Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Procurar um diferencial é fundamental com a economia retraída como atualmente

Empresários encontram demandas novas ou não atendidas; por enquanto, a retração da economia do País não os preocupa

Estadão PME,

13 de agosto de 2014 | 06h53

Donos de uma empresa de desenvolvimento de produtos, Fernando César Tomiotto e Sherllis Oliveira começaram, no final de 2013, um negócio em um setor que pode parecer bastante arriscado no momento. Eles construíram uma fábrica para a produção de acessórios de plástico para festas.

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O pessimismo alardeado pela indústria, porém, passa longe da Funny Art. “No momento, a nossa preocupação é aumentar a produção. As peças que vendemos caíram no gosto dos consumidores e a nossa projeção de vendas não deu conta”, afirma Tomiotto. A fábrica tem 35 funcionários e produz 196 itens diferentes, apostando no conceito cada vez mais popular, principalmente nos Estados Unidos, do finger food – servir a comida em pequenas porções. “Achamos esse nicho de mercado aqui, que só era atendido por peças de porcelana”, conta.

“Trouxemos o plástico pensando em todas essas pessoas que ascenderam economicamente. Além de mais baratos e práticos, nossos produtos também são coloridos”, conclui o empresário.

A empresa de Tomiotto segue um mantra sempre mencionado por especialistas, mas que torna-se ainda mais importante em momentos como o que a economia brasileira passa atualmente. “O segredo é identificar demandas das pessoas que não estão sendo atendidas ou oferecer produtos e serviços por um custo menor”, afirma o coordenador do curso de empreendedorismo e gestão da PUC-SP, Geraldo Borin. “Situações de baixo crescimento como essa também apresentam novas oportunidades. A questão é que elas precisam ser examinadas com mais criatividade.”

Para o coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec, Marco Aurélio de Sá Ribeiro, momentos de pouco crescimento ou estagnação pedem soluções que economizem tempo das pessoas ou que reduzam seus gastos. “Durante a crise de 2008, um dos setores que mais cresceu nos EUA foi o de automatização de serviços, aquele que dispensa a necessidade de atendentes”, lembra.

Marco Aurélio afirma também que alguns serviços são mais demandados em épocas difíceis, como consultoria e tecnologia, enquanto outros, como saúde e educação, não conhecem tempo ruim. “Em um País com 200 milhões de habitantes, e ainda bastante fechado ao exterior, o que não falta é oportunidade”, afirma.

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Mesmo em segmentos de itens ‘dispensáveis’, que em geral sofrem mais com a estagnação econômica, há boas oportunidades. É o que descobriu a Cookie’n Ice, dos empresários Ricardo Campagnolli, Giovanni Georgetti e Aimara Marimoto. A doceria vende sanduíches de cookie com sorvete, uma guloseima que Ricardo e Giovanni conheceram numa viagem aos EUA no final de 2011. “Vimos as pessoas fazerem fila nas casas especializadas, mesmo no frio, e achamos que seria uma boa ideia”, conta Campagnolli.

O projeto se concretizou em abril deste ano, em uma casa ao lado do Shopping Ibirapuera, em São Paulo. A doceria vende em média 700 sanduíches por fim de semana, quando o movimento é maior. “A gente não sentiu ainda nenhum efeito (da crise) principalmente pelo fato de ser uma ideia nova no País e pelo nosso público ser da classe A ou A+”, afirma o empresário. Os planos da Cookie’n Ice envolvem abrir uma nova unidade ainda este ano e os empresários também querem franquear o modelo, que em três meses de vida recebeu o contato de 30 investidores interessados.

Caminho. Optar por uma franquia, neste momento, pode ser uma boa opção, segundo a análise do professor Martinho Isnard Ribeiro, coordenador do mestrado profissional em empreendedorismo da Faculdade de Economia e Administração da USP. “As franquias podem ser uma boa escola para quem está começando a empreender”, recomenda o especialista.

O contraponto do menor risco do negócio, porém, será um retorno menor, que pode inclusive demorar mais de cinco anos para efetivamente chegar. “Para se ter um retorno mais rápido, você precisa apostar em uma franquia desconhecida”, afirma o atual coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV, Tales Andreassi. 

 

:: Saiba o que pode ser a diferença ::

Segmento: Descobrir um nicho de mercado pouco explorado pode ser uma boa alternativa para quem acabou de abrir uma pequena empresa atualmente.

Alternativa: Em momentos de pouco crescimento da economia, o líder de uma organização precisa encontrar soluções que economizem o tempo do cliente.

Franquia: Modelo favorece quem está começando agora e pode ser usado para reduzir os riscos; o problema é o retorno financeiro, que pode demorar muito a chegar.

Certeza: Mesmo com a economia retraída, há gastos que o consumidor reluta em abandonar. Nesse cenário, negócios de educação e saúde se sobressaem.

Habilidade: Em tempos difíceis, o empresário deve ter a capacidade de negociar com fornecedores a fim de ampliar, por exemplo os prazos de pagamento.

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