Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Programas de aceleração focam na mentoria para além do aporte financeiro

'Estadão PME' lança buscador com 62 programas de aceleração em todo o País; busca é feita a partir de itens como aporte financeiro, consultoria presencial ou online, participação societária e outros

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 06h00

Cursos, workshops, treinamentos, mentorias e acesso a potenciais clientes e parceiros. Muito além do investimento financeiro, grandes empresas têm guiado seus programas de aceleração de startups em torno da criação de conexões e de conhecimento de mercado. 

O capital não deixou de ser importante, e ainda é um atrativo na hora de buscar uma oportunidade de fazer o negócio crescer, mas não é o único. “Não necessariamente é preciso colocar dinheiro nas startups, pode só abrir as oportunidades. Descobre um negócio, o ajuda a testar os produtos em uma grande empresa, e coloca alguns mentores para ajudar a crescer e a entrar no mercado”, aponta o presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), José Alberto Aranha. 

Ao distribuir investimentos ou não, manter um programa de aceleração é parte do interesse estratégico das grandes empresas. Em muitos programas, é necessário que as aceleradas cedam uma participação societária à corporação em troca de investimento. Ainda nos casos em que não há dinheiro envolvido diretamente, o processo é benéfico para as grandes. Enquanto ajudam a desenvolver um negócio - muitas vezes em seus nichos de atuação -, as corporações conseguem ter acesso à tecnologia e à inovação, modus operandi das startups.

Ao lado da capacitação, item essencial a um programa de aceleração, muitas empresas têm apostado em ofertar estação de trabalho na hora de impulsionar pequenos negócios. Além de um atrativo para empreendedores de fora da cidade na qual o processo ocorre, a dinâmica é vista como uma oportunidade de desenvolvimento. Ao residir em um espaço compartilhado, o acelerado pode aprender de perto com a grande empresa e conviver com outras startups. 

“Nós estamos em uma vibe colaborativa, as pessoas estão dispostas a te dar a mão. Hoje tudo é na base do networking, ele facilita as coisas a acontecerem, abre portas, cria conexões e dá acesso a pessoas que já têm maior conhecimento de mercado”, destaca a coordenadora do Faap Business Hub, fomentadora de empreendedorismo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Alessandra Andrade. 

Programas de aceleração

Com o objetivo de fazer uma curadoria das oportunidades de escalar pequenos negócios, o Estadão PME reuniu 62 iniciativas no Buscador de Programas de Aceleração. Na plataforma online, é possível encontrar opções de acordo com a modalidade (online, presencial ou ambos), se oferece ou não apoio financeiro e estação de trabalho, se há mensalidade e participação societária e também busca por período de inscrições. Há representantes das regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além dos Estados Unidos.

Entre as iniciativas mapeadas, as ofertas de estação de trabalho são maiores do que as que colocam dinheiro nas startups. Dos 62 programas encontrados, 39 oferecem estrutura física para as pequenas operarem - como o Safira Labs e o NexxLabs - enquanto apenas 25 prometem investimento direto, como a Aceleradora 100+ e o Programa FedEx para Pequenas Empresas. Entre quem combina os dois itens (dinheiro e estação de trabalho), há 17 programas, como o 500 startups e o TechHealth. 

Para Guilhermino Afonso, CEO da Wellbe, plataforma que usa inteligência de dados para reduzir custos em saúde e que participou do TechHealth em 2018, antes de escolher um programa de aceleração, é preciso saber em que nível o negócio está e o que o processo pode aportar nele. “Saímos do processo com muito mais clareza sobre qual problema a gente desenvolvia e quem era o nosso cliente”, conta.

Antes do programa, no qual recebeu R$ 150 mil de investimento, a startup tinha apenas um cliente. Um ano depois, a base ampliou para 20. “Às vezes, [na hora de buscar um programa de aceleração], o que você precisa não é de um investidor-anjo, mas de um ‘cliente-anjo’, alguém disposto a comprar a sua solução antes de ela existir”, destaca Alessandra, da Faap.

Neste ano, o Estadão PME lançou outros serviços multimídia para ajudar os empreendedores em seus negócios. Além do mapeamento desta edição com 62 programas de aceleração em todo o País, o site ainda traz um buscador de coworkings e outro de marketplaces

No caso dos coworkings, são 247 endereços dessas estações de trabalho compartilhadas espalhadas pela cidade de São Paulo. Já no serviço dos marketplaces, mapeamos 49 sites onde múltiplos lojistas podem anunciar seus produtos. Em todos os três, é possível navegar a partir de filtros variados, como preço, nicho de atuação, bairro e frete.

* Conhece algum programa de aceleração que não está aqui? Tem alguma história para nos sugerir? Escreva para a gente: pme@estadao.com

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