Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Quando o esporte vira negócio de sucesso

Brasileiro é apaixonado pelo esporte e, por isso mesmo, há boas opções de negócios

ESTADÃO PME,

14 de abril de 2012 | 07h22

O brasileiro adora esportes. Se for futebol, então...

Dessa forma, a pessoa interessada em abrir uma empresa pode encontrar neste segmento ótimas oportunidades, principalmente porque o País sediará dois eventos do porte da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Antes de mais nada, porém, é preciso o de sempre: planejamento, foco no desenvolvimento da ideia, inovação e diferenciação e, mais do que nunca, afinidade com o tipo de empresa que se pretende abrir.

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A seguir, contamos dois casos de empresários que souberam aliar todas essas dicas com o esporte. E não se arrependem nada.

CORRIDA DE RUA VIRA OPÇÃO DE NEGÓCIO

Em 2000, ao identificar o potencial de crescimento das corridas de rua no País, quatro sócios criaram o Grupo Latin – uma agência que faz das provas um veículo de divulgação de grandes marcas. Beneficiada pela popularização do esporte (que reúne mais de 4,5 milhões de praticantes no Brasil), a empresa conseguiu faturar R$ 22 milhões em 2010.

O Grupo Latin, por exemplo, transformou companhias como Caixa Econômica Federal, Volkswagen e NET em patrocinadores de provas de rua. Agora, para aproveitar melhor a carteira de clientes que conquistou, passa a oferecer às empresas outros tipos de ações promocionais.

A estratégia de expansão do grupo respeita uma lógica simples: não deixar as oportunidades escaparem. E a regra é seguida desde sua fundação.

Nos anos 90, o administrador de empresas Carlos Galvão participou da prova de triatlo Ironman Brasil e percebeu que, embora fosse renomado entre os triatletas, o evento reunia apenas 200 participantes. “Eu enxergava erros na organização e estimava que, com algumas mudanças, seria possível chegar a mil participantes em cinco anos”, afirma o empresário. “Vislumbrei ali a chance de criar uma empresa que atuasse no ramo.”

Realizar o Ironman Brasil em uma cidade que tivesse infraestrutura adequada, oferecer conforto aos atletas e um material esportivo de qualidade eram as medidas que Galvão pretendia tomar para atrair um público mais qualificado para o evento. Funcionou. Em três anos, a meta de conquistar mil participantes foi atingida.

Para executar o plano, Galvão contou com a ajuda de Carlos Alberto Azevedo, Frederico Azevedo e Frederico Wagner. Os três empresários, além de sócios da empresa de moda esportiva Track & Field, eram também seus amigos de infância. Juntos, os quatro criaram o Grupo Latin, usaram sua rede de relacionamentos para chegar ao detentor da marca Ironman e abocanharam o contrato de organização do evento no Brasil.

Naquele evento, os sócios perceberam que era bom negócio transformar consumidores da classe A e B em atletas de rua. Com este perfil de participantes, as provas organizadas pelo Grupo Latin se tornaram atraentes aos patrocinadores. “Por mirar esse público, conseguimos chamar a atenção de anunciantes de grande porte”, explica Galvão.

Em 2011, a agência deverá organizar 34 eventos esportivos que contarão com a participação de 65 mil pessoas. “Como criamos um bom relacionamento com os patrocinadores ao longo desses 11 anos, decidimos ampliar nosso portfólio para atender essas empresas em qualquer tipo de ação promocional que elas fizerem”, justifica Galvão.

No novo mercado, a disputa será mais acirrada. A agência passará a trabalhar em áreas em que ainda não possui experiência. “Mas a empresa não tem nada a perder”, avalia José Roberto Martins, consultor especializado em gestão de marcas. “Afinal, estender a atuação do negócio para áreas correlatas é uma estratégia de expansão que apresenta poucos riscos para empresas que vendem direto para outras empresas. A marca fica preservada”, analisa o especialista.

PAIXÃO PELA VELOCIDADE SE TORNA LUCRO

Ele levou o estilo de vida dos autódromos para o shopping center. Ao apostar no potencial de mercado por trás dos 7 milhões de fãs de automobilismo no Brasil, o empresário Ely Behar criou um modelo de negócio inovador, que em pouco mais de um ano e meio de existência já cresceu 200% e deve fechar 2011 com faturamento até três vezes maior do que o R$ 1 milhão registrado no ano passado.

Com uma loja virtual e duas físicas, a U/Racer reúne artigos para pilotos - luvas, capacetes e macacões - e produtos para fãs do esporte, como camisetas, bonés e até roupas para bebês. “Antes, esses produtos só eram vendidos em eventos de automobilismo, mas com o sucesso das vendas nas lojas, as marcas oficiais já estão até aumentando o investimento nas linhas de produtos para fãs”, conta Behar.

O modelo é pioneiro no Brasil e agradou justamente pelo apelo com o público masculino. Atualmente, 50% do faturamento vem dos artigos para os fãs. “Nós temos boa aceitação para entrar nos shoppings porque conseguimos resolver o maior problema deles, que é atrair os homens”, explica o empresário.

Behar é apaixonado por velocidade e entre os 14 e 18 anos foi corredor de kart, época em que percebeu que havia escassez de equipamentos especializados para pilotos no País.

Quando abandonou as pistas, passou a investir na representação da marca italiana especializada em acessórios para automobilismo Sparco e, alguns anos depois, o empresário já gerenciava um portfólio de 20 marcas, incluindo sua própria linha de produtos, batizada por ele de Lico.

Em 2008, disposto a investir em um negócio diferente, o empreendedor deixou a Sparco para apostar na representação de uma marca de tênis. “Foi quando aprendi a trabalhar com o varejo e adquiri o conhecimento necessário para criar a U/Racer.”

Dois anos depois, a afinidade com o esporte falou mais alto e ele voltou a trabalhar com automobilismo. “Queria fazer o que eu gostava, mas com 20 anos de mercado, sabia que precisava me diferenciar para dar certo.”

Foi quando criou com um sócio o conceito de um espaço que também atendesse os fãs do esporte. Hoje, a U/Racer é distribuidora oficial de marcas importantes como Ferrari, Sauber e McLaren, e recebe investimento de um fundo. O próximo passo da empresa, releva Behar, é expandir a operação por meio de franquias e, dessa forma, ter 35 lojas da marca até 2015.

Desse total, pelo menos dez devem ser inauguradas até o ano que vem, propiciando um faturamento de R$ 10 milhões. “O foco é em cidades com mais de 250 mil homens das classes A e B, o público do negócio”, explica o empreendedor.

Antes da expansão, porém, a atenção do empresário está no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, que acontece entre 25 e 27 de novembro. Nesses três dias, a empresa deve faturar o equivalente a um mês.

Dessa forma, Behar reforçou a equipe com 20 vendedores e vai abrir uma loja temporária em frente ao autódromo. Ele também manterá, na semana do evento, uma unidade no aeroporto de Congonhas para atender turistas estrangeiros.

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