Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Quando a crise aperta, como saber a hora de demitir?

Perda de faturamento é o principal motivo das reformulações; Cuidado é essencial para experiência não ser traumatizante para ambos os lados

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2017 | 09h23

O Brasil vive uma recessão que atinge a todos. Desemprego em alta significa também desaquecimento da economia. Sem dinheiro para gastar, a população inteira acaba sendo afetada. Do trabalhador que se viu, de repente, sem trabalho ao dono da padaria que, ao longo dos últimos meses, precisou demitir funcionários para manter o negócio funcionando. O ciclo não é animador. Mas ignorá-lo pode significar ainda mais prejuízos. “Nos negócios, ninguém fica sabendo de uma hora pra outra que as coisas não vão bem”, explica Esmeralda Queiroz, consultora do Sebrae-SP.

Os sinais de crise aparecem logo. E engana-se quem pensa em resolver a questão com práticas radicais, como enxugar o quadro de funcionários para tapar um buraco provocado, por exemplo, pela queda de faturamento. A verdade é que demitir alguém deve ser uma medida adotada com certa frieza, sob o risco de prejudicar não só uma pessoa, mas um negócio que gera renda para outras tantas.     De acordo com a especialista, optar pelo desmanche da equipe como primeira alternativa é um equívoco. 

“A primeira alternativa do empresário deve ser pensar no que ele pode fazer. E existem muitas alternativas antes das demissões.”

Ajustes. Antes de desligar um funcionário, é preciso pensar. “O empresário pode tentar resgatar clientes inativos, fazer inventário de estoque, reduzir custos fazendo uma leitura apurada dos demonstrativos de resultados. Sempre tem alguma coisinha pra cortar”, diz Esmeralda. 

Porém, uma crise pode ser duradoura. E os ajustes feitos podem não ser suficientes. Depois de esgotar as possibilidades de corte de custos e otimização do trabalho é que o enxugamento do quadro de funcionários pode ser levado à diante. Mas muita calma nessa hora. Geralmente as demissões são muito pautadas por fatores emocionais, o que impede uma visão mais estratégica para manter a saúde do negócio. E, no pior dos cenários, pode ser traumatizante para as duas partes. A especialista dá dicas de como conduzir uma demissão da melhor forma possível, pensando não só no bem estar da empresa, mas também do funcionário que será desligado. Veja:

1 - O primeiro passo é sinalizar aos funcionários todos os esforços que estão sendo feitos para que não haja demissões. É uma forma honesta com todos de dizer que as coisas não vão bem. E também evita situações delicadas. Um funcionário ciente das dificuldades no trabalho, dificilmente vai contrair dívidas altas.

2 - Na hora de decidir, procure deixar de lado os fatores emocionais. O empresário deve pensar em manter quem ajuda mais, não quem é mais caro a ele. Outra pegadinha é a falsa sensação de estar ajudando quem mais precisa da equipe. O que deve ser levado em consideração é o que o negócio precisa. Na maioria das vezes, é uma decisão difícil mesmo.

3 - Não pensar no custo da demissão como o fator determinante. É claro que o empresário deve ficar atenta aos custos dos encargos, o que diminuirá ainda mais a receita de uma empresa que perdeu faturamento. Mas deixar de demitir o funcionário mais antigo, por exemplo, porque sairia muito caro é só aumentar o problema, pois esse funcionário continuará tendo um custo elevado para o negócio.

 

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