Marketing Casa do Construtor
Wilce e Francisco Maciel pouco sentiram a crise Marketing Casa do Construtor

Reformas e diversificação alavancam a construção

Apesar da crise, inclusão de novos produtos no segmento levou a aumento durante período de recessão

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

O setor de casa e construção começou 2019 com boas notícias. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento registrou crescimento de 12,9% no seu faturamento na comparação com o mesmo trimestre de 2018. Esses números, no entanto, não podem ser considerados ainda uma tendência que se refletirá durante o ano.

“Esse crescimento provavelmente foi impulsionado pelo subsegmento de reformas, jardinagem e decoração. Não significa uma relação direta com a construção civil”, comenta Paulo Ancona, sócio-diretor da Ancona Consultoria.

“O consumidor final estava carente de cuidados e investiu em reformas. Os serviços de manutenção e limpeza estão com o mercado mais aquecido pela percepção das corporações da necessidade de gestão preventiva no que tange à manutenção elétrica, hidráulica, de ar condicionados, etc. O que estava adormecido, por falta de esperança no reaquecimento da economia, parece ter despertado. Vamos ver por quanto tempo”, afirma Ana Vecchi, especialista em franchising.

É o que diz Lara Rossete, gerente operacional do Grupo Zaiom, dono da franquia Doutor Faz Tudo. “A crise acabou ajudando a rede. Por causa dela, as pessoas procuram cada vez mais reformas, em vez de se arriscarem comprando imóveis novos.”

Francisco Maciel, franqueado da Casa do Construtor, rede especializada em locação de equipamentos para construção civil, concorda. Parceiro da franquia desde 2009, ele diz que a crise afetou de forma muito pequena seu negócio por atuar no nicho do varejo da construção. Segundo Maciel, “se a pessoa não comprou um apartamento novo, ela vai reformar o que tem.”

Maciel, de 69 anos, decidiu há dez anos, após se aposentar, entrar no ramo das franquias de casa e construção junto com sua esposa, Wilce Maciel, de 67. Há 37 anos atuando no mercado financeiro, ele diz que sempre gostou muito da área e, por indicação de um cliente antigo, acabou optando pela Casa do Construtor após realizar pesquisa sobre o assunto. Com um investimento inicial de R$ 400 mil para abrir sua primeira loja, hoje possui três estabelecimentos, um em Santana e dois em Santo André, no ABC paulista.

Variedade. O que também tem ocorrido nestes últimos anos, por causa da crise, é uma diversificação do setor, com a inserção, por exemplo, de produtos de outras áreas, como jardinagem e limpeza, o que gerou uma mudança do perfil dos clientes. Se antes eles eram principalmente da área da construção, passaram a incorporar pessoas e empresas de fora do setor, como condomínios.

Sobre isso, Maciel destaca: “Nós fomos diversificando a linha de produtos. Você tinha quatro ou cinco produtos próprios da construção que eram os carros chefes, mas o crescimento que ocorreu no período se deu em outras linhas, como a de limpeza e conservação. Ocorreu uma alteração grande quando começamos a ver migrar os clientes, que eram ligados à construção. De repente, tínhamos mais pessoas físicas e jurídicas não ligadas à área comprando.”

A iGUi, única empresa do ramo da construção a figurar no ranking da ABF das 50 maiores franquias em unidades de 2018, também diversificou seu portfólio, criando piscinas para um público de menor poder aquisitivo.

“Nosso perfil de consumidor, que era mais das classes A e B, mudou porque criamos novos produtos, passando a incorporar também a classe C”, diz Filipe Sisson, fundador e CEO da rede.

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Entrevista: 'O negócio de franquias é resiliente'

Para André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), setor oferece vantagens para quem deseja abrir primeiro negócio

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

Para André Friedheim, diretor-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF) para o biênio 2019/2020, as franquias oferecem importantes vantagens a quem começa um primeiro negócio. Uma delas são as marcas mais fortes presentes no setor. Com nomes consolidados no mercado, a segurança para um investimento é maior. “É preferível uma marca que já conheço que tentar algo novo de que posso me arrepender depois”, disse.

Segundo Friedheim, o mecanismo de funcionamento em redes também faz diferença. Isso porque proporciona maiores ganhos de escala, mais know-how e acesso mais fácil a fornecedores e tecnologia. Mesmo assim, é preciso tomar alguns cuidados. “Qualquer negócio envolve riscos, e com franquias não é diferente”, alerta. Por isso, é preciso planejamento antes de começar e comprometimento depois de iniciado o negócio.

Quais são os impactos da crise no setor?

O varejo sofre um pouco mais com essa situação, mas o franchising é mais resiliente do que os outros setores. Temos marcas mais fortes, mais know-how, maiores ganhos de escala, acesso mais fácil a fornecedores, tecnologia mais acessível. O investidor ganha mais força para competir.

E as perspectivas diante do cenário econômico do País?

Todos os desafios conhecidos na economia, como a alta carga tributária, também afetam o setor de franquias. Mas, os ganhos de escala acabam facilitando a superação das dificuldades. Vejo boas perspectivas mesmo na crise, porque trabalhar em rede é mais vantajoso do que de forma independente.

Por que ser um franqueado pode ser vantajoso?

Eu defino franquia com a palavra ‘acesso’. Pode ser a marca, o know-how, a tecnologia, os ganhos de escala. A possibilidade de participar de uma rede de negócios garante ao empreendedor mais força do que se fosse em um negócio individual. A franquia dá essa vantagem, que é de sair na frente. Mas, nada vai substituir o trabalho do franqueado na ponta. Sempre com apoio do franqueador.

Quais os segmentos mais promissores para se ter uma franquia?

Alimentação é um setor tradicional, continua crescendo. Os aplicativos são mais um canal de distribuição que ajudam o segmento. As pessoas comem três vezes por dia. Então, é um setor bem forte. Há, também, os serviços educacionais, porque existe um déficit do governo que permite que empresas de escolas particulares tenham um espaço a crescer. Só uma minoria do país fala inglês, por exemplo. E o setor de serviços em geral. Estamos passando por uma fase de profissionalização dos serviços no Brasil. Isso tem influência de marcas de franquias estrangeiras. Se antes os clientes podiam ficar incomodados com o ambiente de oficinas mecânicas, agora já existem marcas que prestam esse serviço de forma muito mais profissional do que no passado: fornecem nota fiscal, seguro, treinamento aos funcionários, a oficina está sempre limpa. Você confia mais. Todo esse processo de profissionalização dos serviços vai fazer com que esse segmento continue crescendo por mais um tempo.

Existem vantagens específicas em se trabalhar com uma marca?

A marca é muito mais importante no atual momento, porque ninguém quer errar ao fazer uma compra. Com a credibilidade da marca, a compra é certeira. É preferível uma marca que já conheço do que tentar algo novo de que posso me arrepender depois.

Os empreendedores de franquias também enfrentam riscos?

Qualquer negócio envolve riscos e com franquias não é diferente. Mas, o risco é menor. As taxas que devem ser pagas às franqueadoras ainda são menores do que os custos de abrir uma empresa de maneira independente.

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As microfranquias levam a novos horizontes

Sem oportunidades em sua área, engenheira Rafaela Corrado investiu no segmento

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

A engenheira Rafaela Corrado, de Arapongas, no interior do Paraná, teve dificuldade de reinserção no mercado de trabalho depois de uma gravidez. Diante desse quadro, ela decidiu comprar, por R$1,9 mil, uma microfranquia da Suporte Smart, empresa de conserto de celulares em domicílio. Hoje, de volta ao batente, recebe uma média de R$ 2,5 mensais.

Agora, pode reservar as manhãs para se dedicar ao filho de dois anos. “Faço meu horário e atendo quantas pessoas quiser por dia”. A rotina com a franquia é flexível. “Clientes que veem a propaganda entram em contato tanto pelo site para solicitar um técnico. Contam uma prévia do que está acontecendo com o aparelho e vou até eles.”

Mas é preciso tomar alguns cuidados ao abrir uma microfranquia. Principalmente em momentos de desemprego e dívidas acumuladas. O consultor do Sebrae de São Paulo Ruy Barros observa que esse perfil de empreendedor pode cometer erros graves. “Se não fizer o processo de pesquisa e planejamento da forma correta e investir o dinheiro em coisas erradas, depois de seis meses ou um ano estará mais endividado ainda”, alerta.

Há outro ponto. O custo de aquisição pode levar à falsa impressão de que microfranquias são uma forma de “comprar o emprego”. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) diz que custam até 90 mil reais. Há opções por menos de R$ 2 mil, como foi o caso de Rafael em Arapongas. “Vou abrir um negócio só porque não quero ter chefe ou horário? É melhor não abrir”, alerta Fabiana Estrela, diretora de capacitação da ABF.

Já Barros lembra que é importante observar as cláusulas do contrato. “Há pessoas muito dinâmicas. O franqueado vai ser dono do negócio, mas precisa obedecer as regras do franqueador.”

É preciso certeza de afinidade, lembra Estrela. “Quando se abre um negócio, mesmo pequeno, há um investimento de energia muito grande.”

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Expectativa de vida cria oportunidade na saúde

Franquias começam a surgir com o envelhecimento da população

Estadão, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 06h00

A médica Joyce Caseiro abriu a empresa Terça da Serra, de cuidados a idosos, em 2014. A primeira unidade, em Jaguariúna, interior de São Paulo, já começou lotada."Não imaginava que, cinco anos depois, o negócio se tornaria uma franquia de 45 unidades. A proposta é oferecer um local acolhedor a pessoas idosas. O diferencial é que serviços médicos eventualmente necessários fazem parte do pacote. “É uma casa com bastidor de hospital”, diz ela.

Além das unidades Terça da Serra, a rede também inclui o empreendimento Quinta da Colina, um pouco mais em conta – as mensalidades custam R$ 4,5 mil e R$ 3 mil, respectivamente.

“Alguns queriam ser atendidos, mas não podiam pagar. É o mesmo serviço, mas só um pouco menos personalizado”, explica Joyce.

No primeiro modelo há quartos individuais. No outro, são divididos. Joyce conta que o processo para converter o modelo de negócio em franquia foi rápido. Outros médicos souberam da proposta e quiseram investir. Duas novas unidades devem iniciar trabalhos em breve – uma em Belém (PA) e outra em Juiz de Fora (MG).

O caso da Terça da Serra não é o único. Algumas franquias já observam oportunidades com o envelhecimento da população. Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio, mostrou que, entre 2012 e 2018, o número de brasileiros com mais de 65 anos cresceu 26%.

“Há também um aumento da qualidade de vida. A pessoa envelhece com saúde e, se souber se planejar, com dinheiro”, diz a coordenadora do Business HUB da FAAP, Alessandra Andrade.

Luiz Felipe Breternitz é dono de quatro franquias da rede Terça da Serra no interior de São Paulo. Médico, ele não quis deixar a profissão. “Um jovem tem pneumonia e em sete dias já deve estar bem. Um idoso pode levar três meses”, explica Breternitz.

As particularidades do público-alvo inspiram também cuidados com o ambiente em que vivem. “Em três meses no hospital, um idoso terá mais complicações por estar internado do que pela própria pneumonia que o levou lá.”

Outra possibilidade são negócios voltados a idosos que necessitam de cuidados especiais. A enfermeira Melina Probaos resolveu abrir uma franquia da Home Angels na capital paulista por identificação com o público. “Sempre gostei desse nicho”, afirma.

A empresa oferece serviços de cuidadores de idosos que vão à casa do cliente. “Atendemos nossos assistidos na própria residência porque achamos que deixá-los em ambiente familiar é melhor para o bem estar.”

Para o bom funcionamento do negócio, Melina supervisiona com atenção um grande número de cuidadores. “Eles são responsáveis por tudo que envolve o mundo do idoso: desde a questão emocional até higiene, lazer, refeição”, conclui a enfermeira.

 

Plano de saúde caro impulsiona setor

O segmento de franquias em saúde, beleza e bem estar teve crescimento de 9,2% em faturamento no primeiro trimestre de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018. Houve 6,7% de expansão de novos negócios nesse período. “O que mais puxou o aumento foram serviços médicos e odontológicos, além de óticas”, explica Vanessa Bretas, gerente de inteligência de mercado da ABF. A expansão deve continuar.

“Há um nicho intermediário na população que não tem acesso a planos de saúde mais caros”, afirma Vanessa.

Essa percepção levou a enfermeira Lilian Scucuglia a abrir uma franquia da PartMed em Ourinhos (SP) em 2018. Sensibilizada com a realidade da saúde pública, decidiu-se por um negócio de perfil popular.

“O paciente não pode pagar um plano de saúde, mas não quer ficar um ano esperando um atendimento.”

Enquanto o marido de Scucuglia, médico, é o responsável técnico, ela cuida dos aspectos administrativos. “Meu faturamento em maio foi 26,2% mais alto que em relação a abril”, comemora.

É bom lembrar que o dia a dia em negócios de saúde é pesado. O médico Otávio Gomes tinha essa percepção e escolheu abrir uma franquia de estética. É franqueado da Posé, em Goiânia. A formação como médico é de utilidade no negócio de procedimentos estéticos porque em ambas as atividades é importante a capacidade de empatia com as pessoas atendidas. “Às vezes, procuram fazer um procedimento de beleza, mas o que buscam, de fato, é uma conversa”, conta.

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