Diego Rzatki/EBCL Divulgação
Diego Rzatki/EBCL Divulgação

Vale do Itajaí, em Santa Catarina, quer se consolidar como polo cervejeiro

Para tanto, microcervejarias se unem em Santa Catarina para incentivar consumo local

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2016 | 06h00

Empresários à frente de microcervejarias catarinenses querem revolucionar o consumo das cervejas artesanais na região do Vale do Itajaí, que compreende 54 municípios do Estado. O plano de ação, que começou a ser delineado há dois meses por empreendedores do segmento, propõe a criação de um 'Vale da cerveja' que envolva os produtores de todo o Estado de Santa Catarina.

A primeira ação da empreitada é o programa 'Eu bebo cerveja local', que tem como porotagonistas os 'growlers', garrafas retornáveis com fechamento hermético utilizadas para que o consumidor leve o chope para casa. Por R$ 10, o consumidor adquire uma embalagem dessas e pode utilizá-la como garrafa retornável na compra de cervejas locais um preço máximo de R$ 20.

Implementado inicialmente em Florianópolis, mas com perspectivas de expansão, o programa já reflete de forma positivo nas vendas das cervejarias da capital. No caso da Cozalinda, pequena fábrica que também tem um pub com o mesmo nome, o aumento no consumo do rótulo próprio foi de 15% no último mês, quando o programa foi implementado.

Diego Sinmão Rzatki, proprietário da Cozalinda e um dos idealizadores do projeto, comemora o resultado. "Vamos abrir espaço para cervejarias que antes não tinham visibilidade”, conta. “Conseguimos aproximar o preço da artesanal ao da cerveja tradicional, pois não temos o custo do envase com os growlers”, comenta o empresário. 

Até o momento, são 13 empresas participantes do movimento, mas a ideia é ampliar esse alcance. “Queremos levar o ‘Eu bebo cerveja local’ para o Estado inteiro”, prospecta Rzatki. Com forte influência da imigração europeia sobre a produção local, o Estado acumula cerca de 60 microprodutores de cerveja, desde fábricas até pubs que oferecem ao consumidor o produto local. 

Para divulgar de forma eficiente os locais que participam do movimento, Rzatki e outros empresários se uniram para criar um aplicativo que orienta o consumidor a chegar aos pontos de recarga de cerveja artesanal. 

Associação. O posicionamento da região enquanto o vale da cerveja tem o apoio da Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc). O presidente da entidade Carlo Lapolli conta que os planos de reforçar a identidade cervejeira do Estado são ambiciosos. “Estamos buscando a formatação de um estilo de cerveja que represente o sul do País, assim como acontece em outras regiões do mundo, como a Califórnia, nos Estados Unidos”, comenta. 

A Acasc estima que a produção artesanal corresponde a cerca de 2% do consumo de cerveja em Santa Catarina, o dobro do que é calculado no Brasil inteiro. Nos últimos 15 anos, em torno de 50 cervejarias foram abertas na região. “É um número bastante alto em comparação a outros Estados. O turismo cervejeiro vai ser um grande negócio por aqui”, crava Lapolli.

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