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Queixas de assédio inspiram versões do aplicativo Uber para mulheres

Em uma semana, duas empresas anunciam entrada no nicho que é visto como o ponto frágil da líder global no setor

Renato Jakitas e Vivian Codogno, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2016 | 17h24

Nos últimos meses, crescem os relatos de mulheres que se dizem assediadas por motoristas da Uber, a líder global no negócio de compartilhamento de carros. Enxergando nessas queixas uma eventual fragilidade da gigante emergente, uma nova leva de pequenos empreendedores começa a testar o nicho de aplicativos dedicados exclusivamente para o público feminino. 

No começo do ano que vem, entra em operação a Venuxx, que funciona como a Uber, só que com a diferença de só contar com motoristas e passageiras mulheres. A empresa começou a ser concebida no começo do ano, deu início à prospecção das motoristas agora em dezembro e começa a fazer negócios até 15 de janeiro, segundo Diogo Gomes, um dos quatro sócios (todos homens).

"A gente só atenderá mulheres. Se a cliente estiver com o pai ou o namorado, não vai poder usar o serviço, terá de pegar um Uber", conta Gomes, que mantém com o irmão um pequeno e-commerce de cosméticos e produtos de higiene pessoal. 

Antes da Venuxx, entretanto, quem já está em operação é a FemiTaxi, que começou a testar esse mercado na semana passada. O objetivo da empresa é abarcar uma frota de 500 motoristas mulheres até o fim de janeiro do ano que vem na cidade de São Paulo. O fundador é o francês Charles-Henry Calfat, e seus planos seguir com o aplicativo para outras capitais, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, já no ano que vem.

Para trazer clientes, Calfat vai aplicar uma estratégia intensiva de descontos, que já está virando prática comum nesse setor, por meio de cupons.  "Na guerra entre motoristas particulares e taxistas, encontrei nas reclamações de amigas sobre comportamentos inadequados (dos motoristas) uma brecha para apostar no nicho", comenta o empresário. 

Calfat, no entanto, vai ter de enfrentar a concorrência direta de um peso pesado nesse setor, a 99 Táxi, que desde de 17 de outubro incluiu um botão em seu aplicativo para clientes mulheres solicitarem apenas taxistas do sexo feminino. Apesar de algumas queixas de passageiras, que reclamam da falta de motoristas disponíveis no app, a empresa agora resolveu incluir o mesmo serviço no 99 POP, de motoristas particulares.

Alias, encontrar motoristas mulheres também é um desafio para os demais empreendedores que decidem atuar nesse nicho. A própria Uber, por sinal, tem dificuldade. Faz dois anos que a empresa anunciou um programa global para criar, até 2020, um milhão de vagas de motoristas para mulheres em seus serviços. A empresa não abre números de motoristas, portanto não dá para saber quantas existem no Brasil, mas a verdade é que ela são poucas.

Na opinião de Diogo Gomes, da Venuxx, o plano da Uber pode não ser bem-sucedido. Ela acredita que o próprio modelo de expansão exponencial da empresa americana tende a gerar dificuldades, seja na segurança, seja na atenção a um nicho. "Uma mulher não se sente muito segura em colocar quatro amigos bêbados chegando da balada dentro do carro", diz ele. "Über está muito concentrado em um crescimento massivo, vai ser difícil atenderem uma demanda de nicho como essa", arrisca, mostrando que além de marcar posição no nicho, apostar contra também faz parte de quem resolver agora morder um pedaço desse bolo gigantesco.

 

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