Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Projeção de imagem no Cristo Redentor e no Masp vira negócio de R$ 8 milhões para empresário

Empresas faturam com a demanda publicitária por novos canais de diálogo com o consumidor

Renato Jakitas, Estadão PME,

13 de março de 2013 | 06h32

Alexis Anastasiou tem um diploma de bacharel em relações internacionais na parede, mas escolheu ganhar a vida projetando imagens em eventos, casas noturnas e em espaços públicos. Opção pouco convencional, mas que esse brasiliense de 37 anos definitivamente não se arrepende.

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Dono da produtora Visualfarm, é com esse negócio que ele planeja faturar R$ 10 milhões este ano. Um resultado 20% superior ao obtido em 2012, escorado, sobretudo, na demanda proveniente do mercado publicitário por novos canais de diálogo com o consumidor.

A ideia que surgiu despretensiosamente há 15 anos, após um show da banda alemã kraftwerk, uma das precursoras da música eletrônica, atualmente é um negócio sério, estruturado com 45 funcionários, sede em São Paulo e escritórios em outras três capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Brasília e, agora, Salvador.

"Temos projetos que começam em R$ 10 mil e que passam R$ 1 milhão", conta Alexis.

Após um início tímido, com apresentações esparsas em clubes de música eletrônica, como a Lov.E e a Clash Club, além de algumas festas raves, o nome de sua produtora caiu nas graças do mercado promocional. O estopim foi um contrato para realizar projeções de imagens durante o Skol Beats de 2003, festival de música eletrônica chancelado pela Ambev.

De lá para cá, Alexis cresce anualmente a dois dígitos e investe parte desse dinheiro na aquisição de servidores de vídeo, projetores de alta potência e microcomputadores dotados de infraestrutura para produções 3D - os equipamentos necessários para vializar suas projeções.

“Fazemos cerca de 100 projetos por ano. Antedemos clientes como Toyta, Itaú, Calvin Klein, Cielo e Banco do Brasil", conta o empresário, que a partir de 2010 confessa ter mudado de patamar. "Começamos a ser procurados também para grades projetos", diz ele, que se refere tanto às cifras envolvidas quanto o alcance das produções.

Nessa nova fase, um dos trabalhos de maior repercussão da Visualfarm aconteceu em outubro de 2010: um truque viabilizado por luzes e imagens sobrepostas que fez com que a estátua do Cristo Redentor, no alto do morro do Corcovado, fechasse seus famosos braços para o Rio de Janeiro. O "Abraço do Cristo Redentor", nome da ação, foi uma encomenda do Sesi, com o objetivo de chamar a atenção para a violência sexual contra crianças e adolescentes.

Fizemos muitas projeções grandes: do Masp ao Engenhão, durante a abertura dos Jogos Militares Mundiais", lembra Alexis Anastasiou. "Nosso maior trabalho foi durante a Copa de 2010 para o Banco do Brasil. A gente projetou imagens simultâneas nas 12 cidades sedes da Copa de 2014."

O VJ de Brasília não é o único no Brasil a ganhar dinheiro com a demanda corporativa. João Rocha, sócio e diretor de atendimento e planejamento do BijaRi., um negócio fundado em 1996 por arquitetos e artistas, faturou R$ 3,3 milhões em 2012 com a venda de projeções.

No ano passado, eles realizaram uma exposição especial na abertura da nova embaixada brasileira em Londres e, mais recentemente, produziram imagens para um evento da HBO em Las Vegas, em virtude do lançamento da nova grade de programações da emissora de televisão.

“Vamos crescer entre 20% e 25 neste ano, muito em função dessa explosão do vídeo mapping corporativo, mas também por conta de outros segmentos em que atuamos, como vídeo cenários para shows musicais”, explica João Rocha.

De fato, segundo Marcelo Pontes, que lidera a área acadêmica de marketing, pesquisa e economia da ESPM, a motivação por trás do sucesso comercial de VJs como Alexis Anastasious e João Rocha é a busca das marcas por abrir novos canais de diálogos com o consumidor.

Uma tendência que tem raízes na descentralização da comunicação impulsionada pela internet, aliada ao avanço de tecnologias, como as que fazem uso a Visualfarm e a BijaRi em suas projeções.

“Uma ação dessa é geralmente tocada uma marca que não ambiciona apenas um resultado de venda. Ninguém vai pagar por uma coisa dessas para vender cerveja ou abrir mais uma conta corrente. É uma marca que quer ser associar a uma determinada situação e gerar valor nos consumidores. Algo como, ‘se estão falando de banco, então eu preciso ser citado’”, conta

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