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Saiba quem é a gráfica por trás da moda do lambe-lambe 'Mais amor por favor' em SP

Saiba quem é a gráfica por trás da moda do lambe-lambe 'Mais amor por favor' em SP

Gráfica quase fechou por causa da Lei Cidade Limpa, mas soube se reinventar

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

29 de março de 2015 | 07h00

A máquina de impressão alemã Johannisberg, de 1929, quase foi parar no ferro-velho e o negócio da família quase acabou quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor e fez com que o trabalho na gráfica caísse. Mas o foco nos cartazes lambe-lambes com conteúdo artístico salvaram o negócio, que hoje segue em crescimento. Se você já viu um lambe-lambe em São Paulo com os dizeres: "mais amor por favor", saiba que ele foi feito na Gráfica Fidalga.

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O empresário Petrus Vieira é a terceira geração da família na área gráfica. A Gráfica Fidalga existe desde 1985, mas antes disso o avô de Petrus atuava no segmento e fazia trabalhos para os partidos de esquerda na época da ditadura. "O Dops foi investigar de onde saíam esses cartazes e conseguiu achar a gráfica. Na época meu avô tinha cinco máquinas, eles quebraram todas, simularam um incêndio e levaram meu avô que ficou preso por seis anos. Minha família teve que sair do Brasil e foi para o Chile", conta Petrus.

A máquina que opera hoje na gráfica de Petrus foi comprada pelo avô, mas só não foi destruída porque estava retida no Porto de Santos. "Meu avô trouxe da Alemanha, mas não conseguia a liberação. Quando retornamos do Chile, minha mãe conseguiu liberar a máquina e esconder em Bauru", lembra.

Com o movimento Diretas Já, a família resolveu fundar a Gráfica Fidalga, na Vila Madalena, em 1985, e utilizar a máquina "sobrevivente". "Por toda essa história de luta, a máquina tem um valor histórico e participou de muita coisa na mudança política do Brasil. Pelo que eu sei ela é a única do tipo em atividade no mundo", destaca Petrus. O negócio continuou com a produção de cartazes para divulgação de eventos, com fins comerciais, mas sofreu com a implantação da Lei Cidade Limpa, em São Paulo, que reduziu o número de trabalhos. 

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Segundo Petrus, essa foi a fase mais difícil do negócio, que chegou a parar as atividades por cerca de quatro anos. "Como não tinha condições de pagar salários, a gráfica funcionou como um coletivo de tipógrafos. Estava quase me desfazendo da máquina. Com 6,5 toneladas, ela quase foi parar no ferro velho", conta.

A salvação para o negócio foi a produção de lambe-lambes, cartazes com conteúdo artístico ou crítico colado em espaços públicos. Eles começaram a ganhar as ruas, mas também despertaram o interesse de decoradores, artistas e empresas. "Quando começamos, a gráfica estava na Vila Madalena, que tem uma cena artística muito forte. Foi com a ajuda desse pessoal que recomeçamos", diz Petrus, que cita nomes como Baixo Ribeiro, da Galeria Choque Cultural, o designer Rico Lins e Ygor Marotta, artista plástico criador do movimento "Mais amor por favor".

"A gente conseguiu achar um meio que não fosse contra a lei", conta Petrus. Entre 70% e 80% da produção da gráfica não vai mais para a rua e sim para decoração de ambientes, cenografia de palcos de artistas e ações de empresas, que buscam os cartazes produzidos a partir de fontes entalhadas em madeira.

"Do meio de 2014 para cá ocorreu um 'boom'. O lambe-lambe está bem difundido. Não chega a estar no status do grafite, mas é a segunda intervenção urbana que as pessoas mais prestam atenção", diz o dono da gráfica, que também faz projetos sociais, como cartazes para conscientização do uso da água.

Hoje, a gráfica está instalada no Butantã e faz entre cinco a seis trabalhos por semana. A máquina tem capacidade para imprimir 100 folhas em 15 minutos. Para fazer uma chapa matriz, a gráfica cobra R$ 100 e mais R$ 10 por folha - uma quantidade maior de impressão reduz o preço final. "Ainda não montei uma loja virtual por falta de tempo, mas a ideia é montar no mês que vem", conta Petrus, que tem quatro funcionários e um faturamento médio mensal de R$ 15 mil.  

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