'Rei' dos concursos públicos muda para SP e agora quer crescer por franquia

'Rei' dos concursos públicos muda para SP e agora quer crescer por franquia

Se mudando do Recife para São Paulo, Renato Saraiva espera faturamento de R$ 84 milhões em 2016 

Vitor Tavares, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2016 | 06h00

O Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS) cresceu tanto que precisou sair do Recife, cidade onde o fluminense que dá nome ao negócio fundou o que viria a se tornar um "império" dos cursos online para concursos e exames de ordem. De malas prontas para São Paulo, o ex-militar da Aeronáutica e procurador do trabalho só pensa em expandir a empresa, reformulando e criando novos conceitos no mercado de ensino. Se o modelo de franquias inaugurado pelo CERS já abriu 25 centros de estudos em um ano, agora, em novembro, o empresário abre a primeira loja própria do grupo, na região da Avenida Paulista, com salas de estudo, biblioteca, estúdios para gravação e espaços para aulas presenciais. São, ao todo, cerca de 100 mil estudantes assinantes da plataforma, que devem render à empresa em 2016 o faturamento recorde de R$ 84 milhões, 20% a mais do que no ano anterior.

Para começar o negócio, Saraiva apostou todas as suas fichas: vendeu carro, imóvel e os direitos autorais dos livros que havia escrito na área jurídica -  juntando R$ 1 milhão - para alugar uma casa na capital pernambucana e começar a dar aulas. Deu certo, mas não do jeito que ele pensou. Com dificuldade para achar profissionais qualificados que topassem entrar numa sala - os que atuavam no mercado eram proibidos por outros cursos de fechar contrato com ele -,  repensou o modelo e se lançou como uma das primeiras ferramentas online de ensino, em 2009. "Eu estava no lugar certo, na hora certa e soube me aproveitar disso, quando o tipo de negócio na internet representava muito pouco", disse Renato, que foi atrás de profissionais de cidades como Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador para formar um time de professores.

Depois de sete anos se firmando como uma das principais ferramentas do tipo no País, o CERS faz quase uma volta às suas origens, retomando um cara a cara entre professores e alunos ou, pelo menos, oferecendo um lugar onde estudantes possam ter estrutura para estudar. "A gente percebeu que ter o ponto físico é uma tendência no nosso tipo de negócio, que pode ser vista em grandes redes, como Amazon ou Netshoes", explicou Renato. A marca hoje se expande principalmente no modelo de franquias, que foi inaugurado em setembro de 2015. A previsão é que, até o final de 2017, sejam 75 lojas espalhadas pelo Brasil. Com investimento inicial de cerca de R$ 500 mil, incluindo adequação do prédio e capital de giro, o espaço funciona como um centro de apoio aos estudantes e pode ser usado até por quem não assina o serviço online.

Desde o início da plataforma, Saraiva também criou um jeito próprio de pagar pelo serviço de professores e, assim, fidelizá-los. Ao invés de pagar pela hora/aula, o empresário adotou o modelo de participação dos lucros e resultados. Do valor que lucra, que representa cerca de 30% do faturamento, 30% é dividido entre os professores, proporcionalmente à quantidade de horas trabalhadas. Como nem todos eles podem ir para o Recife realizar as gravações, o grupo também profissionalizou o serviço de filmagens e produção de conteúdo. "Criamos um time que se dedica ao que faz, interagindo com alunos, respondendo as mensagens em até 48 horas e com forte atuação nas rede sociais", falou.

A crise econômica também não assustou o "rei dos concursos", que se recusa a ter esse apelido por "ser apenas mais um" no mercado. "Num momento de desemprego, é normal que as pessoas procurem se qualificar. E concurso público sempre vai existir, sempre haverá gente se aposentando", explicou Saraiva, que já tem interessados para quase todos os 100 espaços de estudo da nova loja em São Paulo, mesmo com a inauguração prevista apenas para 17 de novembro. Recentemente, o empresário adquiriu, junto a outros três sócios, a rede de franquias de cursos técnicos Instituto da Construção. A ideia é entrar num novo mercado - agora de ensino profissionalizante - ampliando o negócio principalmente para o Norte e Nordeste.

 

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