Recessão técnica não surpreende pequeno empresário

Com demissões e desânimo sobretudo na indústria, setor já esperava por nova queda no PIB

Renato Jakitas, Estadão PME,

29 de agosto de 2014 | 09h46

O quadro de recessão técnica da economia brasileira, evidenciado nesta sexta-feira, 29, com a variação negativa de 0,6% no PIB do segundo trimestre de 2014 comparado ao resultado  dos três meses anteriores, não surpreende os pequenos e médios empresários, sobretudo os que atuam nas atividades industriais e de varejo.

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Na opinião do presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi-SP), Joseph Couri, o resultado já era dado como favas contadas pelo setor, que de abril a junho ampliou o ritmo de demissões e viu minguar a confiança do empresariado.

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"Na verdade, acho que esse número vem confirmar o clamor que está no dia a dias das empresas, negócios que estão demitindo conforme nosso monitoramento, o que intensifica um movimento de reclamação generalizada entre os empresários em relação à diminuição de receitas e uma oscilação também negativa de vendas", diz Couri, embora aposte em um cenário melhor para o segundo semestre, não acredita em uma recuperação da economia.

"O que estamos ouvindo é que a Copa acabou e há toda uma sinalização de que aconteceu uma melhora na economia, mas ela está abaixo das expectativas. Estamos vendo o mercado financeiro reticente e, por isso, estamos vendo uma falta de investimento. E um reflexo de que o mercado não está andando como deveria", destaca.

Empresários. A opinião de Joseph Couri é a mesma da empresária Mirian Torser, dona da uma fábrica de cosméticos em São Paulo, a Phytotratha. Ela toca a empresa há 19 anos e conta que, neste primeiro semestre de 2014 enfrentou um dos períodos mais difíceis dos últimos tempos.

Miriam mantém uma linha de produtos com 150 itens e, além disso, a empresária também terceiriza a produção para outras seis empresas do ramo. "Enfrentamos um primeiro semestre complicado", conta a química que já vinha de um de 2012 de retração (o faturamento caiu 11%) e, de janeiro a junho de 2014 viu os resultados reduzirem mais 3%.

"Precisei demitir. A gente tinha 25 funcionários e, agora, temos  19", afirma ela, que espera um segundo semestre de  retomada, embora se diga espantada com o pessimismo dos clientes.

"Os nossos clientes não confiam na economia, estão todos muito preocupados. Antigamente o cliente comprava uma caixa  de produto, já para manter um estoque pequeno, hoje ele compra somente o que vendeu. Temos cliente em Goiás e  Manaus, onde o produto leva de 15 a 20 produtos. E nem ele compra estoque. Ele prefere ver o produto faltar do que  se arriscar a ter uma reserva", diz.

Outro que não recebeu a recessão técnica como uma novidade foi André Garcia, dono da Trix, uma empresa que produz e  comercializa relógios de pontos, catracas e controles de acesso para empresas. "Eu tenho a empresa há 30 anos e,  olha, não me lembro de enfrentar um período de tanto desânimo entre os empresários quanto atualmente", diz.

Em oito meses, Garcia viu sua empresa reduzir drasticamente de tamanho. Ele saiu de um faturamento de R$ 20 milhões  em 2013 para uma estimativa de R$ 12 milhões, agora. "O mercado está, de uma forma geral, 20% a 30% menor", conta  ele, que também teve de demitir para se adequar ao novo momento. "A gente tinha 198 empregados e, agora, somos 88."

Entenda. Recessão técnica é como os economistas denominam a repetição de resultados negativos do PIB por dois trimestres consecutivos. O PIB é a soma das riquezas de um país e, no segundo trimestre, sofreu variação de 0,6%  na comparação com os três meses imediatamente anteriores (o trimestre anterior já tinha recuado 0,2%).

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