Mãe e filha cuidam de negócio em Paris
Mãe e filha cuidam de negócio em Paris

Recessão chega aos brasileiros no exterior

Empresários também começam a sentir a retração pela qual passa a economia do País nos negócios que montaram para atender a uma demanda que era crescente

Renato Jakitas, O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2015 | 16h59

Passear por Paris consiste em experimentar pontos turísticos consagrados, esbarrando pelo caminho com outros grupos de viajantes. Radicadas na Europa há 30 anos, as empresárias Lina Hauteville e Mariana Berutto, mãe e filha, sabem bem disso.

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Desde 2007 elas cuidam da Conexão Paris, página na internet com dicas de passeios na Cidade Luz. Há cinco anos, elas faturam com a intermediação de alguns serviços e roteiros turísticos, sempre voltados aos brasileiros. O negócio chegou a faturar R$ 1 milhão no ano passado, mas sentiu o impacto da crise que se instalou do lado de cá do Atlântico. “Neste ano, vamos descer um degrau (do faturamento)”, conta Mariana, que após os ataques de novembro, está preocupada. “A gente espera um 2016 ainda mais difícil. Ainda mais agora após o atentado terrorista”, analisa.

É assim, em linhas gerais, que está o ânimo dos brasileiros que nos últimos anos optaram por empreender no exterior justamente para atender a demanda, até então crescente, de seus compatriotas.

É exatamente o que faz Lincoln Fracari, desde 2009 na cidade de Shenzhen, na China. Na época, ele iniciou as operações da China Link Trading, que faz a ponte entre comércios eletrônicos e empresas brasileiras que desejam importar produtos no continente asiático. “A gente vinha crescendo de uma maneira impressionante. Mas, neste ano, pra dizer a verdade desde a Copa do Mundo de 2014, percebemos uma queda continua. Nossa receita caiu 30% de outubro a outubro”, conta Fracari. Ele faturou US$ 1,4 milhão em 2014 e, segundo suas contas, deve no máximo empatar esse resultado em 2015. “A instabilidade do câmbio é um problema. Teve mês que o dólar variou 40%. Precisamos, inclusive, demitir. A gente estava, no ano passado, com 35 funcionários. Hoje somos 18.”

Em Vacouver há mais de uma década, Rosa Maria Troes cuida da agência Canadá Intercâmbio, com 12 franquias no Brasil. Segundo ela, com a desvalorização do real, o impacto nos negócios se dá principalmente na revisão do período de permanência dos clientes. “O que acontece é que aquele estudante que estava programado para passar 24 semanas, talvez venha agora por 12 semanas”, conta. Ela notou uma mudança nos objetivos dos clientes. “Há o aumento de famílias que chegam para talvez ficar. Em 2014 foram 18. Neste ano, está em 38 famílias."

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