Tiago Queiroz/Estadão
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Rúgbi cresce e atrai negócios no Brasil

Modalidade, que volta para a Olimpíada após 80 anos, vê número de praticantes mais que dobrar em quatro anos

Marcelo Osakabe, Estadão PME,

28 de novembro de 2014 | 06h56

A primeira vez que Ricardo Ramunno participou de um treino de rúgbi, em 1980, estranhou o fato dos outros jogadores falarem apenas francês. Só depois foi entender. “Quando havia uma partida, cada time usava a língua para esconder seus códigos”, lembra o empresário, hoje com 50 anos. Na época, o esporte, no Brasil, era jogado apenas em colégios e clubes ligados à colônias estrangeiras, como a inglesa, francesa e argentina.

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De lá para cá, ‘Miúdo’, como ele ficou conhecido por medir 1,98 metros e pesar 145 quilos, não largou o esporte. Ramunno também foi treinador, jogador da seleção e até fundou um time, a Hippo Rugby. A equipe durou três anos, mas o projeto tinha uma segunda perna, a criação de uma marca brasileira de artigos esportivos. O recente crescimento do esporte por aqui deu sustentação ao plano.

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O rúgbi tem hoje cerca de 60 mil praticantes no Brasil, o dobro dos entusiastas de 2010, segundo dados da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu). A evolução da prática no País deu-se, em grande parte, por conta do trabalho iniciado por ex-jogadores e empresários admiradores do esporte. O grupo, em 2010, resolveu profissionalizar a gestão da confederação. Com metas de expansão objetivas e uma forte política de atração de recursos para a modalidade, a CBRu conseguiu o patrocínio de 15 grandes empresas e o orçamento saltou de R$ 832 mil, em 2010, para algo entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.

Desde 2012, a confederação tem um CEO em tempo integral, o argentino Agustin Danza. “Nossos planos falam em 300 mil atletas em 2030”, afirma Danza. “Mas sabemos que número importa menos que qualidade. Países como Tonga e Samoa tem populações minúsculas e equipes competitivas”.

Pesa positivamente para o esporte o fato de que ele voltará para a Olimpíada em 2016, em formato denominado ‘sevens’. A última participação foi em 1924, em Paris. A International Rugby Board (IRB), órgão máximo da modalidade, promove também um esforço para que a prática, até hoje lembrada como elitista, se popularize pelo mundo. O Brasil, por seu tamanho e afinidade com jogos coletivos, é uma das prioridades.

Investimento. Apesar do crescimento do esporte, os números do mercado ainda não animam grandes marcas a trazerem toda a linha de rúgbi para o País. Sabendo disso, empreendedores aproveitam a janela de oportunidade para fortalecerem suas marcas. Um deles é o próprio Ramunno, que largou seu emprego no mercado financeiro e investiu, até o momento, cerca de R$ 300 mil na Hippo Rugby. Ele começou produzindo equipamentos de treino e hoje vende 34 produtos da marca, desde bolas até capacetes e material de proteção.

Outro empresário do esporte é Felipe Claro, o Alemão da seleção brasileira de rúgbi. Administrador de empresas, ele percebeu a oportunidade enquanto fazia um curso de pós-graduação na Inglaterra. Claro montou um e-commerce para vender produtos ao Brasil e quando retornou criou a Shield Rugby, hoje especializada em produzir uniformes e equipamentos de treino – a empresa vende cerca de 130 itens no País. “Ainda é raro ver um pai ensinando rúgbi para o filho. Mas dentro de 15 ou 20 anos, teremos uma segunda geração jogando”, afirma o empresário, confiante. “Aí seremos grandes e competitivos”. Claro planeja faturar R$ 250 mil este ano.

No Rio Grande do Sul, duas marcas também disputam mercado. Curiosamente, tanto a Sulback quanto a Soul Rugby foram fundadas por argentinos, Aldo Tamagusuko e Martin Castillo. Ambas são um misto de e-commerce de grandes marcas com a fabricação de uniformes. A Sulback, entretanto, também trabalha com o conceito de mobile store, uma tenda que acompanha os dois times patrocinados pela marca. “Sabemos que o mercado ainda é pequeno, mas ele cresce a cada ano e isso nos motiva”, afirma Tamagusuko, que planeja faturar R$ 320 mil este ano, alta de 56% sobre o ano passado.

História. Já a Liga Retrô, especializada em réplicas de uniformes de futebol, investiu R$ 250 mil para trazer camisas de equipes conhecidas do esporte, como a da seleção neozelandesa All Blacks e também a da África do Sul de 1995, time retratado no filme Invictus. “Percebemos que o estilo das camisas já estava presente nas coleções de várias marcas de vestuário”, afirma Marcelo Roisman, sócio da grife. “O que fizemos foi juntar a parte comercial com a esportiva”. Roisman acredita que a linha de rúgbi deva responder por até 4% do faturamento da empresa nas vendas do Natal. 

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