JF Diorio/AE
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Quatro dicas para preparar sua empresa para 2012

Analistas e empresários dão dicas sobre como iniciar o ano diferenciando-se dos concorrentes e, por isso mesmo, crescendo apesar da crise internacional

Renato Jakitas, Estadão PME,

28 de dezembro de 2011 | 06h30

O ano que vem promete ser intenso e começa sob a tensão de uma crise econômica internacional. Por isso, para ter um bom ano novo, o empresário deve ter em mente a adoção de algumas resoluções. Para ajudá-lo, o Estadão PME conversou com consultores e empresários e preparou quatro dicas que podem fazer a diferença em 2012. Confira:

Seja realista

Este ano foi marcado por sobressaltos na economia. Afinal, nem o mais atento dos analistas poderia prever que o período que começava promissor, após um crescimento incomum do País em 2010, chegaria a dezembro com notícias de estagnação.

A boa notícia é que 2012 começa com os empreendedores de olho na crise da Europa, contudo, todo cuidado é pouco. “O cenário mais realista para 2012 é de preocupação. A onda recente de otimismo com o chamado ‘potencial emergente’ do Brasil está dando lugar a uma posição de cautela e de observação apurada do comportamento de consumo do brasileiro”, observa o especialista da DN Consult, Dorival Donadão.

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Para ele, no entanto, o poder de consumo da chamada nova classe média deve apresentar-se mais uma vez importante. Embora, diz o consultor, esse desempenho não deva repetir a intensidade de anos anteriores. “Há também os segmentos que devem reagir bem em 2012, como é o caso do agronegócio, de algumas atividades de infraestrutura e do enorme leque de alternativas em óleo e gás”, destaca.

O executivo Sérgio Frangioni, presidente da Blanver, produtora de matérias-primas para as indústrias alimentícias e farmacêuticas, pensa da mesma forma que Donadão. Mas o empresário faz um adendo importante.

“As empresas estão esperando os acontecimentos que virão, de olho nos países desenvolvidos. Mas há uma certa preocupação por parte de nossos governantes para que as indústrias se tornem mais competitivas, independentemente de fatores externos. O governo está sendo mais ativo”, afirma.

O negócio é planejar

Mas cautela, é bom que se diga, não significa estagnação. Isso porque, com a profissionalização do mercado brasileiro, que ano após ano ganha relevância no cenário internacional, a concorrência se acirra em todos os setores. E, pode ter certeza, neste exato momento há um empreendedor planejando de que forma ele pode tirar proveito da incerteza do mercado.

“É preciso fazer diferente, inovar, mudar o comportamento para ganhar. A concorrência no Brasil se tornará mais dura em 2012. Sobram investimentos e o acesso aos novos negócios, ou ampliações, é muito mais fácil que no passado. O empresário precisa se planejar para alcançar resultados”, destaca o diretor executivo da norte-americana FRCH Design World Wide, Sérgio Barbi Filho.

Para Donadão, pedir mais planejamento ao empresário brasileiro é um desafio. “Pensar a médio e longo prazo não é uma característica muito exercitada pelo empresariado brasileiro. Sair do comportamento errático, das iniciativas pouco estruturadas e dar lugar à inteligência competitiva, à busca de um diferencial relevante, à originalidade inventiva são pontos a se desenvolver.”

Quem oferece um bom exemplo de como agir no presente com os olhos no futuro é o fundador da rede de sapatos feminino ShoeShop, Luiz Francisco de Salles Pinto. Assim que tomou ciência das estimativas, e logo depois comprovou no bolso o desaquecimento do consumo, ele passou a desenhar ações para colocar em prática desde o primeiro dia de 2012. Um tipo de movimento, diz ele, até então incomum para a empresa.

“Já programamos promoções para equalizar os estoques com a realidade pois sentimos que o Natal seria menos aquecido.  No inicio do ano entraremos com força nas campanhas de promoção e reavaliaremos as projeções de faturamento e os suprimentos de mercadorias para 2012.”

Busque o curso desde o primeiro dia

Um erro crasso do empreendedor brasileiro é demorar demais para retomar o comando e o ritmo de sua empresa após o período de relaxamento proporcionado pelas festas de final de ano.

O segredo para um ano de sucesso, dizem os especialistas, é redobrar a vigilância sobre a disciplina desde o início e se impor desafios, que vão da gestão do negócio até a busca de novas ferramentas de comunicação e divulgação.

“Tem de começar com tudo. Buscando uma maior participação no calendário anual de negócios, participando de feiras de negócios, se relacionando com seu fornecedor e cliente de maneira mais efetiva, direta e próxima. Acompanhar as principais questões econômicas que podem vir a alterar o seu negócio, observar o concorrente e seu público alvo, investir em pesquisa e comunicação de sua marca”, destaca Sérgio Frangioni, da Blanver.

“Nos momentos iniciais do ano é preciso ter uma tática de jogo bem definida, já assumindo que as perspectivas serão difíceis. Ficar próximo aos clientes, investir na capacitação do capital humano, adotar a flexibilidade e a inovação como bandeiras de gerenciamento, e muita atenção ao fluxo de caixa são atitudes bem-vindas”, aponta Dorival Donadão da DN Consult.

Para Leonardo Silva Leandro, da EPS Treinamentos, o começo do ano é propício a faxinas profundas. “É hora de eliminar as ineficiências, corrigir o percurso, alinhar as metas e estar preparado para os próximos meses. Com o termino do ano já temos histórico suficiente para servir de base para um planejamento estratégico mais eficiente.”

Invista em seu time

Já que estamos tratando de algumas deficiências do empreendedor brasileiro, um dos aspectos vulneráveis de nossas empresas e que deve entrar em pauta desde o início do ano, é a capacidade de desenvolvimento e gestão da força de trabalho.

“A visão imediatista, o foco no curtíssimo prazo e o pragmatismo de resultados, todos esses vícios fazem com que nossos empresários dêem pouca relevância ao ato de atrair, reter, desenvolver e engajar pessoas na dinâmica de trabalho”, diz o especialista da DN Consult.

“As empresas costumam contratar pelo currículo, mas a demitirem pelo comportamento. Os empresários precisam enxergar que investir no desenvolvimento e na capacitação de seu pessoal é positivo em médio e longo prazo”, afirma Leandro, da EPS. ::: LEIA TAMBÉM :::

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