Setor amarga queda de 38,8% na produção de automóveis leves e pesados de janeiro de 2015 para 2014
Setor amarga queda de 38,8% na produção de automóveis leves e pesados de janeiro de 2015 para 2014

Queda de quase 40% nas vendas de carros novos ameaça futuro de fabricantes de autopeças

Mal desempenho vem corroendo os resultados das quase 100 mil empresas que atuam na cadeia de valor desse segmento

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo,

05 de fevereiro de 2016 | 11h00

A forte queda na produção e venda de automóveis anunciada ontem pela Anfavea deu dimensões a uma realidade que, nos últimos meses, vem corroendo os resultados de uma parcela importante de pequenos e médios negócios locais: as indústrias que se inserem na cadeia de valor das grandes montadoras. 

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Com uma redução de 29,3% na produção e 38,8% na produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, na comparação entre janeiro de 2016 com igual período do ano passado, as cerca de 100 mil micro e pequenas empresas que se dedicam exclusivamente ao fornecimento para esse setor estão também em queda livre, tentando se reacostumar com uma realidade financeira de pelo menos 13 anos atrás.

Em São Paulo, a Metalúrgica Cartec, uma das 40 mil fabricantes de autopeças em operação no Estado, diz que em quatro anos o faturamento encolheu pela metade.

"Em 2011, eu tinha uma produção mensal de 170 mil peças, agora, faço no máximo 90 mil por mês", conta o presidente, Valter Kwas. O faturamento da empresa, que entre outras linhas produz tubos de alta pressão para motores à diesel e componentes de injeção de combustível para linhas de pesadas (caminhões, ônibus e tratores), hoje é de R$ 3,5 milhões por mês, 50% da receita há quatro anos. 

Para se adequar a nova realidade, a Cartec demitiu 20 funcionários em janeiro, 10% da mão de obra da empresa. "No ano passado a gente fechou um acordo com o sindicato reduzindo a jornada de trabalho. Agora, vamos propor trabalhar uma hora a mais por dia e dispensar o pessoal cinco horas antes na sexta-feira. a ideia é economizar com uma refeição e reduzir em 5% os gastos com energia", conta Kwast.

Na opinião de Joseph Coury, presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi-SP), as perspectivas são sombrias para o setor. 

"Quando a montadora diz que caiu a produção em quase 30%, o pequeno fabricante de autopeça teve uma redução, na maioria das vezes, maior que isso. Um carro pode ter duas, três peças idênticas no projeto. E são duas peças que não são vendidas", diz ele. 

O contraponto para o momento, no entanto, fica para as fabricantes voltadas para o mercado de reposição de carros usados, as chamadas "peças paralelas". "Esse é um mercado que tende a reagir bem sempre que há queda de carros novos, aumentando o interesse nos veículos usados. O problema é que o comércio, aqui, é cheio de distribuidores pequenos. A empresa tem de se acostumar e se adaptar a vender dez peças para um, 30 para outro e por ai vai", explica Coury.

Em Guarulhos, o empresário Ancelmo Lopes conhece a realidade. Ele desenvolve linhas para suspensão de automóveis leves e conta que a procura por seus produtos cresceu cerca de 20% em comparação ao ano passado. 

"O dólar mais alto fez com que nosso produto ficasse mais barato que o asiático. A situação mudou para melhor pra gente", diz ele, que produziu em janeiro 120 mil peças, contra 80 mil por mês no primeiro semestre de 2015. 

"Eu percebi que a situação estaria favorável e investi R$ 1 milhão em uma nova linha, para ampliar nossa capacidade produtiva", conta Lopes, que acaba de contratar dez funcionários para atuar no chão de fábrica.

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