Reprodução/Facebook
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Religiosos faturam vendendo bebidas alcoólicas e até derivados de maconha

Na França, monges se dedicam à fabricação de licor; nos Estados Unidos, mulheres de uma ordem independente fazem remédios à base de maconha

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2016 | 05h00

Seja por questões econômicas ou medicinais, religiosos da Europa e dos Estados Unidos investem - e faturam - na produção de bebidas alcoólicas e até de produtos com maconha. Na Califórnia, membros de uma seita religiosa chegam a faturar US$ 60 mil por ano com a venda de medicamentos à base de canabidiol; e, na França, um licor de monges católicos de 1605, cuja receita é mantida sob segredo, vendeu cerca de 1,5 milhão de garrafas no ano passado.

Nos arredores da cidade de Grenoble, nos Alpes franceses, monges da ordem dos Cartuxos fabricam o Chartreuse, bebida em homenagem ao nome das montanhas onde está localizado o mosteiro. O líquido com alto teor alcoólico recebe em sua receita cerca de 130 plantas, ervas e flores não especificadas, como mostrou reportagem da emissora britânica de televisão BBC.

Apenas três monges fazem a mistura das plantas, a entregando para uma destilaria em pacotes que não identificam os ingredientes. No início da produção em maior escala, em 1840, a destilaria ficava dentro do próprio mosteiro. Atualmente, após várias mudanças, a produção é na vila de Voiron, perto de Grenoble. A operação, entretanto, deve mudar de lugar novamente em 2018, devido à grande quantidade de vapor de álcool produzida e a necessidade de se estar em uma área mais remota.

Em entrevista à BBC, o guia do mosteiro, Mathilde Perrin, disse que as pessoas de fora "sabem muito pouco sobre  a produção". "Os monges fazem o que querem e não são obrigados a dizer a ninguém o que eles estão fazendo", disse. Os monges cartuxos evitam contato com o mundo exterior, mantendo o foco na contemplação e orações. Hoje, a garrafa é vendida por cerca de 50 euros.

Na Alemanha, perto de Munique, os monges beneditinos de Andechs produzem cerveja desde 1455. "Acreditamos que (seguir) a tradição de cerveja monástica requer tempo para criar um produto de alta qualidade", falou à BBC Martin Glaab, chefe de relações públicas da abadia.

Por ano, são vendidos 10 milhões de litros da bebida, que custa 4 euros por caneca, no restaurante do mosteiro. A renda dos dois produtos vão para os próprios religiosos e obras de caridade.

Maconha. No estado americano da Califórnia, as freiras da ordem independente Sisters of the Valley são devotas da cura, fazendo produtos à base da maconha que elas mesmas cultivam. Desde 2015, as mulheres se vestem com trajes católicos, mas seguem práticas espirituais derivadas do que chamam de "sabedoria antiga".

O grupo segue o ciclo da lua para realizar a produção, e as mulheres oram e meditam enquanto preparam as receitas na cozinha. Os produtos não são entorpecentes - por serem feitos de canabidiol (CBD), composto sem propriedades psicoativas, é e legalizado para venda e exportações.

Os preços variam entre US$ 85 e US$ 95 por produto, e os clientes podem comprar óleo de canabidiol, pomada ou tintura.

 

 

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