Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Reality  show do empreendedorismo: os erros que os consultores do Sebrae-SP ajudaram a resolver

Um dos piores equívocos cometidos é não separar pessoa física e pessoa jurídica

ESTADÃO PME,

08 de janeiro de 2014 | 06h28

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) já cruzou o caminho de muitos empresários que foram buscar orientação para abrir ou melhorar suas empresas. Dúvidas sobre finanças, marketing, administração e jurídico fazem parte da rotina da equipe de atendimento presencial e remoto da entidade. Para saber os principais enganos cometidos pelos empresários, o Estadão PME conversou com dois consultores.

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De acordo com o consultor financeiro da Central de Atendimento do Sebrae-SP, João Carlos Natal, um dos piores erros cometidos, e identificados pela entidade, é não separar a pessoa física da pessoa jurídica. "Culturalmente, o brasileiro não tem esse cuidado e paga as contas pessoais dentro do fluxo de caixa. Isso atrapalha o fluxo de caixa e traz um sentimento ruim de acreditar que a empresa não dá retorno", afirma Natal.

Confira a seguir alguns exemplos contados pelos consultores:

Formação de preço de venda

Muitos empresários não conseguem visualizar todos os custos. Um exemplo foi a dona de uma peixaria, que comprava o produto direto do pescador e vendia com margem de 30%. Questionada de ela levava em consideração os custos fixos e variáveis, ela respondeu: "Acho que 30% é sossegado". Não era.

Ao fazer as contas com o consultor, a empresária descobriu que teria que aumentar o preço em 49% para a venda. "Quanto mais ela vendia, maior o buraco ficava. Ela não quebrou porque vendia um volume muito grande. Quem não tem essa visão de formação de preço compromete a saúde financeira da empresa", destaca Natal.

Controle de estoque

Quem não tem controle do estoque dá margem para desvios de mercadoria e de dinheiro. "Um empresário só foi perceber o problema quando a esposa viu uma nota sendo paga, mas não lançada. É preciso ter o controle para saber se as receitas estão compatíveis", diz Natal.

Atendimento

O empresário deve orientar e treinar seus funcionários. Na praça de alimentação de um shopping, por exemplo, o funcionário de um restaurante registra apenas a refeição, mas não oferece uma sobremesa ou bebida. "A falta de preparo ou de vontade do funcionário vai exigir um giro grande de clientes para obter a receita necessária. É preciso agregar valor à venda, aumentar o tíquete médio", orienta Natal.

Empréstimo sem critério

A orientação para quem vai contratar crédito é se preparar, conhecer as linhas e os bancos concorrentes. Ter contas em bancos diferentes é importante para não ficar refém de um só. Em um dos casos atendidos, a troca de dívida da empresária iria representar a economia do valor do aluguel do ponto comercial.

Outro caso ocorreu durante o atendimento de um dono de um posto de combustível. Com uma dívida de R$ 1,2 milhão, a redução de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros já iria proporcionar uma economia de R$ 6 mil ao mês para o proprietário. O valor era mais alto do que o dono estava conseguindo retirar mensalmente.

Desconhecimento

O consultor do Sebrae-SP Reinaldo Messias lembra que uma empresa de produtos alimentícios não tinha conhecimento sobre a validade dos seus produtos. Os testes de durabilidade eram feitos com base na geladeira de casa. A orientação foi procurar um instituto técnico de alimento. Em outra situação, o dono da pizzaria não sabia que mais importante do que a massa da pizza é o molho. Isso porque a acidez do molho interfere na massa e pode deixar a pizza mole.

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