Lupercio de Moraes está no comando da empresa Sorvetes Rochinha
Lupercio de Moraes está no comando da empresa Sorvetes Rochinha

Refresco contra a crise

Confira o que empreendedores do setor de doces fazem para reduzir o impacto da retração da economia em seus negócios

Estadão PME,

27 de outubro de 2015 | 07h10

Gostar de doce e de cozinhar é importante para quem pretende empreender no segmento. Mas só isso não basta. Ainda mais quando a economia está retraída, há queda de consumo, crise de confiança e aumento de custos da operação, com destaque especial para a alta dos valores cobrados pela energia, que tem grande impacto para as empresas do setor. As estratégias adotadas por empresários que vivenciam o dia a dia de um ‘doce negócio’ foram debatidas durante a 15ª edição do Encontro PME – Doce contra a crise, que ocorreu na quinta-feira passada no Espaço Itaú de Cinema do Shopping Bourbon, em São Paulo.

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Revisão de custos, diminuição da margem, proximidade – ainda maior – com o consumidor, expansão por meio de franquias e lançamento de novos produtos fazem parte do planejamento dos empresários. Para o diretor da Sorvetes Rochinha, Lupercio Fernandes de Moraes, por exemplo, quem pretende abrir o próprio negócio atualmente precisa ter espírito empreendedor, coragem e deve saber lidar com o erro. “Não tem mais espaço para o empreendedor empírico. O mercado tem um grau de competitividade violento.”

Segundo Moraes, aliás, ser média empresa, como é o caso da Rochinha, é a pior coisa do mundo: o negócio sai do estágio de ser pequeno e passa por um limbo de anos para ser grande. E o empreendedor empírico enfrenta dificuldade, justamente, nessa fase, quando ele precisa ter todos os departamentos de uma grande companhia, com os mesmos graus de competência, mas tem de usar a criatividade porque o dinheiro, invariavelmente, será menor.

“É preciso se preparar para ser empreendedor”, completa Moraes. A Sorvetes Rochinha e a Cuordicrema adotam, atualmente, a estratégia de reduzir a margem de lucro para enfrentar o período de retração. Do lado da Rochinha, a crise ainda não foi percebida no cotidiano do negócio.

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“A marca ainda tem uma possibilidade de expansão muito grande. Se estivesse em uma situação de estabilidade estaria mais preocupado”, afirmou Moraes durante o evento. Entre as ações que ajudam a fábrica de sorvetes está o congelamento do preço praticado, o que levou a companhia a reduzir sua margem de lucro.

“Entendemos que a compra do nosso produto é de impulso. Uma dica muito importante é pensar muito bem na precificação. A pessoa não vai deixar de consumir no verão se achar o preço razoável. Mas não sabemos até quando a gente vai conseguir segurar o preço. E, de longe, não está barato. O fato é que tem dado resultado”, disse.

Mais dicas. Um dos sócios da Cuordicrema, Lorenzo Barbati, contou durante o encontro que a rede otimizou suas compras, aumentou a escala, o que reduziu os custos com a matéria-prima, e ainda fez um pequeno ajuste na margem do produto. O negócio, aliás, está em um momento particularmente desafiador, já que não é “nem pequeno, nem grande”.

“É complexo fazer essa mudança. É preciso usar as mesmas estruturas e ter soluções criativas”, disse o empresário, que trabalha com produtos feitos diariamente e enfrenta, também, o desafio de crescer em outras regiões sem fugir do conceito de produção artesanal. “Existe uma maior dificuldade de ganhar escala.”

Segundo Barbati, a marca ainda procura atualmente trabalhar com novos produtos no portfólio – ele citou tortas e bolos. “Existe a necessidade de lançar novidades para manter o interesse do consumidor ”, afirmou Barbati, que é italiano e ainda precisa lidar com as diferenças culturais que encontra no Brasil. “Duas características do empreendedor são acertar o timing e ter a capacidade de antecipar alguns movimentos do mercado.”

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