Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Retração no setor força a busca por consumidor jovem

Além de aprimorar a bebida, segmento também enfrenta o desafio de conquistar a geração millenial

Roberta Cardoso ESPECIAL PARA, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2017 | 08h24

No ano passado, as vendas da bebida no País encolheram 3,6% (501,5 milhões de litros), segundo dados da consultoria Euromonitor International. Para 2017, a expectativa é de que as vendas fiquem 2% menores (491,5 milhões/l). 

Na avaliação da analista sênior da consultoria Euromonitor International, Angelica Salado, a queda nas vendas tem dois motivos: reflexo da crise e a substituição da cachaça por vodca de preço mais baixo no preparo de caipirinhas. “A recessão, claro, está afetando o segmento. Essa cachaça é consumida principalmente em bares por pessoas de baixa renda, que foram muito impactadas.” No caso da bebida com maior valor agregado, houve uma queda menor entre consumidores da classe média. “As pessoas deixaram de beber duas caipirinhas para beber uma.” 

NOVO OLHAR PARA UMA VELHA CONHECIDA

Atualmente, 90% da cachaça consumida no Brasil tem baixo valor agregado, com preço inferior a R$ 20. A resposta do segmento para reverter a desaceleração, além da sofisticar o produto e obter maior valor agregado, passa também pelo desafio de renovar o público consumidor.  Na visão da analista, a geração millenial (nascidos entre 1980 e 1994) pode ser a solução do gargalo. Eles correspondem a 24% da população. Além de conectados, também têm como característica a adoção de marcas como estilo de vida. “São eles que impulsionam as categorias de bebidas que crescem em vendas.” 

Por isso, diz Angelica, houve o investimento na produção de cachaças com sabores, aromáticas e que de alguma forma oferecem uma experiência de consumo diferenciada.  Além disso, acrescenta, existe a tendência de mercado valorizar a produção nacional e as boas práticas da cadeia inteira. O manejo sustentável também pesa positivamente, embora preço e variedade de marcas ainda sejam determinantes para a escolha da bebida. “É muito mais uma questão de posicionamento do que qualquer outra coisa. Existe um ponto de convergência no mercado entre as novas cachaças e o consumidor mais jovem.”

Prática sustentável pode valorizar e diferenciar marcas

A cachaça não escapa da tendência mundial de valorização da cadeia produtiva e de práticas sustentáveis. Processos cada vez mais sofisticados são implantados em engenhos e alambiques. Na Wiba, utiliza-se apenas as partes nobres da cana, evitando os pedaços responsáveis por aumentar ressaca e o odor característico provocado pelo consumo excessivo do destilado. Lá, o bagaço também é transformado em etanol, que fornece energia para os veículos do alambique. Já a pernambucana Sanhaçu nasceu com o selo de produto orgânico e, em 2015, tornou-se o primeiro engenho do Brasil a operar com energia solar. Segundo Elk Barreto, sócia, trilhar uma trajetória que contemple qualidade e responsabilidade ambiental foi difícil no início. Mas se tornou um grande diferencial para a marca se destacar entre consumidores. “O custo de produzir cachaça orgânica é mais alto. Eu sabia disso e não desisti quando, no início, oferecia a bebida e os compradores recusavam, por acharem que era cara demais”, conta.

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