Monica Zarattini|Estadão
Monica Zarattini|Estadão

Realidade brasileira: quando a inadimplência pode determinar o fechamento do negócio?

Falta de fluxo no caixa é fator determinante para a saúde financeira e sobrevivência de um negócio na crise

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2017 | 07h00

Economia desaquecida significa, também, o aumento das taxas de inadimplência. O drama de ficar devendo na praça não traz dores de cabeça apenas para os devedores. Empresas são seriamente afetadas, principalmente as pequenas e microempresas, onde o impacto do fluxo de caixa pode determinar a sobrevivência do negócio na recessão que assola o Brasil. “Não adianta vender se o dinheiro não entrar. Sem dinheiro, não dá para pagar as contas da empresa. E se o fluxo de caixa for afetado pode comprometer fatalmente o negócio, principalmente se a crise for duradoura”, explica Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae-SP.

A especialista explica que o ponto nevrálgico está na forma como o pequeno empresário oferece crédito aos clientes, sejam eles de produtos, serviços e da indústria. “Quando você vai vender, precisa pensar como um banco. Mas o empresário não faz isso. Ele concede o crédito sem pensar”, diz Sandra.  O principal equívoco apontado por ela é não pensar e pesar em quanto tempo o dinheiro chegará ao caixa. “Muitos empresários reclamam das taxas que precisam pagar para oferecer o serviço de pagamento no cartão de crédito. Mas essa é ainda uma forma segura de fazer negócio, junto com o débito e o pagamento a vista em dinheiro”, diz.

Boletos. Na ânsia de não perder vendas, ou ainda por adotarem uma postura pautada no conhecimento técnico, mas não de gestão, ou até mesmo para evitar as taxas de operadora de crédito, muitos pequenos negócios disponibilizam o pagamento por boletos bancários.  

 

De acordo com a consultora, ao optar por essa modalidade, é extremamente necessário entender todos os riscos que ela traz. “Se o cliente não for correto, é necessário um monitoramento com muitas etapas, previstas pelo código do consumidor, para receber o dinheiro ou protestar judicialmente pagamento não feito”, explica. “Se trabalhar com formas mais seguras, como dinheiro e cartões de crédito e débito, a empresa não corre tantos riscos. Cheque é um título, também dá trabalho, como o boleto”, enfatiza.

Ainda assim, se o pequeno empresário achar que vale a pena, Sandra recomenda que o empresário tenha muito conhecimento do seu negócio e do seu público. “Cheque, por exemplo, é um título. Dá trabalho também. Mas digamos que o perfil da loja seja voltado para um público mais velho, com estabilidade financeira, esse empresário corre menos riscos que aquele que vende para jovens, que ainda não estão financeiramente estabelecidos”, finaliza.

 

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