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Professor Pardal do Paraná inventa vaso sanitário autolimpante

Cabeleireiro da cidade de Fazenda do Rio Grande é conhecido pela engenhosidade de suas criações

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2016 | 08h00

Aquilo que muitos chamam de criatividade, o cabeleireiro João Batista do Nascimento classifica como dom de Deus. O fato é que, nomenclaturas à parte, depois de várias noites em claro e alguns canos de PVC jogados fora, o cabeleireiro e inventor criou uma traquitana que otimiza a limpeza de vasos sanitários. 

Trata-se de um sistema higienizador que coloca desinfetante dentro da caixa flutuante do vaso, e libera o produto junto com a descarga. Conforme explica Nascimento, a instalação do dispositivo pode ser feita pelo próprio usuário. 

"Perdi muitas noites de sono no projeto. Começava o processo todinho enquanto todos da casa estavam dormindo. A madrugada é silenciosa, né?!", conta o inventor com espontaneidade. "A peça funciona com perfeição", orgulha-se.

Batizado de JBJB higienizador, uma referência às iniciais do nome do pai da criação, a peça foi patenteada junto à Associação Nacional dos Inventores (ANI). Para registrar uma criação que não custou nada ao bolso de Nascimento, pois foi confeccionada com materiais que ele já tinha em casa, ele precisou investir R$ 20 mil, o preço de uma patente junto à Associação.

"Seu Carlos me explicou todo o processo e me falou do valor. Eu não tinha tudo no momento, então um amigo que me acompanhou entrou como sócio para me ajudar", conta, referindo-se ao presidente da ANI, Carlos Mazzei. Depois do registro, Nascimento busca agora parcerias com marcas que tenham interesse em lançar seu produto no mercado. Ele estima que, pela simplicidade dos materiais, o JBJB higienizador possa ser comercializado por R$ 50.

Fama e anonimato. Conhecido em Fazenda do Rio Grande, cidade paranaense de 80 mil habitantes onde vive há 20 anos com a família, como Professor Pardal -- uma referência personagem inventor criado pela Disney --, João Batista acumula outras engenhocas no currículo. Entre eles, um suporte para papel higiênico que foi recusado pelo 'seu Carlos'. 

"Acho que ele não gostou muito. Mas vou leva-lo de novo assim que conseguir juntar o dinheiro da patente", insiste o inventor, que viaja de carro até São Paulo para apresentar seus experimentos à ANI.

O salão de beleza de Nascimento também é alvo de suas invenções. A mais recente é a adaptação de uma bateria de celular para uma máquina de cortar cabelo utilizada todos os dias pelo próprio empresário. "Ficou muito bom. Ficou ótima, inclusive. Mas essa não levei para o Seu Carlos, não", lamenta.

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