Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Rede tenta emplacar franquia no setor pet

Empresário investe R$ 11 milhões para trazer marca americana; para especialista, desafio é garantir lucro do investidor

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

03 de fevereiro de 2015 | 07h09

Um passeio pelo comércio de bairro indica que, na hora de abrir uma empresa, o brasileiro tradicionalmente considera opções como pizzarias, padarias ou, nos últimos anos, um pet shop. Esta última, é hoje uma aposta repetida 33.480 vezes, que é o número de lojas neste momento em operação no País, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB). Mas, para além da competição já estabelecida entre os estabelecimentos para animais, há quem acredita que o mercado ainda reserva muitos espaços para novos empreendedores.

:: Saiba tudo sobre o mercado pet ::

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

A força nessa crença justifica, por exemplo, a empreitada de Rodrigo Albuquerque. Ele acaba de investir R$ 11 milhões para trazer ao Brasil a marca de varejo norte-americana Petland, com 146 unidades em 11 países e US$ 250 milhões faturados em 2013. A rede aposta na composição entre farto sortimento de serviços e acessórios, aliados a alguns parâmetros próprios de gestão para destacar-se no mercado de pet shops com até 400 metros quadrados, nicho que na visão de Albuquerque cresceu muito, mas de forma desorganizada no Brasil.

“Tirando as duas grandes redes, que se posicionam no conceito de mega stores, as lojas de bairro ainda carecem de gestão, de métodos de vendas e poder de negociação com os fornecedores. A gente quer ser eficiente exatamente nessas carências para ganhar mercado”, conta o administrador de empresas que tem como plano abrir 22 franquias e quatro lojas próprias até o fim de 2015.

Respaldado por um grupo de investidores, incluindo aí o próprio pai, Fernando Albuquerque, fundador da extinta incorporadora Agra e atual sócio da rede de imobiliárias RE/MAX Brasil, Rodrigo Albuquerque vê como trunfo para seu negócio a importação de um modelo que se desenvolve há 50 anos e que tem na experiência da compra um diferencial estratégico.

Todas as unidades que comercializam cachorros, por exemplo, são dotadas de um espaço para que o cliente possa interagir com os animais, ao passo que simultaneamente recebe informações sobre as raças indicadas ao estilo da família.

Um dos programas de fidelidade da rede consiste em emitir uma espécie de ‘certificado de garantia’ dos animais. Se o proprietário comprar um pacote de ração na loja a cada 45 dias, a marca afirma que dá um outro cão da mesma raça no caso de uma fatalidade, mesmo em caso de morte por idade. “Nosso foco é vender acessórios, onde temos até 100% de lucro", conta Albuquerque. Ele já tem duas lojas próprias em São Paulo e três franquias instaladas.

O investimento em uma franquia vai de R$ 350 mil, para uma loja de 100 m², até R$ 900 mil, em unidades com 400 m². Com projeção de receita de R$ 438 por m² ao mês, a expectativa, segundo Albuquerque, é que uma loja na menor configuração alcance receita de R$ 525 mil no primeiro ano. “A gente usa o poder de compra da marca para negociar melhores margens e garantir preços competitivos.”

Desafio. Mas, para além do preço final ao consumidor, o grande desafio da marca, na opinião do consultor para o setor pet, Sergio Lobato, passa por entregar ao franqueado margens consistentes de lucratividade. “Esse mercado tem espaço e, sim, falta uma rede no segmento de pequeno e médio varejo. Mas a rede precisa dar ao franqueado opções de lucratividade, que não a ração, para ampliar a receita e o lucro”, observa. “Houve no passado tentativas de outras marcas de franquias, mas nenhuma, de fato, se consolidou. Mas eu considero que algo desse tipo pode ser bem-vindo ao mercado”, destaca o consultor Lobato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.