários outros setores, porque ele barateia as operações”, analisa a especialista.

A perspectiva enxuta foi uma realidade para o negócio de Drika Araújo. O investimento total empregado para a abertura do Hair Co.Lab foi de R$ 25 mil, o necessário para ajustar o espaço alugado para receber os residentes. Hoje, além de outros cabeleireiros, o local recebe também maquiadores, eventos do segmento e até encontros feministas. 

O esgotamento da cadeia produtiva, para a coordenadora do Curso de Moda da Universidade Anhembi Morumbi e especialista em Negócios Miriam Levinbook, está no cerne da perspectiva do compartilhamento de espaços. “O colaborativo tem o poder de transformar o mercado quando falamos em um negócios economicamente criativos”, aponta.

Tudo o que sabemos sobre:
LondresAraújoBrasilSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.