Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Programa vai acelerar negócios de impacto social criados nas periferias de São Paulo

Em sua terceira edição, projeto expande pela 1ª vez para todas as regiões da capital paulista; inscrições abertas até domingo

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 06h00

Termina neste domingo, 24, o prazo para empreendedores à frente de negócios de impacto social e ambiental criados nas periferias da cidade de São Paulo se inscreverem para o programa de aceleração da Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (Anip). A iniciativa tem como apoiadores a organização sem fins lucrativos Artemisia, que atua no fomento de negócios de impacto social, e o Centro de Empreendedorismo e Negócios da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGVCenn). 

Dez empreendedores serão selecionados para o programa, que tem duração de oito meses. Ao final do processo de aceleração, os donos dos negócios receberão R$ 20 mil de capital semente para promover melhorias e mais estrutura à empresa. Para se inscrever é preciso que o negócio esteja em atividade. 

Esta será a terceira turma de aceleração da Anip. Porém, tanto o número de selecionados como a duração do curso passaram por modificações neste ano. Antes, o programa durava apenas quatro meses. 

“Percebemos que trabalhar mais tempo com os empreendedores da quebrada poderia trazer mais conexão com os processos metodológicos que passamos no programa. Também abrimos as inscrições para todas as periferias do município. No ano passado, trabalhamos apenas com negócios da zona sul”, afirma o presidente fundador da Anip, Marcelo Rocha, conhecido como DJ Bola. 

O programa conta com encontros presenciais e online, acompanhamentos individuais e conexão entre os empreendedores e uma rede de mentores. Professores da FGV e profissionais da Artemisia e de grandes empresas que financiam o capital semente estão entre eles. 

Para Michelle Fernandes, criadora do e-commerce de acessórios de raízes africanas Boutique de Krioula e participante da primeira turma da Anip, uma das principais vantagens do programa é não precisar sair do Capão Redondo, bairro da zona sul onde ela mora. 

“Tive mentoria com um representante de um grande e-commerce e então pude traçar uma estratégia para ver como a empresa poderia crescer”, conta ela. “Também tive ajuda para estruturar nossa área de revendas, algo que eu tinha acabado de implementar. O aporte ao final do programa foi essencial para a compra de maquinário, como uma tábua de desenho, que não tínhamos condições de comprar.” 

De acordo com Bola, o objetivo da Anip é justamente dar protagonismo e fortalecer empreendedores que já atuam em negócios de impacto social ou ambiental nas periferias, mas, como empreenderam por necessidade, não conseguem identificar que atuam dessa forma. 

“Na quebrada, esse conceito é muito novo. Precisamos dialogar para desconstruir alguns medos e conceitos desses empreendedores que não se veem como empreendedores”, diz ele, segundo quem a ideia é que os investidores olhem para a periferia como potência de inovação. “E assim eles passem a investir para que seja possível não pensar apenas na falta de dinheiro, mas também no andamento da empresa como um todo.” 

O DJ fala com conhecimento de causa. Apesar de a Anip ter atuação recente, desde 2018, ela é fruto do trabalho realizado desde o final dos anos 1990 pela produtora A Banca, fundada por Bola no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo. 

Na época, o bairro foi considerado um dos lugares mais violentos do mundo e Bola encontrou no hip hop uma forma de atuar na comunidade com educação e cultura. Em 2008, depois de ser acelerada pela Artemisia, A Banca se posicionou definitivamente como um negócio de impacto social. 

As inscrições devem ser feitas pelo site www.aceleradoranip.com

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