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Saiba o que você deve fazer para seduzir investidores estrangeiros para o seu negócio

Falta de maturidade do empreendedor brasileiro é apontado como problema por fundos americanos

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

18 de março de 2012 | 12h48

O número de investidores estrangeiros interessados em apoiar startups brasileiras é cada vez maior. De olho no desempenho da economia, eles procuram negócios com alto potencial de crescimento, mas esbarram na falta de maturidade do empreendedor brasileiro para lidar com esse tipo de processo. "No Vale do Silício é comum existirem empreendedores em série, que aceitam com tranquilidade o fracasso e não se importam em assumir riscos", diz o advogado americano Craig Sherman, especialista em mercado de capitais e na criação de fundos de venture capital.

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Recentemente, ele esteve em São Paulo para participar de um evento organizado pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net) sobre a visão dos fundos de venture capital americanos e o cenário de investimentos nos mercados de tecnologia, internet e e-commerce. Na ocasião, o advogado falou sobre o que os fundos americanos buscam nas startups brasileiras. Confira as principais dicas.

Gestão profissional

Sherman diz que falta às empresas brasileiras gestão profissional para fornecer aos investidores segurança e informações básicas que permitam o avanço das negociações sobre um possível investimento. Antes de tudo, a startup precisa estar devidamente formalizada de acordo com as leis do País. "Nenhum investidor vai negociar com uma empresa sonegadora de impostos ou que não tenha seus funcionários contratados de acordo com a lei", exemplifica o advogado. É importante também que toda a documentação esteja organizada e em dia para facilitar e agilizar o processo de due diligence (análise  de documentos e informações da empresa para mensurar riscos), feito pelos fundos antes da assinatura de um contrato.

Inovação

O advogado considera o nível de inovação das empresas brasileiras muito baixo. "Ainda não consigo ver o surgimento de um negócio que seja o próximo Google por aqui", afirma. Por serem considerados cópias de empresas americanas, muitos negócios se tornam desinteressantes para os investidores, explica Sherman. Quanto mais genuína e original a ideia, maiores as chances de receber investimento.

Aprenda a negociar

A lógica dos investidores não soa sempre justa para o empreendedor. Além de perder parte do controle da empresa, a maioria dos contratos prevê que o fundador  não pode tomar nenhuma decisão ou deixar o comando da empresa sem consultar os investidores. O contrário, no entanto, pode ocorrer. "Ele vai perder o controle, é assim que funciona, porque o investidor está com todo o risco", afirma Sherman. Para não ter surpresas negativas, ele recomenda que o empreendedor tome cuidado especial antes de fechar o contrato e negocie todas as cláusulas que não estejam de acordo com os seus objetivos. A ajuda de um advogado pode fazer muita diferença nesse processo.

Saiba com quem você está negociando

Antes de fechar um contrato, todo fundo de investimento faz o processo de due dilligence para avaliar os documentos da empresa e os riscos do negócio. O contrário, no entanto, raramente acontece. E isso pode trazer inúmeros problemas para o negócio ou fazer o empreendedor descobrir tarde demais que seus interesses são muito diferentes dos interesses do fundo. "É como se você estivesse se casando", brinca o advogado. Pesquisar o histórico do fundo e conversar com outras pessoas que receberam investimento é essencial. 

Cuidado com as informações

Uma das maiores preocupações dos investidores, segundo Sherman, é que o fundador saia da operação da empresa. "Eles precisam ter certeza que isso não vai acontecer enquanto o dinheiro do fundo estiver aportado na empresa", diz.  É por essa razão que na hora de apresentar um projeto para o investidor muitos empreendedores erram. Enquanto os fundos estão interessados principalmente em saber o grau de conhecimento do candidato no seu ramo de atuação, a maioria se dedica a falar apenas sobre o produto, apresentando projeções irreais ou detalhamento excessivo da estratégia do negócio. "Ninguém quer saber de início todos os detalhes", afirma.

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