Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Programa do Sebrae Nacional quer estancar informalidade em comunidades

Favela Mais mira, inicialmente, favelas de Paraisópolis e Heliópolis, duas das mais populosas de São Paulo

Mariana Canhisares e Leonardo Pinto, Especiais para O Estado

22 de maio de 2017 | 19h33

Em busca de estancar o gargalo dos pequenos negócios que funcionam na informalidade, o Sebrae Nacional realizou no último sábado, 20, um mutirão para realizar registros de Microempreendedor Individual (MEI) nas comunidades de Paraisópolis e Heliópolis, as duas maiores de São Paulo. A ideia do programa, batizado de Favela Mais, que deve se estender a outras regiões da cidade, é concentrar esforços nos negócios que atendam aos moradores locais.

Para além da formalização, o presidente do Sebrae, Guilherme Afif, acredita que o Favela Mais tem o potencial de incluir social e economicamente os moradores dessas favelas. “Todas as empresas podem estar na legalidade, recolhendo seus tributos, alguns são pequenos, como no caso do MEI, e geram benefícios previdenciários, como o auxílio-maternidade, além de dar acesso aos programas sociais”, explica. Atualmente são 7 milhões de MEI regularizados no Brasil e a meta, segundo o Sebrae, é chegar a 12 milhões. 

Rogério Pereira, morador de Paraisópolis e dono da grife Malokero, foi um dos pequenos empreendedores convidados a participar do evento e mostrar seu trabalho à comunidade. Ele conseguiu, junto ao Sebrae, um desfile para apresentar sua marca de roupas e o apoio do órgão para gerir o negócio. “Minha loja a partir de agora vai ser mais conhecida e ampliará as oportunidades. O projeto vai me ajudar muito na parte de marketing e como organizar melhor a comunicação com meus clientes”, conta o lojista de 30 anos. 

De acordo com o coordenador de Empreendedorismo da Central Única das Favelas (Cufa), Celso Athayde, a principal meta de um programa como essse deve ser diminuir a distância entre os empreendedores de comunidades e o acesso à informação. “Teremos agentes da própria favela, que não têm uma linguagem formal de negócios, dando atendimento de modo permanente para os seus pares”, afirma Athayde, que também participa da organização do Favela Mais.

Em heliópolis, o empreendedor Fábio de Souza, de 30 anos, comemora. “Finalmente vou conseguir abrir minha empresa”, diz o dono da TV Zapão, canal no Facebook que divulga as notícias da favela. Com o lançamento do programa, ele explica que sentiu a necessidade de formalizar a empresa após quatro meses de abertura do negócio. “Eu preciso me regularizar por causa da demanda dos meus patrocinadores. Com o apoio, eu posso registrar outra pessoa na empresa, ter uma linha de crédito maior e facilitar a relação com parceiros e clientes”.

Athayde acredita que os benefícios do programa devem reverberar em toda a comunidade. “Na medida que a gente estiver mais qualificado, teremos melhores produtos e mais clientes. Melhoramos o comércio e, consequentemente, desenvolvemos as pessoas também.”, afirma. “O Estado passa a qualificar essas pessoas e elas começam a ver o Estado como parceiro”, avalia.

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