Tasso Marcelo/AE
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Saiba em que situações a franqueadora pode tirar uma loja do franqueado

Empresário pode ser descredenciado por vontade da rede. E se quiser sair por vontade própria e eleger um sucessor, o novo empresário deve passar pelo crivo da franqueadora

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

27 de outubro de 2011 | 07h20

A aposentadoria chegou às franquias. Como as primeiras redes surgiram na década de 50 no Brasil, muitos franqueados já atingiram a maturidade e agora dão lugar a uma nova geração de empresários. Ao passar o bastão, entretanto, eles constatam que não são os únicos responsáveis por definir o futuro de suas empresas. Cabe ao franqueador a palavra final a respeito da escolha do sucessor.

Confira abaixo as principais regras para definir a sucessão em uma franquia:

Tempo de contrato

O sistema de franquia funciona como uma concessão dada pela administradora da empresa para que empreendedores utilizem sua marca e vendam seus produtos e serviços por um tempo determinado. Esse prazo é estipulado em contrato e costuma variar entre três e dez anos.

“Ao fim do período, é a franqueadora quem resolve se vai renovar a parceria ou não”, enfatiza a advogada Melitha Novoa Prado, especialista em contratos de franchising. “Mas se tudo vai bem, não há porque descredenciar um franqueado.”

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O que pode descredenciar um franqueado

Para tomar essa decisão, a rede adota diversos critérios. O comportamento do empresário, o desempenho das vendas de sua unidade, o estado de conservação da franquia e o respeito aos padrões são alguns dos aspectos sempre observados.

“O empreendedor também precisa mostrar que está a fim de tocar o negócio e se identificar com o público e com a marca”, justifica Antônio Carlos Nasraui, diretor das franquias Rei do Mate, rede com 20 anos de existência. Quem não atende a essas exigências, está fora. “O mesmo raciocínio vale para aprovarmos ou não o sucessor escolhido pelo franqueado.” Caso não haja consenso, a franquia é repassada para outro candidato que a rede seleciona.

As características do sucessor

O Boticário, uma das maiores e mais antigas franqueadoras do País, já definiu com clareza quais quesitos o herdeiro de um franqueado precisa preencher para assumir o negócio. E a lista é grande. O candidato deve ter entre 24 e 50 anos e possuir formação superior, de preferência em administração de empresas ou economia.

“Também sugerimos que tenha pelo menos quatro anos de experiência na área comercial e de varejo, e dois anos de exercício em função de liderança”, informa Osvaldo Moscon, diretor de franchising do Boticário. O programa de avaliação e treinamento dos novos franqueados pode durar dois anos.

Quando a mudança é forçada

A mudança de comando de muitas empresas pode acontecer da noite para o dia. Mas isso não significa que as coisas vão necessariamente dar errado.

A franquia do Habib’s no bairro carioca de Taquara já tinha sido inaugurada quando o empresário Valdir Fazoni faleceu, aos 47 anos, com um aneurisma cerebral. Sem o marido, a professora de inglês Maria Lucia Fazoni viu-se obrigada a assumir o negócio. “Era a forma de sustentar meus três filhos”, conta.

A professora se revelou uma empreendedora nata. Com treinamento e dedicação, a loja deu bons resultados e Maria Lucia adquiriu outras cinco unidades. Hoje ela é uma das melhores franqueadas da rede.

O Habib’s também possui um programa de treinamento específico para os sucessores, com atividades práticas e teóricas. Mas para Alberto Saraiva, fundador da empresa, a característica mais importante que o sucessor deve ter é vontade de trabalhar. “É preciso estar na loja, perto dos clientes, para saber quais são os problemas e o que pode ser melhorado no dia a dia”, avalia o franqueador.

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