Epitacio Pessoa/AE
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Romero Rodrigues: "precisamos aprender a louvar a falha"

Empresário destaca a importância da inovação e até do erro na construção de um negócio de sucesso

Ligia Aguilhar, Estadão PME,

26 de janeiro de 2012 | 07h34

Romero Rodrigues tinha apenas 21 anos quando criou com três amigos o que hoje é o maior site de comparação de preços, produtos e serviços da América Latina, o Buscapé. A ideia surgiu como eventual solução para o problema enfrentado por um dos futuros sócios da companhia: encontrar na web o menor preço praticado por uma loja na venda de uma impressora. Na época, Romero cursava engenharia na Universidade de São Paulo (USP) com Rodrigo Borges e Ronaldo Takahashi. Mario Letelier, o quarto integrante do grupo, estudava administração na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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O Buscapé começou em 1999 com pouco dinheiro e muita dedicação. Logo a empresa chamou a atenção de investidores, cresceu e comprou concorrentes. Dessa forma, Romero e seus sócios já comandavam, em 2009, o maior negócio da web brasileira. E foi aí que eles venderam 91% da empresa para o conglomerado sul-africano Naspers por mais de R$ 600 milhões.

Com o mesmo brilho nos olhos de um iniciante, Romero, hoje com 33 anos, participou do encontro promovido pelo Estadão PME com pequenos empresários. Ele destacou a importância da inovação e até do erro para o sucesso de um negócio. “Precisamos aprender a louvar a falha.”

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Inovação

Para o criador do Buscapé, inovar é essencial para a sobrevivência de uma empresa, especialmente no comércio eletrônico. “O e-commerce cresce uma média de 40% ao ano. Se você perde duas tendências seguidas, perde também a oportunidade de dobrar o seu faturamento”, diz. Para ele, a inovação deve ser incorporada ao DNA da empresa e encarada como meta de toda a equipe. “Eu poderia tocar o Buscapé com 20 pessoas, mas tenho 250 funcionários porque a maioria se dedica a desenvolver coisas novas”, afirma.

Crescimento

Romero não acredita em receitas prontas para o sucesso. Para ele, os bons resultados surgem do planejamento, da ousadia e, porque não, dos erros cometidos. “Precisamos aprender a louvar a falha”, argumenta.

De acordo com o empreendedor, foram três as estratégias adotadas para o crescimento do Buscapé: inovação constante, a compra de outras empresas e o desenvolvimento de uma plataforma aberta. “Nós sempre fizemos aquisições desde cedo porque essa é uma forma de inovar, trazendo para a empresa tecnologias que, associadas com a nossa plataforma, fazem a diferença.”

Sociedade

O segredo da longevidade da sociedade entre Romero e os outros fundadores do Buscapé é a existência de um objetivo comum. “Nós sempre temos conversas claras sobre os nossos objetivos. Nós quatro sempre acreditamos na mesma coisa e sonhamos em criar um negócio que fosse maior do que a gente”, afirma.

Para ele, sócios precisam saber também separar a relação pessoal da profissional e lidar com as divergências de opinião.

Diversificação

Antes de expandir, Romero e sua equipe se dedicaram à consolidação da empresa no mercado de comparação de preços. “Só em 2006, quando adquirimos nosso principal concorrente, o Bondfaro, e já tínhamos alcançado o ponto de equilíbrio, começamos a expandir.” Segundo ele, o radar do empreendedor deve estar sempre ligado para identificar negócios relacionados com a sua área de atuação e que possam agregar valor para a marca.

Marketing

Em uma época sem redes sociais, o Buscapé tornou-se conhecido no boca a boca e por meio de mídia espontânea, atraída pela história de empreendedorismo dos jovens estudantes. Ainda assim, Romero diz que foi preciso muita persistência para popularizar o serviço. “Nós negociávamos com parceiros a divulgação da nossa busca em troca da divulgação da marca dele em uma página do nosso site e prometíamos que no futuro, quando a gente ganhasse dinheiro com cliques, ele receberia uma parte”, recorda. A estratégia deu certo. “Gosto de brincar que naquela época a gente fechava negócios na base do amor.”

Motivação

Mesmo com a venda do controle do Buscapé, Romero não pensa em parar de trabalhar. Ele diz que sua motivação vem da consciência de que a empresa nunca foi sua propriedade. “Muitos empresários se perdem com essa ideia. Na verdade, você nunca deixa de ser pai do seu filho, o que é diferente de ser o dono dele”, explica.

Plano de negócios

Romero diz que foi por causa do plano de negócios, elaborado por ele e os sócios, que o Buscapé tornou-se não apenas pioneiro no mercado, como também responsável pela criação de um nicho. “Na época, ninguém falava em comparação de preços, apenas em pesquisa de preço. Nós conseguimos criar um nicho totalmente novo com o nosso conceito”, conta.

Seu conselho para os empreendedores é que eles façam um plano de negócios para identificar uma nova oportunidade de mercado e uma forma de se diferenciar da concorrência.

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