Wilton Júnior/Estadão-6/5/2020
Wilton Júnior/Estadão-6/5/2020

Quase metade dos pequenos negócios busca crédito na pandemia

Pesquisa de Sebrae e FGV aponta que, enquanto 46% das PMEs pedem dinheiro, só 18% conseguem; pelo Pronampe, Caixa já liberou R$ 4,2 bilhões dos R$ 16 bi do programa; fintechs facilitam empréstimos com menos burocracia

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 06h01

Mesmo com a recente reabertura gradual da economia, o número de micro e pequenas empresas que buscaram crédito para sobreviver à pandemia do novo coronavírus cresceu desde março. Segundo a pesquisa em série ‘O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios’, realizada pelo Sebrae e pela FGV Projetos, de abril a junho a busca por empréstimo cresceu de 30% para 46%. A taxa de sucesso das empresas que conseguiram acessar o dinheiro foi de 11,3% para 18%.

A pesquisa ainda mostra que os bancos públicos lideram como instituição financeira mais procurada pelos micro e pequenos negócios na hora de solicitar crédito, seguido pelos bancos privados e pelas cooperativas de crédito.

Os últimos dias sinalizam uma ligeira melhora na velocidade de liberação do dinheiro via  o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), principal linha de crédito do governo federal aprovada apenas em 18 de maio e com uma verba de R$ 15,9 bilhões.

A Caixa Econômica Federal deu um salto de R$ 380 milhões para R$ 4,24 bilhões em liberação de crédito do Pronampe entre 29 de junho, última atualização reportada pelo Estadão PME, e 13 de julho. Devido ao volume, o banco recebeu do Ministério da Economia um acréscimo de limite, que passa a ser de R$ 5,9 bilhões.

Na última segunda-feira, 13, o Itaú divulgou que liberou R$ 3,7 bilhões em crédito pelo Pronampe. No mesmo dia, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) anunciou que recebeu R$ 500 milhões em pedidos pelo financiamento do governo federal.

Por mais que não estejam citadas na pesquisa como opção de crédito, as fintechs (startups financeiras) se mostram uma oportunidade ao empreendedor, oferecendo condições favoráveis de taxa de juros, carência, negociação totalmente digital e customizada. 

A Nexoos, por exemplo, já financiou R$ 20,4 milhões entre março e início de julho e não está trabalhando com carência. De acordo com a empresa, mais de 64 mil pessoas simularam empréstimos na plataforma.

A IOUU diz ter liberado em contratos de empréstimo R$ 2,5 milhões entre o início de março e julho, o que representa um crescimento de 11% da empresa. Já a Firgun liberou mais de R$ 163 mil durante o mesmo período, um crescimento de 60% da empresa.

Até o momento, os valores liberados de forma geral ainda são baixos, segundo especialistas. Um estudo da FGV estima que existirá uma lacuna entre a demanda potencial de empreendedores em busca para financiar o capital de giro e a oferta anual de crédito pelas instituições financeiras de cerca de R$ 202 bilhões (tomando como base a concessão de crédito divulgada pela Banco Central em 2019).

Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV e um dos autores do estudo, destaca ainda que existe uma grande parcela de micro e pequenos empresários desalentados, ou seja, nem chegam a procurar uma linha de crédito por conta da burocracia para a aprovação.

“Como em condições normais o crédito é muito negado, em condições de crise esse crédito vai ser ainda mais difícil, por isso as pessoas nem procuram. Há um círculo vicioso do desalento”, diz. “E apenas agora estamos vendo que o governo federal está com um papel mais ativo do ponto de vista de implementação das linhas de crédito. Formulou-se muita coisa, mas elas não foram implementadas.”

Retomada lenta

Sem crédito e com baixo faturamento. Essa ainda é a realidade das PMEs depois de quatro meses de pandemia. Segundo a 5ª edição da pesquisa ‘O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios’, do Sebrae e da FGV Projetos, o índice de PMES que registraram queda do faturamento não sofreu grandes alterações. Passou de 89% em abril para 84% em junho. Cerca de 4% das micro e pequenas empresas do País fecharam definitivamente.

Receba no seu e-mail as principais notícias do dia sobre o coronavírus. Clique aqui.

Tudo o que sabemos sobre:
empreendedorismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.