Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Problema do setor se transforma em solução para loja de lingerie que pretende faturar R$ 30 milhões

Rede vende peças de coleções passadas que antes encalhavam ou eram vendidas a preços simbólicos

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

22 de janeiro de 2013 | 06h30

Depois de trabalhar 28 anos na indústria de lingerie e lidar com os problemas das sobras de coleções, o empresário Maurício Michelotto enxergou uma oportunidade de negócio para resolver esse transtorno do segmento. Ele criou a Outlet Lingerie para reunir essa mercadoria produzida por marcas famosas e vendê-la com até 70% de desconto. Deu certo. A meta da rede é fechar 2013 com 80 lojas e faturamento de R$ 30 milhões, o dobro do registrado no ano passado.

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Michelotto explica que quando a coleção saía de linha, as peças ficavam no estoque ou eram vendidas a 'preço de banana' para magazines do Norte e Nordeste. “Muitas vezes, o produto ficava jogado na banca. Uma empresa que tem um pouco mais de preocupação com a sua marca acabava preferindo deixar as peças no estoque”, conta.

A primeira loja foi aberta em 2008. Foram dois anos e meio de testes para corrigir as falhas nos processos, eliminar os gargalos e preparar a operação por meio do sistema de franquias.

Para garantir o abastecimento das lojas, a rede não depende apenas das coleções fora de linha. A Outlet Lingerie tem uma marca própria chamada Gracious, um contrato de exclusividade para vender a marca Nu.Luxe e ainda oferece para os clientes coleções exclusivas, desenvolvidas por grandes fabricantes, com a mescla de matérias-primas de coleções passadas. “Se eu pretendo chegar em 200 lojas até 2016, eu preciso me preparar desde já.”

A rede trabalha com grandes marcas como Calvin Klein Underwear, Valisère e Rosa Chá. Justamente por isso, tem seu foco de atuação nas classes A e B. “Apesar de vendermos barato, temos a necessidade de consumidores com percepção de marca. A mulher que vem aqui e vê um sutiã da Valisère por R$ 59, por exemplo, tem que saber que um sutiã da mesma marca custa R$ 100, R$ 120 em qualquer outra loja”, explica.

A busca de interessados em abrir uma franquia é intensa. Para cada loja, o empresário estima entre 60 e 70 pessoas. “A primeira reunião é comigo. Eu acredito muito no olho no olho, no feeling. O interessado não segue adiante se não passar nesse critério, independentemente do dinheiro que tenha”, garante.

O investimento para abrir uma franquia é de R$ 170 mil, com prazo de retorno entre 18 e 24 meses. Cada loja tem faturamento médio de R$ 60 mil. Mas para ser franqueado, um dos requisitos é ter capital próprio.

A professora do Programa de Administração do Varejo (Provar/FIA), Flávia Ghisi, avalia o negócio como interessante e com potencial diante de um mercado em crescimento e que exige investimento inicial relativamente baixo.

Entre as vantagens do negócio está o próprio mercado, que se beneficia do estilo das consumidoras: elas têm uma preocupação menor com novas coleções em comparação com o segmento de roupas e sapatos, por exemplo. “Para o consumidor, usar uma lingerie de uma coleção antiga não tem tanto impacto porque a mudança, na visão da cliente, é pequena.”

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